A sucessão de David Cameron

Theresa May sucederá Cameron à frente do Governo britânico

Andrea Leadsom renuncia à sua candidatura e May deverá ocupar a residência oficial já na quarta

Theresa May nesta segunda-feira em um ato de campanha em Birmingham.(reuters_live)

Andrea Leadsom anunciou nesta segunda-feira que desistiu de disputar a liderança do Partido Conservador britânico, abrindo caminho para que a ministra do Interior, Theresa May, se torne a nova primeira-ministra britânica. May —que é a primeira mulher a assumir o posto de primeira-ministra do Reino Unido desde  Margaret Thatcher —deverá ocupar a residência oficial da Downing Street, 10, já na quarta-feira, dia 14, segundo anúncio do ainda premiê David Cameron, que anunciou sua renúncia do posto após a aprovação da saída do Reino Unido da União Europeia.

Cameron, que comandará nesta terça a última reunião do seu Gabinete, resolverá as últimas pendências na quarta e em seguida comunicará sua renúncia à rainha Elizabeth II. Na tarde do mesmo dia, a residência oficial já terá uma nova inquilina. “Estou muito satisfeito com o fato de que Theresa May será a próxima primeira-ministra. É forte, competente e é mais do que capaz de desempenhar a liderança da qual o país necessitará nos próximos anos”, observou Cameron, que reiterou seu apoio à atual ministra do Interior.

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May era a grande favorita para a sucessão de David Cameron, tendo obtido o apoio de 199 deputados conservadores, contra os 84 que apoiaram Leadsom. As duas eram as finalistas no processo de sucessão, após a eliminação dos outros três concorrentes em duas votações tories. Em 9 de setembro ocorreria a votação da militância para determinar quem seria a sucessora de David Cameron na liderança do partido e, automaticamente, se transformaria na primeira-ministra do país.

Desde o começo do processo foram muitas as vozes dentro do Partido Conservador que pressionaram Leadsom para que se retirasse para não aumentar a incerteza política, iniciada após a decisão dos britânicos de abandonar a UE em 23 de fevereiro, o que está provocando tensão nos mercados.

Andrea Leadsom anuncia a retirada de sua candidatura, nesta segunda-feira em Londres.
Andrea Leadsom anuncia a retirada de sua candidatura, nesta segunda-feira em Londres.ANDY RAIN / EFE

Andrea Leadsom, de 53 anos e deputada desde 2010, se transformou em uma estrela emergente do conservadorismo britânico após seu forte apoio ao Brexit durante a campanha. Quis lançar uma candidatura à liderança “otimista” com a conexão que fez com os que apoiaram a ruptura com a UE. Ao contrário de Leadsom, Theresa May apoiou a permanência, mas discretamente. Contava com o apoio de Boris Johnson, o popular ex-prefeito de Londres que renunciou à sucessão de Cameron traído por seu ex-aliado Michael Gove.

Theresa May, por sua vez, se apresentou como a candidata da estabilidade, da solidez e da confiabilidade. É a ministra que mais tempo ficou com a pasta do Interior e se manteve sempre à margem das intrigas internas do partido tory.

A candidatura de Leadsom se viu envolvida em polêmicas quando, em uma entrevista com o The Times no sábado, Leadsom insinuou que sua condição de mãe de três filhos a torna mais capacitada do que May, que não tem filhos, para ser a próxima primeira-ministra. “Genuinamente, sinto que ser mãe significa ter um verdadeiro interesse no futuro do país, um interesse palpável”, declarou.

As declarações causaram um autêntico alvoroço político, e a própria Leadsom quis se distanciar do que definiu como “jornalismo marrom”. O jornal publicou nas redes sociais recortes da transcrição da entrevista para confirmar sua literalidade. “Já disse a Theresa o quanto lamento qualquer dano que eu possa ter causado e como o artigo dizia exatamente o contrário do que disse e acredito”, explicou na segunda-feira no Daily Telegraph.

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