Ato na Paulista neste domingo mede temperatura dos protestos anti-Temer

Manifestação, que tem mais de 20.000 pessoas confirmadas nas redes sociais, começa às 16h30

Manifestante defende Eleições Já em ato deste domingo no Rio
Manifestante defende Eleições Já em ato deste domingo no RioP.Olivares (Reuters)

Mais um protesto – o sexto esta semana – acontecu neste domingo no Rio e em São Paulo contra o presidente Michel Temer. Liderado pela Frente Brasil Popular, que reúne mais de 60 organizações, e pelo grupo Povo sem Medo (outros 30), o ato deste domingo realizado na Paulista, lotava vários quarteirões por volta das 18h.

A manifestação paulistana ganha mais exposição depois de uma semana inteira de protestos que culminaram em cenas de violência policial contra manifestantes. Além da estudante Deborah Fabri, de 19 anos, que perdeu a visão do olho direito por conta de estilhaços de bomba atirados nesta quarta, as repetidas cenas de repressão ao longo da semana fizeram com que as confirmações ao ato aumentassem.

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A mais recente é a imagem obtida pela rede Record de um carro de polícia correndo a toda velocidade atrás de um jovem em São Paulo na última quinta-feira. O jovem foi derrubado com o impacto do carro. Pelo que é possível deduzir das imagens, ele não teve ferimentos mais graves, pois aparece de pé na sequência e algemado. Fotógrafos que cobriam os protestos nesta semana também foram atingidos por balas de borracha. Um deles teve seu equipamento destruído pela PM.

A presença de jovens adeptos da tática black blocs em alguns atos esta semana trouxe tensão às manifestações. Pedras foram atiradas contra lojas e paredes foram pichadas com o slogan “Fora Temer” em algumas cidades. A presença dos black blocs tem servido de justificativa ao governo estadual para o forte aparato policial – e a reação agressiva aos manifestantes. Pelo menos em São Paulo e em Curitiba a imprensa local flagrou atos de vandalismo. Nas redes sociais, eles anunciam que estão de volta. Jornalistas que cobriram os protestos de 2013 contam que os mesmos personagens reapareceram depois de dois anos recolhidos.

Os protestos, porém, têm contado com a presença de estudantes sem vínculo com esses movimentos, embora eles engrossem os gritos contra a PM. Em geral, as manifestações começam pacíficas mas em algum momento há registro de confronto. Centenas de policiais e viaturas acompanham todo o trajeto dos atos.

Um dos motes dos últimos protestos é a "Diretas Já", com manifestantes pedido novas eleições diretas. O tema voltou à tona depois da saída de Dilma da presidência. Uma enquete de opinião, no portal do Senado Federal, sobre a possibilidade de antecipação das eleições contava com 140 mil votos a favor de um novo pleito e 12 mil contra na tarde deste domingo. Em maio, o portal e-Cidadania, do Senado Federal, abriu consulta pública sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que sugere antecipação de eleições presidenciais para outubro deste ano, juntamente com eleições municipais.

O presidente Michel Temer foi questionado por jornalistas, durante o encontro do G-20, na China, sobre os protestos que estavam acontecendo no Brasil enquanto ele estava fora. Temer minimizou os atos dizendo que se tratavam de grupos pequenos. “São 40, 50, 100 pessoas, nada mais que isso”, afirmou. De fato, são grupos pequenos, mas que chegaram perto dos 20.000 em São Paulo na última quarta. Por isso, o ato deste domingo em São Paulo servirá de termômetro para medir se o mandatário, agora confirmado, precisará rever sua avaliação. No Rio, uma passeata pela avenida Atlântica reuniu cerca de 2.000 pessoas na manhã de domingo. Faixa de “Fora Temer”, “Diretas Já” e bandeiras do PT e do PCdoB foram vistas em meio aos manifestantes.

Pesquisa Ibope, divulgada neste sábado, mostrou que nas capitais do Brasil entre 9% a 19% dos entrevistados avaliam o governo do presidente Michel Temer como " bom" ou "ótimo". Já entre 32% a 53% consideram o Governo "ruim" ou "péssimo".

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