ELEIÇÕES FRANÇA

Nicolas Sarkozy anuncia candidatura à presidência da França em 2017

Ex-presidente conservador também anunciou o lançamento de um novo livro

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. VINCENT KESSLER (REUTERS) / VÍDEO: QUALITY (reuters_live)

Sua intenção de se candidatar era um segredo guardado a sete chaves, mas sua equipe queria garantir uma cobertura midiática de peso, e buscava, para isso, um efeito surpresa. Talvez por isso é que Sarkozy tenha oficializado sua candidatura de uma forma inesperada. Em seu perfil no Twitter, ele anunciou o lançamento, nesta quarta-feira, de um novo livro, intitulado Tudo pela França, com a seguinte frase: “Este livro é o ponto de partida”. Ele vem acompanhado de uma imagem da publicação e de um trecho do texto da contracapa: “Decidi ser candidato à eleição presidencial de 2017. A França exige que se dê tudo a ela. Senti que tenho a força para levar adiante esse combate em um momento tão tormentoso de nossa história”, diz Sarkozy na apresentação.

O anúncio marca, assim, o pontapé inicial da sua campanha eleitoral. Ainda nesta segunda-feira, Sarkozy apresentou sua demissão como presidente do principal partido da oposição. É uma condição para que possa concorrer nas primárias da direita e do centro, que serão realizadas em dois turnos na segunda quinzena de novembro. Seu principal adversário, nesse momento inicial, é o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, mais moderado e que vem liderando as pesquisas até agora, embora nos últimos três meses Sarkozy tenha conseguido diminuir a distância que os separa e hoje conte com que a dinâmica dos acontecimentos, marcada neste momento pelos atentados jihadistas, lhe permita ultrapassar o concorrente.

Nas últimas semanas, Sarkozy delineou quais serão os seus grandes temas, em uma luta para abocanhar eleitores da extrema-direita: identidade, segurança e laicidade. Em declaração do jornal Le Monde, o candidato insistiu na necessidade de se “adaptar o Estado de Direito” à luta contra o terrorismo (ele propõe, por exemplo, a prisão domiciliar dos suspeitos de jihadismo, algo que é considerado inconstitucional). O ex-presidente também expôs o seu desejo de alterar o direito de território, ampliar o veto ao uso do véu para as universidades e empresas –essa proibição vigora, hoje, nas escolas de primeiro e segundo graus— e extinguir os cardápios específicos para as crianças muçulmanas que não podem comer carne suína nas cantinas escolares, segundo afirmou o próprio Sarkozy à revista semana conservadora Valeurs Actuelles.

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Turnê na mídia

Fiel à sua imagem de hiperativo, Sarkozy prevê ocupar ao máximo o terreno da mídia. Nesta quarta-feira, dia do lançamento de seu livro –o segundo em oito meses--, ele será o convidado do telejornal noturno do canal privado TF1. Na quinta-feira, realizará o seu primeiro comício, em Châteaurenard (no departamento de Bouches-du-Rhône). Nos dias 27 e 28 deste mês, ele participará nas jornadas da juventude do partido, em Le Tourquet, no norte do país. No dia 31, sua presença é aguardada na Universidade de verão realizada pelo sindicato patronal Medef, nos arredores de Paris.

Nos últimos dias, várias lideranças do partido de Sarkozy manifestaram o seu apoio a ele. Dentre elas estão o ex-ministro do Trabalho Eric Woerth, o presidente da região Provence Alpes Côte d’Azur, Christian Estrosi, e o presidente da bancada dos Republicanos na Assembléia Nacional, Christian Jacob.

Sarkozy já dispõe de seu quartel-general para a campanha, em escritórios localizados no 7º distrito de Paris. Segundo o site L’Opinion, o local está alugado até maio do ano que vem, ou seja, para durar bem depois das primárias, até a eleição presidencial.