Escândalo de doping da Rússia

COI autoriza atletas russos nas Olimpíadas, mas sob condições rigorosas

Federações internacionais examinarão todos os participantes desse país nos Jogos do Rio

Presidente do COI com Vladimir Putin em, 2014 CHARLIE RIEDEL (AP) / EL PAÍS VÍDEO

O Comitê Olímpico Internacional (COI), reunido nesta manhã em Lausanne, decidiu permitir a participação dos esportistas russos nos Jogos Olímpicos do Rio, que começam no dia 5, mas só se demonstrarem não ter qualquer relação com o escândalo de doping em massa patrocinado pelo Estado. Para isso, caberá à federação internacional de cada esporte avaliar caso a caso os atletas da Rússia, para assegurar que cumpram as normas previstas no Código Mundial Antidoping. Além disso, ficam vetados os aspirantes que alguma vez tiverem tido resultados positivo em exames, mesmo que já tenham cumprido a respectiva punição.

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Faltam 12 dias para a Olimpíada do Rio. Serão 12 dias repletos de atividade nas diversas federações internacionais para avaliar a situação de cada atleta russo. Além disso, o COI se reserva o direito à última palavra, pois também analisará individualmente cada caso e poderá aplicar “um rigoroso programa antidoping” em coordenação com as federações esportivas e a Agência Mundial Antidoping. “Todos os que não se dispuserem a seguir esse programa terão sua credencial para os Jogos retirada”, disse nota do COI, sugerindo um esforço para buscar um equilíbrio entre o direito dos esportistas russos limpos de participarem do maior evento esportivo do mundo e a necessidade de vigiar e punir o sistema de doping sistemático revelado em um relatório do advogado independente canadense Richard McLaren.

A decisão abre as portas para a participação de alguns atletas, como os ginastas. A ginástica russa não aparece entre os mais de 20 esportes citados pela investigação de McLaren. Mas a medida anunciada neste domingo não permite revogar a decisão já tomada pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) de vetar os 68 atletas russos que haviam se qualificado para os Jogos – uma sentença já confirmada pelo Tribunal de Arbitragem Esportiva (TAS).

Para o COI, depois das informações reveladas pelo relatório McLaren, todos os atletas russos podem ter sido afetados por um sistema antidoping “manipulado e subvertido” nesse país. “Sob tais circunstâncias excepcionais, cada um dos atletas russos dos 28 esportes olímpicos têm de assumir as consequências acarretadas pela responsabilidade coletiva, e a presunção de inocência não pode ser aplicada neste caso, para proteger a credibilidade das competições olímpicas”, acrescenta o organismo. Em seguida, em nome da “justiça individual”, a nota informa que todos os atletas russos terão a chance de refutar a aplicação dessa responsabilidade coletiva no seu caso individual.

Yuliya Stepanova, uma das atletas russas que deram origem à investigação sobre o doping em seu país, e a única que pôde participar do último campeonato europeu de atletismo, realizado no mês passado em Amsterdã, tampouco poderá correr no Rio, porque teve um exame positivo em 2013.