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FBI recomenda que não seja apresentada denúncia contra Hillary Clinton no caso dos e-mails

Diretor da agência afirma que a ex-secretária de Estado foi “extremadamente descuidada” ao usar um e-mail pessoal

Hillary Clinton e o diretor do FBI, James Comey.
Hillary Clinton e o diretor do FBI, James Comey.

“Nenhum procurador sensato apresentaria denúncias contra ela”, afirmou Comey após explicar detalhadamente todas as provas encontradas pela agência. “Não há provas que respaldem uma imputação criminal nesse caso”, acrescentou o diretor, que, no entanto, criticou a candidata democrata por usar várias contas, servidores, administradores de e-mail e dispositivos móveis em suas comunicações enquanto dirigia o Departamento de Estado. O diretor da agência ampliou essa acusação à equipe da então secretária, mas suas conclusões já são uma mancha na aposta de Clinton para liderar o país.

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As recomendações do FBI ao Departamento de Justiça –a secretária de Justiça já havia anunciado que aceitaria a decisão da agência– terá um grande impacto na campanha presidencial. O Partido Democrata vai realizar dentro de duas semanas sua convenção nacional na Filadélfia, em que Clinton espera selar definitivamente sua nomeação. Nesta terça-feira, a candidata contará ainda com o apoio do presidente Barack Obama em um evento na Carolina do Norte.

O porta-voz da campanha de Clinton, Brian Fallon, afirmou em comunicado que estão “satisfeitos” porque “esse assunto ficou resolvido”. Fallon acrescentou que a candidata democrata considera que “cometeu um erro ao usar seu e-mail pessoal e que não voltará a fazê-lo”. Enquanto isso, o candidato republicano, Donald Trump, classificou a decisão de “muito injusta”, e o presidente da Câmara dosa Deputados, o também republicano Paul Ryan, declarou que a decisão “desafia qualquer explicação” e que, em referência a Clinton, “nenhum cidadão deveria estar acima da lei”.

O FBI concluiu nos últimos dias uma investigação de mais de um ano, na qual buscou determinar se Clinton havia enviado ou apagado informação sigilosa através dessa conta, que além do mais estava alojada em um servidor privado no sótão de sua casa em Nova York. A candidata, que foi interrogada por agentes do FBI no sábado, defendeu sua inocência ao longo de todo esse período.

A agência considera que “Clinton deveria saber que um sistema de e-mail privado não era o lugar adequado” para abrigar informação governamental. Os investigadores encontraram até 110 mensagens que eram sigilosas no momento em que foram trocadas. Mais de 2.000 e-mails que Clinton entregou ao FBI foram considerados posteriormente sob a categoria “confidencial” –o nível mais baixo de proteção–, e outros 65 como “secretos”.

O FBI revisou mais de 30.000 mensagens de e-mail e os vários servidores que abrigaram essas comunicações. Também entrevistou dezenas de pessoas que colaboraram com Clinton. O FBI descobriu durante esse processo várias cadeias de mensagens a mais que estavam relacionadas com o trabalho da então secretária de Estado e que continham informação sigilosa, mas que não tinham sido entregues por seus advogados. O diretor declarou nesta terça que não há provas de que foram escondidas intencionalmente.

Comey foi especialmente duro ao explicar que a candidata utilizou essa conta ao visitar outros países e que “é possível que atores hostis tenham conseguido acessá-la” quando se encontrava no exterior. O diretor explicou, no entanto, que para poder recomendar a imputação de Clinton o FBI precisaria demonstrar que ela enviou ou eliminou deliberadamente essas mensagens, mas que não há provas disso.

O diretor do FBI reconheceu nesta terça-feira que seu anúncio era “incomum”, mas que queria comunicar suas recomendações “pelo interesse público” do caso, cuja importância “requer uma maior transparência”. Dias depois de a independência da investigação ter sido questionada devido ao encontro da secretária de Justiça, Loretta Lynch, com o ex-presidente e marido da candidata, Bill Clinton, Comey começou sua declaração afirmando que não estava “coordenado” com nenhuma outra agência governamental e que mais ninguém sabia quais eram suas conclusões.