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Hillary Clinton mostra estratégia para desmascarar Donald Trump

Candidata democrata tenta encontrar a fórmula para desarticular a eficiente mensagem do republicano

Clinton em um ato de campanha nesta sexta-feira.
Clinton em um ato de campanha nesta sexta-feira.EDUARDO MUNOZ ALVAREZ (AFP)

A campanha para eleger o sucessor de Barack Obama na Casa Branca entra em uma nova fase. Os dois partidos escolheram seus candidatos. Clinton pelos democratas esta semana na Filadélfia. Na semana anterior, em Cleveland, os republicanos nomearam Trump. Contra todos os prognósticos, este novato na política associado com os programas de reality show, o mundo dos cassinos e arranha-céus, além das revistas de celebridades, derrotou seus 16 rivais nas primárias do Partido Republicano. Conseguiu isso ofendendo veteranos de guerra, juízes e mulheres, colocando apelidos denegrindo seus rivais e agitando os medos da classe trabalhadora branca golpeada pela globalização.

Primeiro, seus rivais — alguns deles eram políticos muito experientes — preferiram ignorá-lo. Pensaram que era um fenômeno passageiro. Depois ficaram intimidados. Eles se abstiveram de atacá-lo para não serem vítimas de suas provocações. Finalmente alguns decidiram responder. Em vão. A ascensão de Trump era imparável.

Nos debates que deverão ocorrer entre os dois, e ao longo da campanha, Clinton deve encontrar uma fórmula para combater a retórica do Trump. Na Filadélfia deu algumas pistas.

“Só eu posso resolver isso”, disse Trump na semana passada durante a convenção de Cleveland. Aludia ao caos e à violência que supostamente reinam nos EUA. “Os norte-americanos não dizem: ‘Só eu posso resolver isso’. Nós falamos: ‘Vamos resolver isso juntos’. Lembrem-se: nossos fundadores lutaram na revolução e escreveram uma constituição para que nunca fôssemos uma nação onde uma pessoa tivesse todo o poder”.

Na Filadélfia, Clinton contou com a ajuda do general dos Marines John Allen que endossou sua capacidade como comandante-em-chefe, em comparação com as propostas de Trump, que ameaça não cumprir a obrigação de defender os sócios da OTAN e defende a tortura. O discurso mais eficaz foi o de Khizr Khan, um imigrante muçulmano cujo filho, militar dos EUA, caiu no Iraque. Trump quer vetar a entrada de muçulmanos ao país. “Você leu a constituição?”, ele perguntou a Trump. “Posso emprestar minha cópia com prazer”.

Os democratas cerram fileiras com uma síntese de progresismo e patriotismo

A convenção democrata começou na segunda-feira com divisões entre os seguidores do senador Bernie Sanders, rival de Hillary Clinton nas primárias, e a maioria favorável a Clinton. Termina com uma demonstração de unidade em torno da candidata e com uma síntese ideológica que retoma velhas tradições do Partido Democrata. Em política externa Clinton ocupa o espaço central que o Partido Republicano de Donald Trump deixou vazio, com uma mistura de intervencionismo multilateral e excepcionalidade americana. Combina essa doutrina com as políticas econômicas progressistas. Na Filadélfia, Clinton afirmou que o Partido Democrata é o partido da classe operária, agora cortejada por Trump. "Acredito que a nossa economia não está funcionando como deveria porque a nossa democracia não está funcionando como deveria", disse ela. Retórica sanderista para a o partido clintoniano.

Trump baseia seu poder de atração em seus supostos êxitos empresariais. Clinton lembrou que com seus casinos e hotéis em Atlantic City (Nova Jersey) arruinou fornecedores e pequenas empresas porque se recusou a pagá-los. Afirmou que, apesar de sua retórica patriótica a favor do “made in USA”, fabrica seus produtos na China, México, Índia e Turquia.

“Agora Donald Trump diz, é uma citação: ‘Eu sei mais sobre o Estado Islâmico do que os generais...’”, disse Clinton. E acrescentou: “Não, Donald, você não sabe”.

“Você tem o temperamento para ser comandante-em-chefe?”, perguntou. “Você perde as estribeiras na menor dificuldade... Imaginá-lo no Salão Oval enfrentando uma crise de verdade”. Citando palavras de John F. Kennedy depois da crise dos mísseis de 1962, recordou que o que preocupava Kennedy naquele momento era que uma guerra fosse provocassem “não pelos grandes homens com autocontrole e cautela, mas pelos homens pequenos, movidos pelo medo e pela vaidade”.

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