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São realmente bons os 20 álbuns mais vendidos da história?

São realmente obras-primas? Algum tem que ser jogado imediatamente no lixo? Cinco críticos musicais escutaram os discos e deram sua sentença

  • Com pequenas diferenças, há unanimidade sobre quais são os álbuns mais vendidos da história. Fizemos uma lista que cruza os dados oferecidos por diferentes fontes. Excluímos trilhas sonoras (por serem obras pouco uniformes, das quais participam vários artistas) e os discos de compilações (por apostar em obras que refletiram uma época). Dentro do primeiro grupo, estariam entre os 20 mais vendidos as trilhas sonoras de O Guarda-Costas, Embalos de Sábado à Noite e Dirty Dancing. E nas compilações entrariam Their Greatest Hits (1971-75), dos Eagles, e One, dos Beatles. O que fizemos com a lista restante foi pedir a cinco críticos musicais que escutassem os discos para ver como eles resistiram ao tempo. São realmente obras-primas? Algum tem que ser jogado imediatamente no lixo?rnrnNossa lista começa com o 20.º e termina com o 1.º mais vendido
    1Com pequenas diferenças, há unanimidade sobre quais são os álbuns mais vendidos da história. Fizemos uma lista que cruza os dados oferecidos por diferentes fontes. Excluímos trilhas sonoras (por serem obras pouco uniformes, das quais participam vários artistas) e os discos de compilações (por apostar em obras que refletiram uma época). Dentro do primeiro grupo, estariam entre os 20 mais vendidos as trilhas sonoras de O Guarda-Costas, Embalos de Sábado à Noite e Dirty Dancing. E nas compilações entrariam Their Greatest Hits (1971-75), dos Eagles, e One, dos Beatles. O que fizemos com a lista restante foi pedir a cinco críticos musicais que escutassem os discos para ver como eles resistiram ao tempo. São realmente obras-primas? Algum tem que ser jogado imediatamente no lixo? Nossa lista começa com o 20.º e termina com o 1.º mais vendido
  • Colocar um disco de heavy metal na lista dos 20 mais vendidos da história é um grande mérito para seus autores. O chamado Álbum Preto (por causa da sua capa totalmente obscura) foi editado um mês antes que o Nevermind, do Nirvana. Este disco tem ainda mais valor por conseguir tantas vendas sem soar como a moda grunge. Tudo de comercial que um álbum de heavy metal pode ter está aqui: um som muito polido, graças ao trabalho de Bob Rock na produção, canções com refrões, e até mesmo sua baladinha (Nothing Else Matters, o Still Loving You do Metallica). É o Metallica domesticado, longe dos intuitivos e selvagens (e criativamente melhores) primeiros discos. É um grupo mais cerebral que passional, atitude que ainda não deixaram para trás. Texto: CARLOS MARCOS  Pontuação: 3 de 5.  Número de exemplares vendidos: 30 milhões.
    220. Metallica, 'Metallica' (1991) Colocar um disco de heavy metal na lista dos 20 mais vendidos da história é um grande mérito para seus autores. O chamado Álbum Preto (por causa da sua capa totalmente obscura) foi editado um mês antes que o Nevermind, do Nirvana. Este disco tem ainda mais valor por conseguir tantas vendas sem soar como a moda grunge. Tudo de comercial que um álbum de heavy metal pode ter está aqui: um som muito polido, graças ao trabalho de Bob Rock na produção, canções com refrões, e até mesmo sua baladinha (Nothing Else Matters, o Still Loving You do Metallica). É o Metallica domesticado, longe dos intuitivos e selvagens (e criativamente melhores) primeiros discos. É um grupo mais cerebral que passional, atitude que ainda não deixaram para trás. Texto: CARLOS MARCOS Pontuação: 3 de 5. Número de exemplares vendidos: 30 milhões.
  • Para alguns seguidores do que é autêntico, o Dire Straits acabou quando o irmão de Mark Knopfler, o guitarrista David, deixou a banda porque não aguentava o pequeno ditador que Mark levava dentro de si. É sabido: “Aqui se faz o que eu digo, porque, para isso, sou o melhor”. Ou seja, esse grupo de fãs duros se agarram aos dois primeiros discos do grupo, de 1978 e 1979. Longe deles, está Brothers in Arms, de 1985, com o qual fizeram dançar príncipes e princesas. Literalmente: na turnê posterior à edição do disco, os adolescentes Felipe, Elena e Cristina (como mudamos) assistiram ao grupo em Madri. Por isso, a organização justificou que o show começasse antes, com meio estádio no lado de fora. Ah, os privilégios. A banda de Mark arrastava multidões, mas já não mordia mais. Money for Nothing, a principal música, é um rock inofensivo. É a melhor parte. A região central do álbum traz quatro canções próprias de um consultório de dentistas, anestesiantes, com o saxofone de Michael Brecker no dia em que ele quis soar como Kenny G. O desafio está em se manter acordado. Texto: CARLOS MARCOS.rnrnPontuação: 2 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 30 milhões.
    319. Dire Straits, 'Brothers in arms' (1985) Para alguns seguidores do que é autêntico, o Dire Straits acabou quando o irmão de Mark Knopfler, o guitarrista David, deixou a banda porque não aguentava o pequeno ditador que Mark levava dentro de si. É sabido: “Aqui se faz o que eu digo, porque, para isso, sou o melhor”. Ou seja, esse grupo de fãs duros se agarram aos dois primeiros discos do grupo, de 1978 e 1979. Longe deles, está Brothers in Arms, de 1985, com o qual fizeram dançar príncipes e princesas. Literalmente: na turnê posterior à edição do disco, os adolescentes Felipe, Elena e Cristina (como mudamos) assistiram ao grupo em Madri. Por isso, a organização justificou que o show começasse antes, com meio estádio no lado de fora. Ah, os privilégios. A banda de Mark arrastava multidões, mas já não mordia mais. Money for Nothing, a principal música, é um rock inofensivo. É a melhor parte. A região central do álbum traz quatro canções próprias de um consultório de dentistas, anestesiantes, com o saxofone de Michael Brecker no dia em que ele quis soar como Kenny G. O desafio está em se manter acordado. Texto: CARLOS MARCOS. Pontuação: 2 de 5. Número de exemplares vendidos: 30 milhões.
