Argentina

Um promotor pediu para investigar Cristina Kirchner e seu filho por enriquecimento ilícito

A Justiça argentina avança sobre os negócios imobiliários da ex-presidenta e sua família em El Calafate

Cristina Fernández Kirchner, na frente de seus filhos, Máximo e Florencia.
Cristina Fernández Kirchner, na frente de seus filhos, Máximo e Florencia.

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Como uma mancha de óleo, a Justiça argentina avança sobre a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner. O promotor federal Carlos Rívolo pediu que ela seja investigada junto com seu filho Máximo por alegados delitos de enriquecimento ilícito e falsificação de documentos públicos. Esta foi a segunda imputação contra Cristina Kirchner, envolvida por uma testemunha protegida em supostas manobras de lavagem de dinheiro em um processo contra o empresário Lázaro Báez, um amigo de Néstor Kirchner (2003-2007) acusado de lavagem de dinheiro proveniente de concessões fraudulentas de obras públicas na província de Santa Cruz.

Rívolo pediu agora ao juiz Claudio Bonadío que investigue Cristina Kirchner, Máximo Kirchner e Báez por supostas irregularidades na empresa hoteleira Los Sauces, um dos dois hotéis de luxo que a família Kirchner possui em El Calafate, uma cidade turística localizada a uma hora de ônibus do glaciar Perito Moreno, na Patagônia. O promotor respondeu a um pedido da deputada Margarita Stolbizer (GEN).

“A suspeita recai sobre a manipulação e possível adulteração de documentos públicos relacionados com a empresa Los Sauces SA de propriedade da Sra. Cristina Fernández de Kirchner e seus filhos Máximo Kirchner e Florencia Kirchner. E que também modificam o conteúdo das declarações juradas apresentadas oportunamente à autoridade competente”, sustenta a denúncia apresentada por Stolbizer no início de abril.

Stolbizer sustentou que durante anos Los Sauces alugou seus serviços às empresas Valle Mitre, Loscalzo y del Curto e Kank y Costilla, de Báez, hoje preso em Buenos Aires. A novidade foi que a denúncia também envolveu as empresas Inversora M&S e Alcallis de la Patagonia, do empresário Cristóbal López, dono da petroleira Oil Combustibles, cassinos e uma rede de comunicação alinhada com o kirchnerismo.

As operações com Los Sauces seriam semelhantes à usada por Hotesur, a empresa administradora de Alto Calafate, outra propriedade dos Kirchner gestão: Báez, e também López, reservavam de forma falsa dezenas de quartos durante a temporada de inverno, a temporada mais fraca, para lavar dinheiro de outros negócios.

“Em Hotesur o retorno de favores era feito através do aluguel de quartos. Com Los Sauces, o reembolso de favores era feito através do aluguel de imóveis às empresas de Lázaro Báez e Cristóbal López”, disse Stolbizer ao fazer a denúncia. De acordo com a deputada, no momento das manobras, Los Sauces era dona de oito propriedades: dois apartamentos no exclusivo bairro de Puerto Madero em Buenos Aires, dois lotes em El Calafate, dois lotes e uma casa na cidade de Río Gallegos e um lote em El Chaltén.

Durante o kirchnerismo a causa Hotesur ficou a cargo do juiz Bonadío, deslocado após a inspeção do hotel Alto Calafate. Com a chegada do presidente Mauricio Macri ao poder, as investigações foram retomadas, tanto que Báez terminou preso e Cristina Kirchner teve mais duas imputações, além de estar na mira por supostas irregularidades em uma operação de venda de dólar futuro ordenada pelo Banco Central.