'Panama Papers'

Ministro da Indústria espanhol renuncia pelos ‘Panama Papers’

Partido governante justifica a saída com base nos erros cometidos ao explicar o caso

José Manuel Soria, nesta quarta-feira no Congresso. Jaime Villanueva / EL PAÍS

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O ministro da Indústria, Energia e Turismo da Espanha, José Manuel Soria, renunciou nesta sexta-feira ao cargo que vinha ocupando interinamente, e anunciou seu abandono total da vida política. Sua saída da equipe do primeiro-ministro Mariano Rajoy ocorre depois de ter sido revelada sua relação com os chamados Panamá Papers e sua participação em empresas familiares sediadas em paraísos fiscais. Soria conversou várias vezes com Rajoy na quinta-feira, pediu-lhe autorização para não comparecer à reunião do Conselho de Ministros desta sexta-feira e nesta manhã, bem cedo, comunicou-lhe a renúncia “devido aos erros cometidos nos últimos dias” no que se refere às explicações que deu sobre uma atividade privada que considera antiga e sobre a qual admite que lhe falta informação mais precisa. Rajoy aceitou o desligamento de um integrante de sua equipe com o qual tinha mais proximidade e para o qual tinha planos para o futuro.

Rajoy e Soria tiveram várias conversas sobre a situação do ministro e de suas empresas ao longo de toda a semana. O ex-ministro confirmou a atividade privada e garantiu ao presidente que não havia cometido nenhuma ilegalidade. Rajoy acreditou nele. A situação se complicou quando Soria começou a ter dificuldade para explicar com dados a sua participação em algumas empresas familiares e em especial em uma companhia com seu irmão no paraíso fiscal de Jersey. Soria não deu essa informação a Rajoy, que soube de tudo pela imprensa. À preocupação do primeiro-ministro se somou, então, a desconfiança, sobretudo em relação ao círculo que se reúne ao seu redor no palácio de La Moncloa (sede do governo).

O agora ex-ministro avalia que essa atuação causou um “nítido estrago” para “o Governo da Espanha, para o Partido Popular”, para seus companheiros de militância e para os eleitores, “em um momento político particularmente grave” devido às dificuldades que marcam as negociações para a formação de um novo Governo desde as eleições de 20 de dezembro passado. O político canário aproveitou a conversa da manhã desta sexta também para, além de comunicar a Rajoy sua renúncia irrevogável do cargo, anunciar sua decisão de deixar de ser deputado e presidente do Partido Popular das Canárias, sua região, que agora ficará sem direção à espera dos congressos regionais previstos para depois do nacional e quando houver um governo formado.

A renúncia forçada de José Manuel Soria agrava a crise política do governo interino de Mariano Rajoy em um momento crucial, em que os principais dirigentes políticos do país não conseguem chegar a um consenso e formar um novo Governo. Até mesmo a vice-primeira-ministra, Soraya Sáenz de Santamaria, admitiu nesta sexta-feira que não faz sentido Rajoy chamar o líder socialista Pedro Sánchez nas atuais circunstâncias, quando o dirigente do PSOE anuncia diariamente que não aceitará negociar nenhum pacto com aquilo que ele chama de “Governo da vergonha”. A saída de Soria, com um Governo interino e uma situação política travada há três meses e meio, é a quinta a ocorrer de um ministro do Gabinete de Rajoy ao longo de seu mandato e a segundo decorrente de uma questão polêmica e envolvendo irregularidades.

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