  • Com o heavy metal de peruca zumbindo de um lado, e os novos românticos conseguindo fazer os homens usarem os lápis de olho de suas namoradas do outro, em meados dos anos oitenta Bruce Springsteen queria continuar fazendo rock and roll. Missão ingrata. Na verdade, Born in USA não é um álbum de rock and roll clássico. E nem sequer está entre os seus cinco melhores discos. Mas tem outros méritos, como conseguir que o rock fosse tocado nas discotecas (com Dancing in the Dark); compor um dos grandes hinos do rock, ao qual se juntaram, felizmente, tanto patriotas quanto críticos, sem saber muito bem do que se falava esse Born in USA. Mas, principalmente, este álbum conseguiu converter seu autor em alguém que certamente enche estádios em qualquer lugar do mundo. E ainda é assim. Nos shows de Springsteen, avista-se sua figura à distância, sim, mas se pode sentir seu suor. Texto: CARLOS MARCOSrnrnPontuação: 4 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 30 milhões.
    418. Bruce Springsteen, 'Born in USA' (1984) Com o heavy metal de peruca zumbindo de um lado, e os novos românticos conseguindo fazer os homens usarem os lápis de olho de suas namoradas do outro, em meados dos anos oitenta Bruce Springsteen queria continuar fazendo rock and roll. Missão ingrata. Na verdade, Born in USA não é um álbum de rock and roll clássico. E nem sequer está entre os seus cinco melhores discos. Mas tem outros méritos, como conseguir que o rock fosse tocado nas discotecas (com Dancing in the Dark); compor um dos grandes hinos do rock, ao qual se juntaram, felizmente, tanto patriotas quanto críticos, sem saber muito bem do que se falava esse Born in USA. Mas, principalmente, este álbum conseguiu converter seu autor em alguém que certamente enche estádios em qualquer lugar do mundo. E ainda é assim. Nos shows de Springsteen, avista-se sua figura à distância, sim, mas se pode sentir seu suor. Texto: CARLOS MARCOS Pontuação: 4 de 5. Número de exemplares vendidos: 30 milhões.
  • A prova definitiva de que é possível fazer um trabalho em equipe e produzir uma obra-prima ao mesmo tempo em que você morre de vontade de estrangular cada um dos membros dessa equipe. Paul e John não se falavam, George odiava os dois e Ringo...bom, Ringo estava em sua nuvem. Assim estavam os Beatles em 1969. Na verdade, este é o último álbum gravado pelo quarteto, embora Let it Be tenha sido lançado depois, mas havia sido gravado antes. O álbum tem músicas soberbas, embora desarticuladas. O caso mais claro: as duas peças assinadas e cantadas por George Harrison, eternamente marginalizado por Paul e John. Something e Here Comes the Sun revelam um compositor brilhante, que em pouco tempo saiu-se com o melhor disco solo de um beatle, All Things Must Pass. Na reta final, e em um ambiente nublado, a melhor banda da história (é impossível fazer mais em menos tempo) tirou da manga um álbum sublime. Texto: CARLOS MARCOS.rnrnPontuação: 5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 30 milhões
    517. Beatles, 'Abbey road' (1969) A prova definitiva de que é possível fazer um trabalho em equipe e produzir uma obra-prima ao mesmo tempo em que você morre de vontade de estrangular cada um dos membros dessa equipe. Paul e John não se falavam, George odiava os dois e Ringo...bom, Ringo estava em sua nuvem. Assim estavam os Beatles em 1969. Na verdade, este é o último álbum gravado pelo quarteto, embora Let it Be tenha sido lançado depois, mas havia sido gravado antes. O álbum tem músicas soberbas, embora desarticuladas. O caso mais claro: as duas peças assinadas e cantadas por George Harrison, eternamente marginalizado por Paul e John. Something e Here Comes the Sun revelam um compositor brilhante, que em pouco tempo saiu-se com o melhor disco solo de um beatle, All Things Must Pass. Na reta final, e em um ambiente nublado, a melhor banda da história (é impossível fazer mais em menos tempo) tirou da manga um álbum sublime. Texto: CARLOS MARCOS. Pontuação: 5 de 5. Número de exemplares vendidos: 30 milhões
  • Trata-se do álbum mais vendido do século vigente, um fora de série capaz de enfrentar de peito aberto a crise do mercado fonográfico. Suas armas eram simples, mas eficientes: uma boa voz, uma história pessoal e uma produção simples, sem excessos. Aos 21 anos, Adele havia deixado seu noivo e se dedicou a este disco. No começo, era fácil colocá-la no mesmo saco do novo soul britânico, com Amy Winehouse ou Duffy, mas Adele tinha outra perspectiva e a indústria soube compreendê-la. A ela, não interessava apenas a música negra americana, mas também a herança branca, e nesse cruzamento estava o negócio. Exatamente cinco anos depois (21 saiu em janeiro de 2011), entendemos melhor a manobra. Adele tinha duas bases de operações, no Reino Unido e nos EUA. A primeira era seu local natural; a segunda, provavelmente, o pedágio necessário para um assalto mundial. Foi assim que seu apreço pelas lágrimas do soul juntou-se com uma dose justa de country e sons campestres americanos. O resultado permitiu-lhe chegar a um público amplo e heterogêneo no país de Obama e, assim, dominar o planeta. No entanto, a estratégia comercial não funcionou de qualquer jeito: a garota teve méritos. Principalmente, sua voz, não apenas bonita ou triste, mas também afinada. Mas também sua maturidade: onde Adele optou pela contenção e o respeito às músicas, outros haveriam convocado o que estava na moda ou teriam feito parceria com um rapper milionário. Isso fez de 21 um álbum diferente. Embora nem todo o repertório esteja no mesmo nível. Texto: TITO LESENDErnrnPontuação: 4 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 30 milhões
