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Estas são as diferenças entre um corte de cabelo de 100 reais e um de 1.000

O cabeleireiro mais caro do mundo explica o que é, de fato, um 'bom corte'

A cantora Rihanna, em um show na Inglaterra no dia 21.
A cantora Rihanna, em um show na Inglaterra no dia 21. Redferns

Dizem que Rihanna chegou a deixar 16.000 euros (57.600 reais) por semana no salão de Ursula Stephen, artífice de seus cortes de cabelo vanguardistas e comentados. David Beckham pagou mais de 5.000 euros (18.000 reais) em troca de seu look imitado. Madonna, Penélope Cruz e Katie Holmes pagam 500 euros (1.800 reais) ao estilista Andy Lecompte toda vez que desejam modificar a forma de suas madeixas. Além das excentricidades próprias das celebridades, que têm centenas de dólares no banco esperando para investir num capricho mais extravagante e caro que o anterior, nos perguntamos se existe uma diferença real entre um corte de cabelo caro e um barato. O que um corte de 1.000 reais (300 euros) pode nos dar que jamais conseguiremos pagando 100 reais (30 euros)? Quanto é que nós, reles mortais, devemos desembolsar para ter um bom corte? As tesouradas de cinco dígitos vêm com um unicórnio de presente?

Primeiro, vamos definir o que é um bom corte de cabelo. “Para começar, o cliente deve se sentir ótimo quando sair do salão. Mas a verdadeira prova chega com o primeiro banho. Um bom corte deve ser fácil de pentear e lavar, sem que isso implique muito esforço. O segundo teste para determinar a qualidade do corte é ver como o cabelo vai ficando à medida que cresce”, explica ao EL PAÍS Stuart Phillips, conhecido por ser um dos estilistas mais caros do mundo e o melhor do Reino Unido. Seus trabalhos custam em torno de 23.000 euros (82.800 reais) e sua clientela inclui a tenista Serena Williams, além de um punhado de oligarcas russas com a carteira recheada. O preço de seus serviços não parou de aumentar nos últimos anos, mas seu negócio não deixou de crescer. “Não ficamos famosos por um corte específico que todo mundo pede. Na verdade, nosso diferencial é estudar cada cliente em profundidade: a forma de sua cara, sua estrutura óssea, o tipo de cabelo e até sua personalidade”, explica. O valor inclui cobrir qualquer necessidade dos clientes: desde um cozinheiro que prepare seu prato favorito até um cuidador para seus cães de estimação. “Quanto mais você pagar, melhor será a experiência que o salão vai oferecer e maiores as opções de mudanças de imagem que lhe proporcionará. Não digo que um corte de 50 euros (180 reais) não seja bom, mas um mais caro, num salão de melhor reputação, deve ter melhor qualidade”, diz o britânico.

Além dos “extras” oferecidos pelos salões de luxo como o de Phillips, existem muitos outros fatores que influem no custo. A localização, a experiência do cabeleireiro, a demanda e os prêmios que recebeu são elementos a levar em conta. E claro: se você curte as madeixas de Alexa Chung, um dos cortes mais desejados do planeja, também pode se permitir um preço maior. “As celebridades não podem se arriscar a ter um bad hair day. Se elas confiam num determinado estilista, é sinal de que ele é realmente bom. No meu caso, as pessoas podem ver o que faço com as famosas e sabem que, se vierem ao meu salão, eu e minha equipe seremos capazes de criar esses cortes e penteados”, diz ao EL PAÍS George Northwood, criador do penteado da it girl britânica e do estilo loiro da modelo Rosie Huntington-Whiteley. Em sua opinião, “por 30 euros você faz o que o cliente pede, nada mais. Corta as pontas e pronto. Os consumidores conhecem seu cabelo e têm uma ideia do que gostam, mas depende do cabeleireiro saber explorar seu físico para que o resultado seja o melhor possível. Só os melhores profissionais podem fazer isso. Agora: se você tem um cabelo complicado, frágil ou que muda drasticamente devido a uma doença, vale a pena gastar mais num estilista melhor e mais experiente”, diz ele por e-mail. “A diferença é que um bom cabeleireiro cortará seguindo as instruções do cliente, enquanto um excelente poderá criar um look inspirador dentro dos limites estabelecidos pelo usuário”, resume.

Alexa Chung, dona de um dos cortes de cabelo mais desejados do mundo.
Alexa Chung, dona de um dos cortes de cabelo mais desejados do mundo.

No entanto, assim como acontece com uma simples camisa branca de marca e outra procedente de uma rede low cost, pode ser que a diferença esteja na qualidade do tecido, no padrão ou na durabilidade, ou que o preço exagerado da primeira simplesmente se justifique pela logomarca que aparece na etiqueta. “É possível que, às vezes, um preço alto seja uma estratégia de marketing para conseguir popularidade”, reconhecem os dois estilistas. “Mas, no fim das contas, só as excelentes habilidades e a experiência do salão poderão respaldar esse preço ao longo do tempo.” O melhor para não cair na armadilha é “não assumir que um preço mais alto seja sinônimo de uma melhor qualidade. Veja como os clientes saem do salão. Procure alguma reportagem que mostre o trabalho do estilista e encontre o profissional correto no local adequado para você”, aconselha o cabeleireiro de Alexa Chung. Vale lembrar que muitos desses famosos profissionais cortam grátis o cabelo das celebridades, conseguindo a notoriedade e a reputação suficientes para inflar suas tarifas para os demais clientes.

Como é pouco provável que qualquer um de nós frequente salões com cuidadores de cachorro ou um chef que nos prepare um almoço enquanto fazemos chapinha e pintura, realmente existe diferença entre um corte de 30 euros e um de 300? Pagar 150 seria garantia de nunca mais sair insatisfeito do salão? Xavi García, diretor artístico do conhecido Salón 44, de Madri, ajuda a tirar as dúvidas. “Uma das principais diferenças entre um corte caro e um barato costuma ser o tempo empregado. Nós investimos mais ou menos uma hora e quinze minutos para cada cliente (diagnóstico inicial, corte, secagem e corte em cabelo seco para garantir o resultado desejado), enquanto um salão de baixo custo dedicará apenas 20 minutos por pessoa”, afirma. “O mais importante é que o corte seja fácil de manter em casa e que tenha algo especial.”

García diz que, a partir dos 300 euros, já falamos de um corte de cabelo caro demais, que só poderia ser justificado “se você estiver num palacete de Paris”. De resto, o estilista afirma que na Espanha – claro que as tarifas variam muito segundo o país, e as nacionais não se comparam com as que poderíamos pagar em Londres, Nova York e São Francisco – “um bom corte de cabelo deve custar entre 50 e 250 euros”.

O look de David Beckham, um dos mais copiados e admirados pelos homens, poderia custar 5.000 euros (18.000 reais)
O look de David Beckham, um dos mais copiados e admirados pelos homens, poderia custar 5.000 euros (18.000 reais) AFP

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