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Obama afirma estar confiante de que o Brasil sairá da crise

Em visita à Argentina, presidente dos EUA diz que país possui democracia madura e que voltará a ser um líder mundial significativo

Coletiva de imprensa de Barack Obama e Mauricio Macri
Coletiva de imprensa de Barack Obama e Mauricio MacriAFP

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quarta-feira durante sua visita à Argentina que precisamos de um “Brasil forte e eficaz”, ao ser consultado em Buenos Aires por sua opinião sobre os acontecimentos atuais no país, informou a agência EFE. “Esperamos que resolva sua crise política de uma forma eficaz. É um grande país. É amigo dos dois países”, disse Obama, referindo-se à Argentina, onde realizou uma reunião com Mauricio Macri na sede do governo em Buenos Aires.

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“A democracia do Brasil é madura o suficiente, seu sistema jurídico e suas estruturas são fortes o suficiente”, destacou o governante norte-americano. Essas características, acrescentou, vão permitir que a crise interna no Brasil “seja resolvida de uma forma que vai permitir ao país voltar a ser um líder mundial significativo”. Enquanto isso, Macri assegurou que os dois mandatários seguem o tema “de perto” e que estão convencidos de que o Brasil vai sair desse processo “reforçado”.

Barack Obama quer terminar sua presidência com uma mudança radical da imagem dos Estados Unidos na América Latina. Em Buenos Aires, justo quando se completam 40 anos de uma terrível ditadura que contou com o respaldo inicial dos EUA, Obama pediu o rompimento com a "desconfiança" que esse passado provocou e ainda afirmou que nos anos setenta seu país "aprendeu a lição" de que deveria pôr os direitos humanos como prioridade na política externa.

Obama chegou a Buenos Aires depois de uma viagem a Cuba que ele mesmo definiu como "histórica". E desde o primeiro momento quis fazer história também na Argentina, onde sua visita é polêmica porque ocorre no momento do 40º aniversário da ditadura. Como aceno para esse mundo dos direitos humanos na Argentina, que tanto o critica, Obama recordou que decidiu abrir os arquivos militares dessa época 10 anos antes de completados os 50 anos determinados por lei e pediu o rompimento da tradicional "desconfiança" da esquerda latino-americana em relação aos Estados Unidos.

Sem fazer uma crítica cabal do papel dos EUA nas ditaduras latino-americanas nem muito menos citar nomes como o de Henry Kissinger, o polêmico ex-secretário de Estado, Obama quis de fato enviar uma clara mensagem às vítimas e a toda a América Latina para que entendam que os EUA já não são o mesmo país que invadiam o continente ou influíam nos golpes de Estado por meio da CIA. Chegou até a dizer que a Argentina serviu preciosamente "como experiência" para mudar essa política de apoio às ditaduras.

Como gesto de mudança, prometeu a desclassificação de documentos militares e de inteligência sobre essa época sombria e, além disso, fez um reconhecimento às vítimas da ditadura.

"Passei muito tempo estudando a história da política externa dos EUA", explicou Obama quando lhe perguntaram se os EUA fariam autocrítica de seu papel nas ditaduras. "Há momentos de grande glória e outros que foram contrários ao que acredito a América deva representar. Todo mundo conhece a história. Nos anos 70 houve um crescimento, os direitos humanos se tornaram tão importantes como lutar contra o comunismo", disse, em referência à guinada iniciada com Jimmy Carter, que foi crítico de ditaduras como a Argentina e enviou sua secretária de Estado Patricia Derian a Buenos Aires, onde manteve uma duríssima discussão com o general Emilio Massera na ESMA, ao lado de onde se torturava os que depois seriam desaparecidos.

"Uma das grandezas da América é que fazemos muita autocrítica. Não há escassez alguma de autocrítica por parte dos EUA ou de seu presidente", insistiu Obama para distanciar-se do passado obscuro de seu país na América Latina.

Obama ressaltou a todo o momento que faz muitos anos que os EUA modificaram seu foco em política externa, para defender os direitos humanos. "Vamos falar claramente. Empreendi uma viagem histórica a Havana. Penso que a democracia é melhor que uma ditadura. Acredito na liberdade de expressão, de reunião, em que as pessoas não devam ser arbitrariamente detidas. E digo o mesmo quando estou na China ou na Rússia ou com algum de nossos aliados, em formas que são às vezes bastante incômodas", enfatizou, para desvincular-se desse passado.

Ao lado de Obama, um exultante Mauricio Macri, a quem esta visita consagra como líder regional, agradeceu pelo gesto de abertura dos arquivos: "Todos precisamos, temos o direito de saber a verdade", afirmou Macri, que se congratulou com Obama pela decisão de lançar luz a uma das páginas mais negras da história argentina. Ele também pediu um olhar para o futuro e o rompimento com essa desconfiança.

Obama também reconheceu "a coragem e o heroísmo das pessoas que se opuseram às violações de direitos humanos", em uma clara alusão às organizações de direitos humanos, que veem com receio sua presença no país nesta data delicada. Obama e Macri prestarão juntos na quinta-feira uma homenagem às vítimas da ditadura, um novo gesto do que se tornou um elemento central desta visita, a primeira de um presidente dos EUA à Argentina em 20 anos.

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