    616. Adele, '21' (2011) Trata-se do álbum mais vendido do século vigente, um fora de série capaz de enfrentar de peito aberto a crise do mercado fonográfico. Suas armas eram simples, mas eficientes: uma boa voz, uma história pessoal e uma produção simples, sem excessos. Aos 21 anos, Adele havia deixado seu noivo e se dedicou a este disco. No começo, era fácil colocá-la no mesmo saco do novo soul britânico, com Amy Winehouse ou Duffy, mas Adele tinha outra perspectiva e a indústria soube compreendê-la. A ela, não interessava apenas a música negra americana, mas também a herança branca, e nesse cruzamento estava o negócio. Exatamente cinco anos depois (21 saiu em janeiro de 2011), entendemos melhor a manobra. Adele tinha duas bases de operações, no Reino Unido e nos EUA. A primeira era seu local natural; a segunda, provavelmente, o pedágio necessário para um assalto mundial. Foi assim que seu apreço pelas lágrimas do soul juntou-se com uma dose justa de country e sons campestres americanos. O resultado permitiu-lhe chegar a um público amplo e heterogêneo no país de Obama e, assim, dominar o planeta. No entanto, a estratégia comercial não funcionou de qualquer jeito: a garota teve méritos. Principalmente, sua voz, não apenas bonita ou triste, mas também afinada. Mas também sua maturidade: onde Adele optou pela contenção e o respeito às músicas, outros haveriam convocado o que estava na moda ou teriam feito parceria com um rapper milionário. Isso fez de 21 um álbum diferente. Embora nem todo o repertório esteja no mesmo nível. Texto: TITO LESENDE Pontuação: 4 de 5. Número de exemplares vendidos: 30 milhões
  • Se há duas baladas de filmes que são conhecidas da avó ao neto, passando pelo gato, essas são I Will Always Love You’, de Whitney Houston, para O Guarda-Costas, e My Heart Will Go On, de Céline Dion, para Titanic. A trilha sonora de O Guarda-Costas é o quarto álbum mais vendido da história, mas não está incluído nesta lista porque decidimos prescindir de discos de filmes e compilações. Céline, no entanto, incluiu a música de Titanic em seu disco de 1997, Let’s Talk About Love, uma hipérbole do grito. Com duetos com Pavarotti, Barbra Streisand e Bee Gees, a mais de uma hora quase exclusiva de baladas é enjoativa e redundante. Céline tem um primor de voz, mas, se você for capaz de chegar até o fim (prêmio para o cavaleiro), sua voz ficará rodando na sua cabeça durante dias. TEXTO: Carlos Marcos.rnrnPontuação: 2 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 31 milhões.
    715. Céline Dion, 'Let's talk about love' (1997) Se há duas baladas de filmes que são conhecidas da avó ao neto, passando pelo gato, essas são I Will Always Love You’, de Whitney Houston, para O Guarda-Costas, e My Heart Will Go On, de Céline Dion, para Titanic. A trilha sonora de O Guarda-Costas é o quarto álbum mais vendido da história, mas não está incluído nesta lista porque decidimos prescindir de discos de filmes e compilações. Céline, no entanto, incluiu a música de Titanic em seu disco de 1997, Let’s Talk About Love, uma hipérbole do grito. Com duetos com Pavarotti, Barbra Streisand e Bee Gees, a mais de uma hora quase exclusiva de baladas é enjoativa e redundante. Céline tem um primor de voz, mas, se você for capaz de chegar até o fim (prêmio para o cavaleiro), sua voz ficará rodando na sua cabeça durante dias. TEXTO: Carlos Marcos. Pontuação: 2 de 5. Número de exemplares vendidos: 31 milhões.
  • Os olhos perfilados de Michael Jackson coroando uma arquitetura fantasmagórica na capa de Dangerous são a ilustração perfeita de sua transformação em criatura alienígena e sua fascinação pelas máscaras nos anos 90. Dangerous representa o Michael Jackson mais sofisticado, o que obscurecia sua voz até convertê-la em um sussurro entre batidas e sintetizadores, que cercou a produção mais ostensiva do seu tempo, na qual se descobriu que o épico gospel que havia tentado em Man in the Mirror era perfeito para abordar temas sociais (e um pouco messiânicos): ali estão Heal the World, Keep the Faith e Will You Be There para demonstrar isso. Em um ponto intermediário, bombas comerciais perfeitas como Black or White e Remember the Time. O Michael Jackson de Dangerous fazia jus ao apelido de Rei do Pop, fazia clipes caríssimos, atuava em Budapeste vestido de astronauta e se transformava em um ídolo magnético e inacessível. Antes de tirar definitivamente os pés do chão, deixou este álbum barroco, grandiloquente e paranoico que continua soando com perfeição. Texto: CARLOS PRIMOrnrnPontuação: 4,5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 32 milhões.
    814. Michael Jackson, 'Dangerous' (1991) Os olhos perfilados de Michael Jackson coroando uma arquitetura fantasmagórica na capa de Dangerous são a ilustração perfeita de sua transformação em criatura alienígena e sua fascinação pelas máscaras nos anos 90. Dangerous representa o Michael Jackson mais sofisticado, o que obscurecia sua voz até convertê-la em um sussurro entre batidas e sintetizadores, que cercou a produção mais ostensiva do seu tempo, na qual se descobriu que o épico gospel que havia tentado em Man in the Mirror era perfeito para abordar temas sociais (e um pouco messiânicos): ali estão Heal the World, Keep the Faith e Will You Be There para demonstrar isso. Em um ponto intermediário, bombas comerciais perfeitas como Black or White e Remember the Time. O Michael Jackson de Dangerous fazia jus ao apelido de Rei do Pop, fazia clipes caríssimos, atuava em Budapeste vestido de astronauta e se transformava em um ídolo magnético e inacessível. Antes de tirar definitivamente os pés do chão, deixou este álbum barroco, grandiloquente e paranoico que continua soando com perfeição. Texto: CARLOS PRIMO Pontuação: 4,5 de 5. Número de exemplares vendidos: 32 milhões.
