_
_
_
_

Hollande e Castro dão novo passo nas relações bilaterais

Presidente cubano faz sua primeira visita oficial a um grande país europeu

Gabriela Cañas
Raul Castro e François Hollande, em maio em Havana.
Raul Castro e François Hollande, em maio em Havana.YAMIL LAGE (AFP/Getty Images)

O presidente de Cuba, Raúl Castro, já está em Paris. Chegou no sábado à capital francesa, em estadia particular, e nesta segunda-feira começa uma visita oficial considerada histórica pelas duas partes. É a primeira vez em 21 anos que a França recebe um presidente cubano. Atualmente, com os embargos comerciais caindo um por um, Castro e o presidente da França, François Hollande, mostram sua determinação de aproveitar as vantagens trazidas aos dois países pela abertura econômica da ilha. O perdão parcial da dívida cubana por parte da França, sua principal credora, acelera o processo.

Raúl Castro retribui esta semana a visita ao socialista François Hollande, que foi o primeiro mandatário ocidental a ir a Havana, em maio de 2015, depois do acordo de normalização de relações assinado com os Estados Unidos. “O embargo e o isolamento de Havana não deram resultado”, é a explicação do Eliseu, sede da Presidência da França. “As trocas bilaterais oferecem uma oportunidade.” O Governo francês privilegia sua relação com Cuba porque valoriza também sua enorme influência no resto da América Latina.

Em maio, Hollande e Castro combinaram renegociar a dívida do país caribenho. A partir de então, a França lutou no seio do Clube de Paris (que agrupa 16 países ricos credores de dívida oficial, não privada) para conseguir isso, e o acordo foi assinado em meados de dezembro.

A dívida de Havana com o Clube chega a quase 48 bilhões de reais, dos quais cerca de 18 bilhões de reais correspondem à França. Pelo acordo, são cancelados perto de 35 bilhões de reais em juros vencidos (Cuba deixou de pagar em 1986), e Havana se compromete a pagar o principal (perto de 11 bilhões de reais) em 18 anos. Parte da dívida pendente com a França (1,5 bilhão de reais) será empregada em programas conjuntos de desenvolvimento na ilha. Paris está acelerando a operacionalização em Cuba da Agência Francesa de Desenvolvimento para poder implantá-los.

Mais informações
Estados Unidos e Cuba, um degelo incompleto
Raúl Castro chega ao México para agilizar a relação política e comercial
Raúl Castro pede na ONU o fim incondicional do embargo
Raúl Castro volta aos Estados Unidos mais de meio século depois

Independentemente do acordo com o Clube de Paris, no início de novembro a Espanha também renegociou a dívida de Cuba (quase 820 milhões de reais), perdoando a totalidade dos juros e parte do principal. Havana pagará em 10 anos o que restou.

Esses acordos permitem o retorno à ilha dos operadores estrangeiros, embora muitos não a tenham deixado. A presença do capital francês em Cuba não tem o mesmo nível do espanhol, mas o estreitamento das relações bilaterais e o vigor das empresas gálicas podem multiplicar de forma notável as trocas comerciais. Paris tem como exemplo de boa cooperação a já veterana associação da Pernod-Ricard com o rum Havana Club.

Entre as maiores firmas francesas que atuam na ilha estão também Accor, Bouygues, Total, Alstom, Air France e Alcatel-Lucent. Essa última instalou o cabo submarino de fibra ótica que une Venezuela e Cuba. Além disso tudo, ambos países colaboram em pesquisa médica (o ebola, basicamente), e a França tem na ilha duas unidades da Aliança Francesa: uma em Havana e outra em Santiago.

Para Cuba, não há dúvida de que a visita tenha particular importância em relação a sua volta ao cenário internacional. Havana acredita que a visita permitirá a Cuba “ampliar e diversificar suas relações com a França em todas as áreas possíveis: política, economia, comércio, finanças, investimento, cultura e cooperação”, afirmou na semana passada aos meios de comunicação o vice-ministro de Assuntos Exteriores cubano, Rogelio Sierra.

É a primeira visita de Estado de Castro à Europa, caso se exclua sua viagem ao Vaticano, desde que sucedeu a seu irmão Fidel na liderança cubana, em 2006. Fidel Castro visitou a França em 1995, reunindo-se com o então presidente François Mitterrand.

Hollande receberá Raúl Castro nesta segunda-feira sob o Arco de Triunfo, na ponta da Champs-Elysées, já cobertos por bandeiras cubanas.

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo

¿Quieres añadir otro usuario a tu suscripción?

Si continúas leyendo en este dispositivo, no se podrá leer en el otro.

¿Por qué estás viendo esto?

Flecha

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo y solo puedes acceder a EL PAÍS desde un dispositivo a la vez.

Si quieres compartir tu cuenta, cambia tu suscripción a la modalidad Premium, así podrás añadir otro usuario. Cada uno accederá con su propia cuenta de email, lo que os permitirá personalizar vuestra experiencia en EL PAÍS.

En el caso de no saber quién está usando tu cuenta, te recomendamos cambiar tu contraseña aquí.

Si decides continuar compartiendo tu cuenta, este mensaje se mostrará en tu dispositivo y en el de la otra persona que está usando tu cuenta de forma indefinida, afectando a tu experiencia de lectura. Puedes consultar aquí los términos y condiciones de la suscripción digital.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_