Atentado em Bruxelas

Suicida do metrô de Bruxelas era procurado por envolvimento em massacre de Paris

Khalid El Bakraoui teria alugado um quarto para os autores dos atentados de Paris, segundo a promotoria belga

Memorial para as vítimas dos atentados de Bruxelas na Praça da Bolsa.
Memorial para as vítimas dos atentados de Bruxelas na Praça da Bolsa.Adam Berry (Getty Images)

Aumenta a pressão sobre a Bélgica, tanto do lado político— com um início de crise no Governo — quanto da polícia. Khalid El Bakraoui, o terrorista suicida que detonou explosivos na estação de metrô de Maelbeek, segundo os promotores, já era procurado por seu envolvimento nos atentados em Paris. El Bakraoui era suspeito de ter alugado, usando um documento de identidade falso belga em nome de Ibrahim Maarouifi, um quarto na cidade de Charleroi, na Bélgica, que teria servido como esconderijo para o grupo terrorista envolvido no massacre de 13 de novembro na capital francesa, segundo informou nesta quinta-feira a promotoria belga em um comunicado. Nascido em Bruxelas, El Bakraoui tinha 27 anos e teria cometido o atentado no metrô, próximo às instituições europeias, juntamente com outro terrorista, de acordo com notícias publicadas pela imprensa belga, ainda não confirmadas pela polícia.

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O caso é complexo. A ordem internacional e o mandado de prisão europeu contra El Bakraoui foi emitido em 11 de dezembro, a pedido do juiz que conduz o processo dos atentados em Paris, que tiraram a vida de 130 pessoas. Até quinta-feira, as autoridades belgas tinham relatado que tanto Khalid El Bakraoui quanto seu irmão Ibrahim — que se suicidou detonando explosivos no aeroporto de Zaventem e que também está dando dores de cabeça para a Bélgica, após a acusação da Turquia que alega tê-lo deportado para a Holanda depois de barrá-lo na fronteira com a Síria — não estavam sendo investigados por vínculos com o jihadismo radical. Esta foi a declaração do promotor belga Frédéric van Leeuw à imprensa na quarta-feira.

Segundo a reconstrução dos ataques de terça-feira em Bruxelas, Khalid Bakraou morreu na explosão que supostamente ele mesmo teria provocado no segundo vagão da linha 1 do metrô, quando passava pela estação Maelbeek, muito próxima das instituições europeias. Em 2011, Khalid foi condenado a cinco anos de prisão por assaltos. Seu irmão Ibrahim, sobre o qual há um perfil mais claro, também tinha sido condenado, em 2010, a nove anos de prisão, aparentemente por assalto. Estava em liberdade condicional, mas havia deixado a Síria e teria sido deportado à União Europeia pelas autoridades turcas, segundo informa o jornal Le Soir.

Dois oficiais do Governo turco afirmaram que Ibrahim El Bakraoui teria sido deportado duas vezes pela Turquia no ano passado, em 14 de julho e 25 de agosto, e que as autoridades turcas alertaram seus colegas europeus sobre as suspeitas de que ele estaria envolvido em atividades do Estado Islâmico (EI), segundo a Reuters. A informação sobre a deportação de julho foi antecipada na quarta-feira pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmando que seu país havia alertado a Bélgica sobre a radicalização de Ibrahim e que o Governo belga teria ignorado os avisos. A informação foi parcialmente desmentida pela Bélgica.

Os irmãos El Bakraoui, Khalid e Ibrahim (à direita). O primeiro detonou um explosivo na estação de metrô de Maelbeek, e o segundo morreu em um ataque suicida no aeroporto da capital belga.
Os irmãos El Bakraoui, Khalid e Ibrahim (à direita). O primeiro detonou um explosivo na estação de metrô de Maelbeek, e o segundo morreu em um ataque suicida no aeroporto da capital belga.

A primeira expulsão, a de julho, foi uma "deportação administrativa", afirmam autoridades turcas, baseada nas suspeitas da polícia de que El Bakraoui era um militante estrangeiro, mas que não havia cometido nenhum crime na Turquia. "A polícia o vigiava e concluiu que ele devia ser um militante estrangeiro" de grupos jihadistas, disse um dos oficiais, que não quis se identificar. El Bakraoui foi preso na cidade de Gaziantep, no sudeste da Turquia. Voltou à Turquia pela segunda vez, em 11 de agosto de 2015, pelo aeroporto de Antalya, na costa mediterrânea, e deportado novamente duas semanas mais tarde, no dia 25 de agosto, embora o oficial turco não tenha especificado para qual país foi enviado naquela ocasião.

O jornal turco pró-governo Yeni Safak afirmou que a prisão de El Bakraoui ocorreu depois da descoberta de que ele planejava viajar para áreas de conflito na Síria. O jornal também disse que seu irmão, Khalid, havia entrado na Turquia em 4 de novembro de 2014, pelo aeroporto de Ataturk, e foi monitorado pelas forças de segurança até deixar o país 10 dias depois. Isso aconteceu mais de um ano antes de a Bélgica emitir uma ordem de prisão, de acordo com o jornal. Autoridades turcas não confirmaram se Khalid havia estado na Turquia.