  • Sim, definitivamente os seres humanos gostam de baladas. Até 32 milhões deles têm em suas prateleiras este Music Box, de Mariah Carey, um trabalho quase 90% composto por temas frouxos. O que os partidários de Carey, que em 1993 tinha 23 anos, queriam demonstrar: a) que a intérprete tinha, de fato, um vozeirão, e b) aproveitar que toda a raça humana estava com as defesas baixas desde que, um ano antes (1992), Whitney Houston nos deixara tenros com I Will Always Love You, da trilha sonora de O Guarda-Costas. Este álbum conseguiu fazer as duas coisas, e, escutado mais de duas décadas depois, é uma cadeira de balanço eficaz para uma senhora soneca. Nem mesmo a reinterpretação de Without You, dos gloriosos Badfinger (a melhor banda do mundo com o pior azar) salva o álbum de uma vulgaridade desesperadora. Texto: CARLOS MARCOSrnrnPontuação: 1 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 32 milhões
    913. Mariah Carey, 'Music box' (1993) Sim, definitivamente os seres humanos gostam de baladas. Até 32 milhões deles têm em suas prateleiras este Music Box, de Mariah Carey, um trabalho quase 90% composto por temas frouxos. O que os partidários de Carey, que em 1993 tinha 23 anos, queriam demonstrar: a) que a intérprete tinha, de fato, um vozeirão, e b) aproveitar que toda a raça humana estava com as defesas baixas desde que, um ano antes (1992), Whitney Houston nos deixara tenros com I Will Always Love You, da trilha sonora de O Guarda-Costas. Este álbum conseguiu fazer as duas coisas, e, escutado mais de duas décadas depois, é uma cadeira de balanço eficaz para uma senhora soneca. Nem mesmo a reinterpretação de Without You, dos gloriosos Badfinger (a melhor banda do mundo com o pior azar) salva o álbum de uma vulgaridade desesperadora. Texto: CARLOS MARCOS Pontuação: 1 de 5. Número de exemplares vendidos: 32 milhões
  • Certamente por volta de 90% das mais de 30 milhões de pessoas que têm este disco na sala de casa comprou-o somente pela música que abre o álbum. Hotel California é uma das canções mais irradiadas na história. Uma peculiaridade: seus seis minutos e meio aterrorizavam os DJs, temerosos de que a impaciente audiência mudasse de dial. Mas isso não aconteceu, ela aguentou. Estamos diante de um monumento do rock suave, músicas melodiosamente sublimes, vozes fofas, arranjos de guitarra polidos, balanços de violino. Geralmente, isso remete a uma coisa: tédio. Não aqui. New Kid in Town é belíssima (obrigado, J.D. Souther), Life in the Fast Lane é a transição entre o rock e a música disco, que chegaria em breve, Wasted Time, é tão suave quanto autêntica. Continua sendo o disco perfeito para dirigir em longos trajetos nas estradas... se possível, sozinho. Texto: CARLOS MARCOSrnrnPontuação: 5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 32 milhões.
    1012. Eagles, 'Hotel Califórnia' (1976) Certamente por volta de 90% das mais de 30 milhões de pessoas que têm este disco na sala de casa comprou-o somente pela música que abre o álbum. Hotel California é uma das canções mais irradiadas na história. Uma peculiaridade: seus seis minutos e meio aterrorizavam os DJs, temerosos de que a impaciente audiência mudasse de dial. Mas isso não aconteceu, ela aguentou. Estamos diante de um monumento do rock suave, músicas melodiosamente sublimes, vozes fofas, arranjos de guitarra polidos, balanços de violino. Geralmente, isso remete a uma coisa: tédio. Não aqui. New Kid in Town é belíssima (obrigado, J.D. Souther), Life in the Fast Lane é a transição entre o rock e a música disco, que chegaria em breve, Wasted Time, é tão suave quanto autêntica. Continua sendo o disco perfeito para dirigir em longos trajetos nas estradas... se possível, sozinho. Texto: CARLOS MARCOS Pontuação: 5 de 5. Número de exemplares vendidos: 32 milhões.
  • É, provavelmente, o álbum conceitual menos conceitual da história. Apenas uma ideia argumental no começo do repertório, que vai pelos ares em todo o resto. Quando os Beatles editaram Sgt. Pepper’s, muitos acreditavam que eles estavam acabados; até mesmo quando o disco foi posto à venda, nem todo o seu público estava preparado para uma obra tão diferente, complexa e inovadora. No entanto, não demoraria muito para a crítica apontá-lo como o auge de suas carreiras. É verdade que o álbum utiliza arranjos orquestrais, funde o pop com a música oriental e abraça a psicodelia, mas não foi pioneiro em nenhum desses aspectos. A diferença estava na proposta e na repercussão: quem fez isso foram os Beatles. Devemos, então, desmistificar seus feitos? De maneira alguma! No máximo, contextualizá-los. A perspectiva histórica nos ensinou que: a) este disco não é o melhor que eles já fizeram; b) embora tenha algumas grandes canções (particularmente o epílogo A Day in the Life), suas melhores ou mais bem-sucedidas músicas não estavam aqui; e c) cometeu a ousadia de não incluir Strawberry Fields Forever. Mas devemos agradecer em Sgt. Pepper’s, além de sua capa lendária, a ambição (de Paul McCartney, fundamentalmente) na administração e na apresentação, que consolidaria o álbum como formato primordial para a música gravada desde então e até a chegada do mp3. Texto: TITO LESENDErnrnPontuação: 5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 32 milhões.
