Jogos Olímpicos

Juan Martín Del Potro, aquele que foi para perder e volta como herói

O tenista argentino faz um torneio dos sonhos depois de ficar 14 meses fora das quadras

O tenista Juan Martín Del Potro.
O tenista Juan Martín Del Potro.Charles Krupa (AP)

“Você merece isso”. Foi o que disse o britânico Andy Murray a Juan Martín Del Potro no último domingo durante a cerimônia de entrega de medalhas no Centro Olímpico de Tênis do Rio de Janeiro. O argentino, com efeito, foi o que mais brilhou no pódio, apesar de ostentar a prata. E isso não aconteceu por causa de sua altura, mas sim devido à estrondosa ovação que lhe dirigiu o público e que deixou “La Torre” –como o chamam—emocionado. Murray, ganhador da medalha de ouro, e o público sabiam do significado que estes Jogos Olímpicos tiveram para o tenista de 27 anos, que, até a primeira partida, somava 14 meses de inatividade. A estreia com uma vitória sobre o número 1 do mundo, Novak Djokovic, fez com que todos os argentinos voltassem os olhos para ele e o apoiassem até o fim. Depois disso, ele bateu o português João Souza, o japonês Taro Daniel e os espanhóis Roberto Bautista Argut e Rafael Nadal.

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“Os 14 meses de inatividade foram difíceis porque a lesão parecia não ir embora, até que, depois da terceira cirurgia, tudo mudou e passei do pesadelo para o sonho”, admitiu nesta segunda-feira, durante entrevista coletiva, o campeão do US Open de 2009 e medalha de bronze em Londres 2012, que sofreu diversas lesões nos dois pulsos e passou por uma cirurgia há pouco mais de um ano para tentar voltar ao profissionalismo. “Sinto que nasceu um novo Juan Martín Del Potro tenisticamente falando”, disse o atleta nascido em Tandil (a 350 quilômetros de Buenos Aires).

Esse é o lugar escolhido por Del Potro para descansar depois da consagração no Rio, graças à qual igualou a ex-tenista também argentina Gabriela Sabatini ao obter duas medalhas em diferentes edições olímpicas nessa modalidade. Depois de muito lazer e descanso, o tenista será aguardado por uma nova edição do US Open (para a qual foi convidado após a conquista da prata) e pelas semifinais da Copa Davis, torneio no qual ainda não garantiu presença, embora ainda tenha atravessada na garganta a derrota sofrida para a Espanha em 2008, em Mar del Plata. Juan Martín foi recebido em sua cidade natal como verdadeiro herói, com recepção no palácio municipal, promovida pelo prefeito Miguel Angel Lunghi.

“Tomara que eu consiga estar com as mesmas condições físicas que os melhores para competir em duplas, e que depois o ranking me classifique onde for o caso”, disse Del Potro, que hoje aparece em 141º lugar no ranking da ATP. O atleta afirmou também que está recuperando aos poucos o reverso com a direita, “porque as coisas estão melhorando”, e acrescentou que trabalha para evoluir pelo menos um pouco a cada dia.

Questionado sobre sua relação com aquele que o venceu na final olímpica, Del Potro o encheu de elogios, qualificando-o de “grande campeão”, tanto dentro quanto fora das quadras. “No abraço final que demos, ele me pediu para aproveitar ao máximo tudo o que consegui e que eu merecia o que estava acontecendo”, detalhou, acrescentando: “A verdade é que fomos dois finalistas olímpicos dignos, que se entregaram totalmente na quadra. Do ponto de vista pessoal, esgotei todas as minhas energias. Desde o primeiro set, eu já não conseguia erguer as pernas, mas o estímulo das pessoas me deu forças”