Michael Phelps: a vida fora da piscina

O atleta com mais medalhas da história dos Jogos Olímpicos concede uma entrevista na Omega House

O fundo marinho fora da água. Assim é a Omega House, onde corais e plantas sub-aquáticas acompanharam Michael Phelps na entrevista coletiva após sua última vitória no Rio 2016.
O fundo marinho fora da água. Assim é a Omega House, onde corais e plantas sub-aquáticas acompanharam Michael Phelps na entrevista coletiva após sua última vitória no Rio 2016.

“Se há um ano ou dois me perguntassem se esse resultado era bom, eu teria dito que sim. Não existe melhor forma de terminar uma carreira do que ganhar mais cinco medalhas de ouro e uma de prata nos Jogos Olímpicos”, explicava Phelps pouco depois de subir ao pódio em uma entrevista aberta na Omega House, o ponto de encontro montado pela relojoaria suíça em plena Vila Olímpica. Michael Phelps é um colaborador habitual da empresa, que desde 1932 cronometra as provas olímpicas. “Estamos juntos há muito tempo e sinto que são parte da minha família”, explicou. “Têm o melhor sistema de cronometragem, sabemos que seus tempos são perfeitos e não os trocaria por nada”.

O encontro, em que dividia espaço com outros dois mitos da natação – Chad Le Clos e o lendário Alexander Popov –, revelava-se um momento ideal para refletir e fazer um balanço da quinta Olimpíada de Phelps. “Teria sido impressionante quebrar um recorde mundial”, explicou o nadador a respeito das expectativas que numerosos especialistas tinham colocado nele. “Fiz um tempo melhor, mas não bati nenhum recorde mundial. Fiz minha melhor prova de revezamento 4 x 100 metros. Mas, no geral, era exatamente o que eu queria”. Falou também dos resultados extraordinários nos 200 metros borboleta. “Posso dizer que foi uma das melhores provas da minha vida”, explicou diante do público reunido na Omega House.

Phelps chegava reforçado pela vitória e também pela emoção. “Achava que era minha última vez. Seria meu último encontro, meu último treino, minha última competição. Era o que me passava pela cabeça todo o tempo e me vinham imagens dos 24 anos de carreira de nadador. Isso me deixou emocionado”. Essa mudança foi visível sobretudo em seu comportamento público.

Phelps autografa sua foto no pequeno ‘hall of fame’ da Omega House na Vila Olímpica do Rio 2016.
Phelps autografa sua foto no pequeno ‘hall of fame’ da Omega House na Vila Olímpica do Rio 2016.

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Já teve fama de farrista, mas agora, transformado em porta-bandeira de sua seleção e mentor de nadadores mais jovens, parece totalmente centrado. Algo em que, provavelmente, influiu sua recente paternidade. Phelps confessa que tende a adotar uma atitude paternal na relação com os companheiros mais jovens. “Acho que muitas coisas que fiz em equipe, como capitão, são muito parecidas com a paternidade. Quando vejo um companheiro se emocionar, ponho a mão no ombro dele e o aproximo de mim. Vejo-me fazendo mais coisas típicas de pai e cuidando de minha equipe”.

Esse inesperado papel de mentor teve, nesta Olimpíada, um coprotagonista inesperado: o nadador Joseph Schooling. Anos atrás, um Schooling de apenas 13 anos pedia uma foto a seu ídolo, Phelps. Neste ano competiram juntos. “Finalmente está se firmando”, afirma Phelps. “É emocionante ver que algumas de minhas conquistas no esporte o fizeram mudar. Fui capaz de animar jovens nadadores a ir atrás do ouro sem medo, e a sonhar grande”.

Diante dele se abre agora um período de mudanças que, diz Phelps, não será de incerteza. “Depois de Londres [sede dos Jogos Olímpicos de 2012] engordei 13 quilos. Não vou fazer isso desta vez. Essa foi minha vida por 24 anos e agora será um pouco diferente. Mas como tive um filho este ano, continuarei madrugando”. Sobre o filho, Boomer Robert Phelps, esclareceu uma das grandes incógnitas: “Eu me encarrego da conta do Instagram”, contou. “Todo mundo acredita que é Nicole, mas na verdade sou eu. É uma loucura como cresceu. São quase 500.000 seguidores em seis semanas. É incrível. Mas é sempre fantástico ver o apoio que recebemos de nossos fãs”.