    1111. The Beatles, 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Clube Band' (1967) É, provavelmente, o álbum conceitual menos conceitual da história. Apenas uma ideia argumental no começo do repertório, que vai pelos ares em todo o resto. Quando os Beatles editaram Sgt. Pepper’s, muitos acreditavam que eles estavam acabados; até mesmo quando o disco foi posto à venda, nem todo o seu público estava preparado para uma obra tão diferente, complexa e inovadora. No entanto, não demoraria muito para a crítica apontá-lo como o auge de suas carreiras. É verdade que o álbum utiliza arranjos orquestrais, funde o pop com a música oriental e abraça a psicodelia, mas não foi pioneiro em nenhum desses aspectos. A diferença estava na proposta e na repercussão: quem fez isso foram os Beatles. Devemos, então, desmistificar seus feitos? De maneira alguma! No máximo, contextualizá-los. A perspectiva histórica nos ensinou que: a) este disco não é o melhor que eles já fizeram; b) embora tenha algumas grandes canções (particularmente o epílogo A Day in the Life), suas melhores ou mais bem-sucedidas músicas não estavam aqui; e c) cometeu a ousadia de não incluir Strawberry Fields Forever. Mas devemos agradecer em Sgt. Pepper’s, além de sua capa lendária, a ambição (de Paul McCartney, fundamentalmente) na administração e na apresentação, que consolidaria o álbum como formato primordial para a música gravada desde então e até a chegada do mp3. Texto: TITO LESENDE Pontuação: 5 de 5. Número de exemplares vendidos: 32 milhões.
  • A vida é equilíbrio. Vemos isso até neste ranking de discos mais vendidos da história. Dos 20, há 4 que podemos considerar de rock pesado com homens nos vocais (os de ACDC, Led Zeppelin, Metallica e, não tão selvagem, Meat Loaf) e outros 4 de baladas com vocal feminino (Mariah Carey, Adele e dois de Céline Dion). A capa de Falling Into You está tomada pelo branco, assim como a música, inofensiva. As faixas são, na maioria, baladas adocicadas, intercaladas por algumas em que Céline se esforça para soar mais travessa. É um disco longo e desconjuntado que custa muito escutar até o fim. A versão de River Deep, Mountain High, que Tina Turner havia popularizado em uma interpretação potente, nas mãos de Céline parece merengue derretendo em pleno verão. Texto: CARLOS MARCOSrnrnPontuação: 1,5 de 5.rnrnNúmero de discos vendidos: 32 milhões.
    1210. Céline Dion, 'Falling into you' (1996) A vida é equilíbrio. Vemos isso até neste ranking de discos mais vendidos da história. Dos 20, há 4 que podemos considerar de rock pesado com homens nos vocais (os de AC/DC, Led Zeppelin, Metallica e, não tão selvagem, Meat Loaf) e outros 4 de baladas com vocal feminino (Mariah Carey, Adele e dois de Céline Dion). A capa de Falling Into You está tomada pelo branco, assim como a música, inofensiva. As faixas são, na maioria, baladas adocicadas, intercaladas por algumas em que Céline se esforça para soar mais travessa. É um disco longo e desconjuntado que custa muito escutar até o fim. A versão de River Deep, Mountain High, que Tina Turner havia popularizado em uma interpretação potente, nas mãos de Céline parece merengue derretendo em pleno verão. Texto: CARLOS MARCOS Pontuação: 1,5 de 5. Número de discos vendidos: 32 milhões.
  • O conceito de “alternativo”, posto em xeque pouco antes pelo Nirvana (pode ser alternativo um produto de consumo de alcance de massa?), ficou totalmente desvirtuado com este contundente disco de Alanis Morissette, o qual, ao contrário do que muitos pensam, não era sua estreia, e sim o terceiro de sua carreira (quando adolescente, ela havia lançado dois álbuns banais de pop dançante. Uma das primeiras referências do selo de Madonna (Maverick), e a mais rentável de sua história, Jagged Little Pill (“pequena pílula dentada”) atualizava o perfil de cantora e compositora e conseguia um entendimento amistoso entre o grunge áspero e o rock de estádio. Continha três joias: You Oughta Know (com a guitarra de Dave Navarro, do Jane’s Addiction, e o baixo de Flea, do Red Hot Chili Peppers), Hand in my Pocket e a incontestável Ironic, tudo composto por Alanis e pelo inevitável gênio na sombra Glen Ballard. Texto: MIGUEL ÁNGEL BARGUEÑOrnrnPontuação: 3,5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 33 milhões.
    139. Alanis Morissette, 'Jagged little pill' (1995) O conceito de “alternativo”, posto em xeque pouco antes pelo Nirvana (pode ser alternativo um produto de consumo de alcance de massa?), ficou totalmente desvirtuado com este contundente disco de Alanis Morissette, o qual, ao contrário do que muitos pensam, não era sua estreia, e sim o terceiro de sua carreira (quando adolescente, ela havia lançado dois álbuns banais de pop dançante. Uma das primeiras referências do selo de Madonna (Maverick), e a mais rentável de sua história, Jagged Little Pill (“pequena pílula dentada”) atualizava o perfil de cantora e compositora e conseguia um entendimento amistoso entre o grunge áspero e o rock de estádio. Continha três joias: You Oughta Know (com a guitarra de Dave Navarro, do Jane’s Addiction, e o baixo de Flea, do Red Hot Chili Peppers), Hand in my Pocket e a incontestável Ironic, tudo composto por Alanis e pelo inevitável gênio na sombra Glen Ballard. Texto: MIGUEL ÁNGEL BARGUEÑO Pontuação: 3,5 de 5. Número de exemplares vendidos: 33 milhões.
  • Para Bad (1987), Michael Jackson compôs 60 músicas, das quais gravou 30 com a ideia de lançar um álbum triplo. No fim, Quincy Jones o convenceu a reduzir a seleção para dez. O resultado é uma detonação impecável que assume certos riscos em uma época na qual a principal obsessão de Jackson era demonstrar que seu status de superastro global (e seu rosto recém-estreado) não o havia afastado de suas origens. O título do álbum, a estética de gangues daqueles anos e as coreografias do vídeo do primeiro single falam disso, do artista que era capaz de sofisticar a gíria das ruas e a linguagem corporal do submundo. O restante é um roteiro no qual já estão todos os temas favoritos de Jackson: a convivência social (Man in the Mirror), os conflitos de uma celebridade (a faixa-bônus Leave Me Alone), o romantismo adocicado (The Way You Make Me Feel), os fantasmas da masculinidade (Bad, Smooth Criminal) e a raridade excepcional de uma tema como Liberian Girl, um prodígio exótico cujo clima continua sendo reproduzido por produtores tão atuais como Dav Hynes. Bad não é Thriller, nem precisa: é o Michael Jackson mais criativo, inspirado e de sintonizado com sua época. Texto: CARLOS PRIMOrnrnPontuação: 5 sobre 5.rnNúmero de discos vendidos: 34 milhões.
