Bolívia

Evo Morales é implicado em um escândalo por tráfico de influência

Presidente teve um filho em 2007 com a gerente comercial da empresa CAMC, fornecedora do Estado

Evo Morales no dia 2 de fevereiro.
Evo Morales no dia 2 de fevereiro.

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Um escândalo com jeito de novela explodiu na Bolívia. Carlos Valverde, apresentador de um programa de televisão, mostrou diante das câmeras uma certidão de nascimento de um filho do presidente Evo Morales com Gabriela Zapata em 2007. A mãe da criança é gerente comercial da empresa chinesa CAMC Engineering, a principal fornecedora do Estado, com contratos ao redor de 500 milhões de dólares (1,95 milhão de reais).

Morales teve de convocar uma coletiva de imprensa na qual admitiu ter mantido um relacionamento com Zapata, do qual nasceu um filho que depois morreu. Negou que tivesse havido tráfico de influência em favor da CAMC e garantiu ter deixado de sair com ela imediatamente depois da tragédia. A maior parte dos contratos da empresa chinesa foi assinada entes de 2013, data em que Zapata se tornou gerente da empresa.

Depois das declarações do presidente, nas redes sociais foram publicadas várias fotos de Morales posando afetuosamente com Zapata, tiradas depois de 2007 e de 2013, ou seja, imagens que sugerem que o casal manteve o relacionamento depois da morte do filho e da contratação dela como gerente da CAMC.

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, atribuiu o escândalo à ingerência dos Estados Unidos na campanha pelo referendo de 21 de fevereiro, no qual se votará uma reforma da Constituição que habilitaria Morales a ser candidato à presidência em 2019, pela quarta vez consecutiva. Tanto os que defendem o “não” como os que optam pelo “sim” à reforma trabalham intensamente por sua causa.

Gabriela Zapata é uma empresária de 28 anos e o presidente tem o dobro da idade dela. Em sua conta no Facebook, ela escreveu que admira Morales desde os 18 anos, por considerá-lo o maior líder que a Bolívia já teve. Além de seu cargo na CAMC, é proprietária de algumas empresas. A oposição alertou que investigará a relação desses empreendimentos com o Estado. Tão logo a questão irrompeu, Zapata convocou os jornalistas, mas depois não se atreveu a comparecer diante deles.

O sucesso da CAMC nas contratações das empresas púbicas vem sendo denunciado há anos, por seu caráter incomum. A empresa constrói estradas, ferrovias e prédios industriais, o que os críticos consideram um leque muito grande de habilidades para uma única firma, que não costuma pronunciar-se sobre seus negócios na Bolívia. Uma lei aprovada por Morales autoriza as empresas públicas a efetuar compras de qualquer montante sem licitação pública, com o propósito de liberá-las da burocrática lei de contratações do Estado.