Deus e Freud na jornada do herói olímpico

Mais forte que o Olimpo e a psicanálise é a Bahia. Que o espírito de Isaquias Queiroz nos ajude na ressaca da Rio 2016

Phelps, a bandeira dos EUA e seu bebê, Boomer.
Phelps, a bandeira dos EUA e seu bebê, Boomer.DOMINIC EBENBICHLER (REUTERS)

A historia de Phelps é uma fábula do divã. Já campeão, havia rompido com seu segundo pai, seu técnico. Começou uma sequência de deslizes caricatos - como dirigir bêbado. Clássica autossabotagem até ir para um rehab psicológico e discutir a culpa que sentia por não ter podido manter a família unida - seus pais se separaram quando ele era pequeno e ele nunca mais se aproximou de Fred Phelps. Depois do rehab, e em poucos meses até a Olimpíada, ele reatou com o pai biológico, com o pai técnico, pediu em casamento a namorada de nove anos, teve o baby Boomer, ganhou o ouro, fim.

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Já nostálgica dos Jogos, agradeço a catequização de Diego Hypolito, que falou abertamente de como a análise ajudou ele a conquistar a prata depois da execração pública. Como todos sabem, ele cunhou um bordão para a vida: "Na primeira Olimpíada, eu caí de bunda. Na segunda, eu caí de cara. E, nessa, eu caí de pé". De modo que eu sugiro que Ryan Lochte busque um analista como o de Hypolito ou Phelps. Quantas horas de divã será preciso atravessar antes de parar de ligar para sua mãe pós-balada, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância? Não é fácil, nós sabemos. O tricampeão Usain Bolt, depois de, veja bem, se reafirmar como uma lenda, teve de ouvir sua mãe falar que ainda está cobrando alguma coisa dele: que finalmente se aquiete e forme uma família.

É por isso que eu, de autoférias na análise, queria ter nascido na Bahia, um impulso para a autoestima muito mais poderoso que Deus ou Freud, é o que eu acho. Isaquias Queiroz, fazendo três com a mão, três medalhas, desde o primeiro dia de competições! Que essa autoconfiança nos acompanhe na ressaca olímpica.