    148. Michael Jackson, 'Bad' (1987) Para Bad (1987), Michael Jackson compôs 60 músicas, das quais gravou 30 com a ideia de lançar um álbum triplo. No fim, Quincy Jones o convenceu a reduzir a seleção para dez. O resultado é uma detonação impecável que assume certos riscos em uma época na qual a principal obsessão de Jackson era demonstrar que seu status de superastro global (e seu rosto recém-estreado) não o havia afastado de suas origens. O título do álbum, a estética de gangues daqueles anos e as coreografias do vídeo do primeiro single falam disso, do artista que era capaz de sofisticar a gíria das ruas e a linguagem corporal do submundo. O restante é um roteiro no qual já estão todos os temas favoritos de Jackson: a convivência social (Man in the Mirror), os conflitos de uma celebridade (a faixa-bônus Leave Me Alone), o romantismo adocicado (The Way You Make Me Feel), os fantasmas da masculinidade (Bad, Smooth Criminal) e a raridade excepcional de uma tema como Liberian Girl, um prodígio exótico cujo clima continua sendo reproduzido por produtores tão atuais como Dav Hynes. Bad não é Thriller, nem precisa: é o Michael Jackson mais criativo, inspirado e de sintonizado com sua época. Texto: CARLOS PRIMO Pontuação: 5 sobre 5. Número de discos vendidos: 34 milhões.
  • O epítome do rock machão. Robert Plant canta com a pelve, a guitarra de Jimmy Page transpira testosterona, John Paul John dá um soco na boca do estômago com seu baixo e John Bonham golpeia seus tambores como se fosse o feiticeiro de um obscuro rito tribal. Este disco do Led Zeppelin ficou marcado por incluir a balada mais famosa do rock, a epopeica Stairway to Heaven. Não importa se algum trecho é um plágio: em seu conjunto, é uma obra memorável, um carrossel de sensações. Mas há muito mais neste álbum: rock selvagem (Black Dog), folk meio hippie (The Battle of Evermore), psicodelia brincalhona (Misty Mountain Hop), experimentação (Four Sticks), blues tenebroso (When the Levee Breaks)… Um disco primitivo, agressivo, vicioso, um álbum que dava pleno sentido àquela advertência: “Não deixe suas filhas saírem de casa: o Zeppelin está na cidade”. Texto: CARLOS MARCOSrnrnPontuação: 5 de 5.rnrnNúmero de discos vendidos: 37 milhões.
    157. Led Zeppelin, 'IV' (1971) O epítome do rock machão. Robert Plant canta com a pelve, a guitarra de Jimmy Page transpira testosterona, John Paul John dá um soco na boca do estômago com seu baixo e John Bonham golpeia seus tambores como se fosse o feiticeiro de um obscuro rito tribal. Este disco do Led Zeppelin ficou marcado por incluir a balada mais famosa do rock, a epopeica Stairway to Heaven. Não importa se algum trecho é um plágio: em seu conjunto, é uma obra memorável, um carrossel de sensações. Mas há muito mais neste álbum: rock selvagem (Black Dog), folk meio hippie (The Battle of Evermore), psicodelia brincalhona (Misty Mountain Hop), experimentação (Four Sticks), blues tenebroso (When the Levee Breaks)… Um disco primitivo, agressivo, vicioso, um álbum que dava pleno sentido àquela advertência: “Não deixe suas filhas saírem de casa: o Zeppelin está na cidade”. Texto: CARLOS MARCOS Pontuação: 5 de 5. Número de discos vendidos: 37 milhões.
  • Afirmar que o mundo deve um favor a esta senhora que vendeu uma quantidade indecente de discos no fim dos anos noventa pode parecer uma obscenidade. Mas é isso mesmo. Shania Twain fez em Come on Over o mesmo que Garth Brooks havia feito em outra oportunidade: transformar o country em um perfeito produto pop que pode ser consumido até mesmo por quem é incapaz de citar algum ingrediente de um molho para churrasco. Produzido por seu marido, Robert Mutt Lage − que já tinha experiência nessa tarefa, pois havia conseguido, com o Def Leppard, transformar algo aparentemente pesado em totalmente pop −, o disco ficou mais de dois anos nas primeiras posições das listas norte-americanas sem chegar jamais ao primeiro lugar, algo que parece tão incompreensível como o fato de hoje celebrarmos a transformação de Taylor Swift (de bonequinha country em diva onipresente e premiada) e esquecermos que Shania fez a mesma coisa antes, e com maior qualidade. Texto: XAVI SANCHOrnrnPontuação: 3 de 5.
\rnNúmero de discos vendidos: 39 milhões.
    166. Shania Twain, 'Come on over' (1997) Afirmar que o mundo deve um favor a esta senhora que vendeu uma quantidade indecente de discos no fim dos anos noventa pode parecer uma obscenidade. Mas é isso mesmo. Shania Twain fez em Come on Over o mesmo que Garth Brooks havia feito em outra oportunidade: transformar o country em um perfeito produto pop que pode ser consumido até mesmo por quem é incapaz de citar algum ingrediente de um molho para churrasco. Produzido por seu marido, Robert Mutt Lage − que já tinha experiência nessa tarefa, pois havia conseguido, com o Def Leppard, transformar algo aparentemente pesado em totalmente pop −, o disco ficou mais de dois anos nas primeiras posições das listas norte-americanas sem chegar jamais ao primeiro lugar, algo que parece tão incompreensível como o fato de hoje celebrarmos a transformação de Taylor Swift (de bonequinha country em diva onipresente e premiada) e esquecermos que Shania fez a mesma coisa antes, e com maior qualidade. Texto: XAVI SANCHO Pontuação: 3 de 5.
 Número de discos vendidos: 39 milhões.
