Clinton violou as normas ao usar um e-mail privado no Departamento de Estado

Candidata democrata ignorou as medidas de segurança ao não utilizar a conta oficial

A candidata democrata Hillary Clinton em Los Angeles.
A candidata democrata Hillary Clinton em Los Angeles.ROBYN BECK (AFP)

A campanha de Clinton respondeu em um comunicado que essa prática “não era exclusiva” da ex-secretária e reconheceu que as conclusões da auditoria podem alimentar novos ataques por parte de seus rivais na campanha Bernie Sanders, com quem disputa a nomeação democrata, e o republicano Donald Trump. A auditoria realizada pelos auditores do Departamento de Estado seguiu em paralelo à aberta pelo FBI, que pode se estender por mais algum tempo.

As duas investigações centram-se em dois aspectos: o uso de uma conta de e-mail pessoal por parte da ex-secretária de Estado e o fato de que essas mensagens estavam alojadas em um servidor no porão de sua casa em Nova York. Se Clinton enviou e recebeu mensagens de teor secreto, pode ter colocado em risco a segurança da informação por não estarem dentro e, portanto, protegidas nas instalações do Departamento.

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O relatório afirma que Clinton utilizou uma conta pessoal como alguns de seus predecessores, mas nunca pediu permissão legal para fazê-lo aos funcionários do Departamento de Estado. Os auditores defendem que nunca teria sido autorizada “pelo risco de segurança” que esse tipo de prática acarreta e que “não é o método adequado” de comunicação.

“Quando Clinton iniciou seu mandato, as indicações do Departamento já eram consideravelmente mais detalhadas e sofisticadas”, diz o relatório, que pede para que as práticas da ex-secretária de Estado em matéria de segurança cibernética sejam avaliadas de acordo com as medidas mais atuais, não pelas de seus predecessores. Clinton liderou a diplomacia norte-americana de janeiro de 2009 até dezembro de 2013.

Os auditores reconhecem que a instituição sofreu “problemas sistemáticos” ao longo de sua história que colocaram as comunicações em risco. Seu relatório conta com declarações de seus predecessores Madeleine Albright, Colin Powell e Condoleezza Rize, assim como de seu sucessor, John Kerry. Tanto Clinton como seus assessores mais próximos se recusaram a conceder as entrevistas solicitadas pelo inspetor do Departamento de Estado encarregado da auditoria.

A ex-secretária reconheceu em várias ocasiões que instalar um servidor de e-mail em sua própria casa foi um erro, mas sempre defendeu que não enviou informação secreta. Em 2014 Clinton entregou às autoridades 30.000 mensagens que estão sendo estudadas. 2.000 dessas comunicações foram consideradas como “informação secreta” posteriormente. Apesar de sua colaboração com as autoridades — espera-se que seja entrevistada nas próximas semanas — Clinton admite ter eliminado outras 32.000 mensagens que considerou “pessoais”, levantando novas suspeitas sobre a legalidade dessas práticas quando estava à frente do Departamento de Estado.

Segundo os auditores, Clinton deveria ter protegido o conteúdo dessas mensagens imprimindo uma cópia de todas elas e entregando-as depois ao Departamento quando abandonou o cargo no final de 2013. A ex-secretária cedeu seus arquivos mais de um ano depois, quando foi descoberto que ela utilizava uma conta pessoal de e-mail. A candidata ainda deverá enfrentar as conclusões da investigação do FBI e várias ações judiciais que pedem a publicação de suas comunicações de acordo com a Lei de Liberdade de Informação.

Novos ataques

As conclusões da auditoria ameaçam se transformar em uma nova dor de cabeça para a candidata democrata, que já recebeu diversos ataques do candidato republicano, Donald Trump. Clinton espera consolidar sua nomeação nas próximas semanas e, enquanto seu concorrente direto, Bernie Sanders, se recusou desde o começo a utilizar essa investigação como argumento contra ela, Trump foi muito mais longe e afirma que “ela não deveria poder se apresentar como candidata à presidência”.

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