Brasil cura obsessão do ouro no futebol

A 'alta' da doença olímpica veio com alguns sintomas de que o país de Pelé pode resgatar a sua velha arte de jogar bola

Marcelo Sayão (EFE)

Foi sofrido, foi nos pênaltis, foi sob a desconfiança de uma péssima arrancada, foi contra a Alemanha do fantasma do 7x1, foi no Maracanã do Maracanazzo... Finalmente o Brasil pentacampeão do mundo se cura de uma obsessão histórica e conquista o ouro futebolístico na Rio 2016. O mais importante é que a alta da doença olímpica veio com alguns sintomas de que o país de Pelé pode resgatar a sua velha arte de jogar bola.

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Deve ser uma lenta recuperação. O time dourado, todavia, não foi a equipe quase sempre covarde e defensiva que acostumamos a ver nos derradeiros fracassos no Mundial de 2014 e na Copa América --sem contar o desempenho esmorecido nas Eliminatórias para a Rússia 2018.

Sem abrir mão de jogar com três atacantes, a canarinha comandada pelo ainda inexperiente técnico Rogério Micale começou e terminou o jogo de 120 minutos forçando o ataque contra os alemães. Correu riscos, sofreu o empate, mas não disse adeus às armas em nenhum momento.

A lição dos meninos pode renovar filosoficamente a seleção principal agora comandada pelo técnico Tite -conselheiro de Micale depois do fraco início nas Olimpíadas. Até mesmo o destempero psicológico, um adversário nas últimas jornadas, foi controlado no time de Neymar e companhia. A equipe cobrou os pênaltis com nervos de aço, equilíbrio mental improvável em competições anteriores.

A Pátria em chuteiras ainda desfila com as sandálias havaianas da humildade do pós-7x1. Os sinais vitais da Rio 2016, porém, reanimaram público e crítica na festa do Maracanã. Pena que ao voltar à realidade profissional de corrupção e descontrole da CBF, bata um certo desânimo na torcida. Esse jogo político fora de campo ainda estamos perdendo de goleada.

Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de Big Jato, entre outros livros. É comentarista dos programas Redação Sportv e Papo de Segunda (GNT).

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