  • O Fleetwood Mac nasceu como emblema do blues britânico, mas acabou fazendo o disco definitivo do AOR californiano. O que é o AOR (Adult Oriented Rock, ou “rock para adultos”)? É esse pop melódico disfarçado de rock, mas apresentado com um som cristalino destinado às rádios FM. Enquanto o punk abria (a pontapés) uma nova via artística no Reino Unido, o filão de ouro estava nos EUA, onde se multiplicavam as vendas de Boston, Electric Light Orchestra, Chicago, Steely Dan e, principalmente, Fleetwood Mac, que concebeu seu álbum definitivo em meio a rupturas sentimentais e fileiras de cocaína. É verdade que, na aparência, sua proposta era conservadora: canções de amor e desamor, melodias, coros bonitos, solos de guitarra e, sem dúvida, muito profissionalismo. Tanta ortodoxia deu a Rumours cifras estratosféricas e o desprezo eterno da modernidade. Passado o tempo e superadas as circunstâncias históricas, vasculhando o repertório deste disco encontramos um punhado de músicas boas, interpretadas com excelência. Não há experimentação nem risco artístico, mas também não há nada de mau gosto. Era um álbum irrepreensível e agradável ao ouvido humano em 1977, e continua sendo assim hoje. Texto: TITO LESENDErnrnPontuação: 4,5 de 5.rnrnNúmero de discos vendidos: 40 milhões.
    175. Fleetwood Mac, 'Rumours' (1977) O Fleetwood Mac nasceu como emblema do blues britânico, mas acabou fazendo o disco definitivo do AOR californiano. O que é o AOR (Adult Oriented Rock, ou “rock para adultos”)? É esse pop melódico disfarçado de rock, mas apresentado com um som cristalino destinado às rádios FM. Enquanto o punk abria (a pontapés) uma nova via artística no Reino Unido, o filão de ouro estava nos EUA, onde se multiplicavam as vendas de Boston, Electric Light Orchestra, Chicago, Steely Dan e, principalmente, Fleetwood Mac, que concebeu seu álbum definitivo em meio a rupturas sentimentais e fileiras de cocaína. É verdade que, na aparência, sua proposta era conservadora: canções de amor e desamor, melodias, coros bonitos, solos de guitarra e, sem dúvida, muito profissionalismo. Tanta ortodoxia deu a Rumours cifras estratosféricas e o desprezo eterno da modernidade. Passado o tempo e superadas as circunstâncias históricas, vasculhando o repertório deste disco encontramos um punhado de músicas boas, interpretadas com excelência. Não há experimentação nem risco artístico, mas também não há nada de mau gosto. Era um álbum irrepreensível e agradável ao ouvido humano em 1977, e continua sendo assim hoje. Texto: TITO LESENDE Pontuação: 4,5 de 5. Número de discos vendidos: 40 milhões.
  • Imagine o Queen com excesso de colesterol: isso lhe dará uma leve ideia de como soava este disco épico, com um pé no rock pesado e outro na Broadway. Foi justamente do teatro musical que veio o texano Meat Loaf (apareceu em The Rock Horror Show, tanto o espetáculo como o filme), assim como o compositor nova-iorquino Jim Steinman. Do vozeirão de um e das canções do outro nasceu este compêndio de apenas sete (longas) canções de letras quilométricas e som bipolar, que passava do rock trepidante à balada melodramática em um piscar de olhos. O grande papel de produzir tudo isso coube ao experiente Todd Rundgren, que saiu vitorioso dessa missão. Pairam sobre o disco influências do The Who e de Bruce Springsteen, mas não há canções realmente comerciais. Isso não impediu suas vendas milionárias, nos dias em que as rádios FM eram voltadas para os álbuns e para a desmesura roqueira, contexto fora do qual este disco é incompreensível. Texto: MIGUEL ÁNGEL BARGUEÑOrnrnPontuação: 3 de 5.rnrnNúmero de discos vendidos: 43 milhões.
    184. Meat Loaf, 'Bat out of hell' (1977) Imagine o Queen com excesso de colesterol: isso lhe dará uma leve ideia de como soava este disco épico, com um pé no rock pesado e outro na Broadway. Foi justamente do teatro musical que veio o texano Meat Loaf (apareceu em The Rock Horror Show, tanto o espetáculo como o filme), assim como o compositor nova-iorquino Jim Steinman. Do vozeirão de um e das canções do outro nasceu este compêndio de apenas sete (longas) canções de letras quilométricas e som bipolar, que passava do rock trepidante à balada melodramática em um piscar de olhos. O grande papel de produzir tudo isso coube ao experiente Todd Rundgren, que saiu vitorioso dessa missão. Pairam sobre o disco influências do The Who e de Bruce Springsteen, mas não há canções realmente comerciais. Isso não impediu suas vendas milionárias, nos dias em que as rádios FM eram voltadas para os álbuns e para a desmesura roqueira, contexto fora do qual este disco é incompreensível. Texto: MIGUEL ÁNGEL BARGUEÑO Pontuação: 3 de 5. Número de discos vendidos: 43 milhões.
  • Tecnologia de ponta da época a serviço de uma banda de rock, liberdade artística e uma mensagem conceitual que dialogava com as obsessões do cidadão moderno: trabalho, dinheiro, tempo. E a lua, claro, que motivava muita, porque a chegada do homem a ela ainda era recente. Este disco entrou nas paradas porque era seu momento e teve seus efeitos no mercado americano, em cuja lista se manteve por mais de 14 anos. Mas também encontrou eco em países não anglófilos, como na Espanha, em que apareceu em um ótimo quarto lugar enquanto triunfava Serrat cantando Miguel Hernández. O som de The Dark Side of The Moon, originalmente na beira da vanguarda, manteve-se surpreendentemente em forma: ainda hoje, o álbum continua sendo referência em lojas de Hi-Fi para testar aparelhos. É verdade que as décadas nos curaram, e alguns dos versos podem ruborizar pela sua franqueza, ou alguns argumentos podem parecer simples. Isso acontece bastante com o rock conceitual dos anos 70. No entanto, o tempo não apagou a beleza de melodias como TimeBreathe, nem a força desse blues adornado que é Money. Só precisamos resgatar o hábito de sentar e escutar, sem pressa. Texto: TITO LESENDErnrnPontuação: 5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 45 milhões.
