Atentado em Burkina Faso

Ataque da Al-Qaeda em Burkina Faso deixa ao menos 20 mortos

126 reféns, 30 deles feridos, foram libertados na manhã deste sábado

Um ferido é atendido por policiais franceses nas imediações do Hotel Splendid.NABILA EL HADAD
Agencias

O Hotel Splendid e o restaurante Capuccino, localizados em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, foram alvo na sexta-feira à noite do mais recente ataque da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI). Os ataques mataram pelo menos 23 pessoas de 18 nacionalidades, segundo uma fonte de segurança citada pela France Presse. As forças de segurança francesas e de Burkina conseguiram dominar as posições dos terroristas entrincheirados nos andares superiores do hotel e libertaram 126 reféns, disseram autoridades.

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O Ministério de Segurança do país africano informou que quatro jihadistas — entre os quais três foram oficialmente descritos como "um árabe e dois africanos" — morreram na invasão ao hotel, onde, segundo testemunhas, pelo menos 20 pessoas também estão mortas, além de outras 10 vítimas que faleceram no ataque inicial ao café Capuccino. A ocupação do hotel foi particularmente lenta porque os jihadistas haviam colocado explosivos em vários andares do edifício, dificultando o avanço das forças de segurança, de acordo com fontes próximas à operação, que deu fim ao primeiro grande ataque islâmico ocorrido no país.

O hotel é frequentado por ocidentais, mas as nacionalidades das vítimas ainda são desconhecidas. Sabe-se que 126 reféns foram libertados, dos quais 33 estão recebendo tratamento médico devido a vários tipos de lesões. Um funcionário de um café ao lado do hotel disse à agência France Presse na madrugada deste sábado que vários de seus clientes haviam morrido no tiroteio e que um agente que tentou se aproximar do hotel foi ferido. O ministro de Relações Exteriores do país, Alpha Barry, confirmou o ataque e informou que havia "vítimas e reféns", sem confirmar o número.

O embaixador francês para Burkina Faso, Gilles Thibault, descreveu a tomada de reféns como "ataque terrorista". “Ataque terrorista na avenida N’Krumah. Evite a região", escreveu o chefe da missão diplomática francesa em sua conta oficial no Twitter, na qual também afirmou que o país havia decretado toque de recolher até as 6h da manhã local para facilitar o trabalho da polícia. O Hotel Splendid é frequentemente usado pelas tropas francesas deslocadas no país como parte da Operação Barkhane, com sede no Chade, cujo objetivo é combater o jihadismo na região. O ataque da sexta-feira à noite ocorre dois meses após um atentado semelhante em Mali, que deixou 27 mortos.

Instabilidade política

Trata-se do primeiro ataque jihadista na capital de Burkina Faso, um país com 60% de muçulmanos e grande diversidade religiosa. Representa um grande desafio para o presidente Roch Marc Kaboré, eleito em novembro passado após 27 anos de ditadura.

Burkina Faso vive mergulhada em uma instabilidade política desde 2014, quando protestos populares forçaram Blaisé Compaoré a deixar a presidência. A Embaixada da França havia alertado seus cidadãos em dezembro a não viajar para algumas regiões daquele país.

Horas antes do ataque ao Hotel Splendid, cerca de 20 homens armados atacaram uma unidade da Gendarmaria na cidade de Tinakof, no Sahel. Um policial e um civil foram mortos e dois policiais ficaram feridos, um deles gravemente.

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