    193. Pink Floyd, 'The dark side of the moon' (1973) Tecnologia de ponta da época a serviço de uma banda de rock, liberdade artística e uma mensagem conceitual que dialogava com as obsessões do cidadão moderno: trabalho, dinheiro, tempo. E a lua, claro, que motivava muita, porque a chegada do homem a ela ainda era recente. Este disco entrou nas paradas porque era seu momento e teve seus efeitos no mercado americano, em cuja lista se manteve por mais de 14 anos. Mas também encontrou eco em países não anglófilos, como na Espanha, em que apareceu em um ótimo quarto lugar enquanto triunfava Serrat cantando Miguel Hernández. O som de The Dark Side of The Moon, originalmente na beira da vanguarda, manteve-se surpreendentemente em forma: ainda hoje, o álbum continua sendo referência em lojas de Hi-Fi para testar aparelhos. É verdade que as décadas nos curaram, e alguns dos versos podem ruborizar pela sua franqueza, ou alguns argumentos podem parecer simples. Isso acontece bastante com o rock conceitual dos anos 70. No entanto, o tempo não apagou a beleza de melodias como Time/Breathe, nem a força desse blues adornado que é Money. Só precisamos resgatar o hábito de sentar e escutar, sem pressa. Texto: TITO LESENDE Pontuação: 5 de 5. Número de exemplares vendidos: 45 milhões.
  • Antes que ficasse meio surdo e sem voz, e antes da chegada de Simeone ao Atlético de Madrid, Brian Johnson fez sua a frase: “Se você acredita, é possível”. Ninguém (apenas a pessoa mais teimosa do mundo, Angus Young) acreditava que outro vocalista poderia fazer com que os fãs esquecessem Bon Scott, o vocalista do ACDC, que morreu em 1979. Certamente, na mesma tarde em que Bon foi enterrado, Malcolm Young e Angus começaram a compor freneticamente, e surgiu este disco, o responsável pelo hard rock entrar em casas de classe alta. Sem pausas, nenhuma música deste álbum baixa o nível. Todas são como um canhão. Angus Young vira o homem que vai consertar seu dia com seus epilépticos riffs de guitarra. Com os anos (já se passaram 36), o disco foi ganhando espaço, certamente porque não se voltou a fazer um álbum de rock rude tão soberbo quanto este. Texto: CARLOS MARCOSrnrnPontuação: 5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 50 milhões.
    202. AC/DC, 'Back in black' (1980) Antes que ficasse meio surdo e sem voz, e antes da chegada de Simeone ao Atlético de Madrid, Brian Johnson fez sua a frase: “Se você acredita, é possível”. Ninguém (apenas a pessoa mais teimosa do mundo, Angus Young) acreditava que outro vocalista poderia fazer com que os fãs esquecessem Bon Scott, o vocalista do AC/DC, que morreu em 1979. Certamente, na mesma tarde em que Bon foi enterrado, Malcolm Young e Angus começaram a compor freneticamente, e surgiu este disco, o responsável pelo hard rock entrar em casas de classe alta. Sem pausas, nenhuma música deste álbum baixa o nível. Todas são como um canhão. Angus Young vira o homem que vai consertar seu dia com seus epilépticos riffs de guitarra. Com os anos (já se passaram 36), o disco foi ganhando espaço, certamente porque não se voltou a fazer um álbum de rock rude tão soberbo quanto este. Texto: CARLOS MARCOS Pontuação: 5 de 5. Número de exemplares vendidos: 50 milhões.
  • A grandeza deste álbum explica-se por várias razões. Com a ajuda do produtor Quincy Jones, Michael Jackson reformulou o R&B (siglas eufemísticas com as quais a indústria denomina a “música feita por negros”), ligando-o ao pop, fulminando a música disco e definindo o som dos anos oitenta. Sua influência é longa: seus ecos são ouvidos em músicas atuais da Rihanna e em estrofes do The Weeknd. A participação de Paul McCartney em The Girl is Mine antecipou a moda das colaborações, excepcionais naquela época e imprescindíveis hoje em dia. Suas músicas dividem-se entre boas e ótimas; é perfeito do começo ao fim, mais ainda se pensarmos que seu som iridescente não foi programado pelo computador, mas tocado por músicos de carne e osso, inclusive a formação completa de Toto. Uma audição atenta revela detalhes primorosos, como o colossal solo de guitarra de Eddie Van Halen, em Beat it. Obra-prima absoluta. Texto: MIGUEL ÁNGEL BARGUEÑOrnrnPontuação: 5 de 5.rnrnNúmero de exemplares vendidos: 65 milhões.
    211. Michael Jackson, 'Thriller' (1982) A grandeza deste álbum explica-se por várias razões. Com a ajuda do produtor Quincy Jones, Michael Jackson reformulou o R&B (siglas eufemísticas com as quais a indústria denomina a “música feita por negros”), ligando-o ao pop, fulminando a música disco e definindo o som dos anos oitenta. Sua influência é longa: seus ecos são ouvidos em músicas atuais da Rihanna e em estrofes do The Weeknd. A participação de Paul McCartney em The Girl is Mine antecipou a moda das colaborações, excepcionais naquela época e imprescindíveis hoje em dia. Suas músicas dividem-se entre boas e ótimas; é perfeito do começo ao fim, mais ainda se pensarmos que seu som iridescente não foi programado pelo computador, mas tocado por músicos de carne e osso, inclusive a formação completa de Toto. Uma audição atenta revela detalhes primorosos, como o colossal solo de guitarra de Eddie Van Halen, em Beat it. Obra-prima absoluta. Texto: MIGUEL ÁNGEL BARGUEÑO Pontuação: 5 de 5. Número de exemplares vendidos: 65 milhões.
  • São realmente bons os 20 álbuns mais vendidos da história?
    22São realmente bons os 20 álbuns mais vendidos da história? São realmente bons os 20 álbuns mais vendidos da história?