BOLA DE OUROAnálise
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Obrigado, Leo

Que sorte tivemos nós, os culés. Sem ele, o Barça não seria o mesmo.

Messi e Xavi se abraçam na comemoração de um gol em 2012.
Messi e Xavi se abraçam na comemoração de um gol em 2012. (Reuters)

Era diferente, mas só tinha 16 anos. Achava que ele era bom, mas também sabia que o futebol é muito complicado, que muitas coisas interferem, e nunca imaginei que ele se tornaria o melhor jogador da história. Desde que o conheci, ele nunca deixou de evoluir em nenhum sentido. Melhorou naquilo que já era bom e se tornou, além disso, um artilheiro. Antes, não fazia tantos gols, mas agora enfia todas, cobra faltas... E, como diz Pep Guardiola, domina todas as facetas do jogo. Nunca mais veremos nada parecido. Não só pelo que é capaz de fazer, mas também pelo tempo que já leva fazendo tudo isso. Outros duraram dois, três anos. Ele parece não ter fim.

Você pode ter um ano bom, ou dois, mas acumular tanto tempo assim demonstra um caráter vencedor próprio de alguém tão perfeccionista, que nunca está satisfeito

A sorte que nós, os culés (como são chamados os torcedores do Barcelona), tivemos foi que ele veio para o Barcelona. Sem ele, o Barça não seria o mesmo. Ele é a pedra angular de todos os sucessos obtidos pelo clube nos últimos dez anos. E isso é algo que não posso deixar de lado ao falar sobre Leo, porque é digno de elogio: você pode ter um ano bom, ou dois, mas ficar tanto tempo como ele faz expressa um caráter de vencedor incomum, próprio de alguém que não só gosta do que faz, mas que também é um perfeccionista, que nunca está satisfeito, que se faz dois, quer três. Todo mundo vê isso nos jogos, mas durante a semana é a mesma coisa, o que torna melhores os que estão à sua volta, pois é preciso se esforçar muito para estar à sua altura.

Esse caráter o leva a ficar enormemente mal-humorado quando perde uma partida. Ou a ficar muito triste, porque quer sempre ganhar. Nada o aborrece mais do que uma derrota. Lembro de vê-lo desolado no dia em que perdeu um pênalti contra o Chelsea e eles nos tiraram da Champions League. Mas também quando falhou contra o City, embora tenhamos vencido por 3 a 1. Você vai até ele e diz que não tem problema, e ele responde: “Sim, tem sim. Eu falhei”. É verdade que houve dias em que o vi irritado com ele mesmo, com tudo o que havia ao seu redor e com o mundo em geral, mas quem nunca teve isso? Além do quê, não deve ser fácil administrar o fato de ser o número um, e ele, em 99,9% das vezes, faz isso maravilhosamente. Por isso, está mais do que desculpado, porque ele compensa isso de sobra com a felicidade com que ele contagia qualquer um que goste de futebol.

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Pessoalmente, eu me considero seu amigo. Como pessoa, é introvertido. Tem dificuldade de se abrir, mas quando ganha confiança, é muito divertido, muito brincalhão. Com uma ironia muito boa. E um coração enorme, uma ótima pessoa. Tem sempre um tempo para ajudar quando lhe pedem. “Olhe, Leo, um amigo me pediu umas chuteiras para uma fundação de umas crianças...”. Ele pega, autografa e dá de presente. Sempre. Mas o que eu mais valorizo nele é que é um sujeito legal. Nunca engana você. Tem uma personalidade forte e quando não gosta de alguma coisa, não gosta mesmo. E não tente convencê-lo do contrário. Mas ele diz na sua cara. Com ele, eu sempre tenho a sensação de que jamais me trairá. Sem tem de me dizer alguma coisa, ele me diz e sei que nunca irá me apunhalar pelas costas. Messi só engana os zagueiros e o goleiro. E eu valorizo muito isso. Nesse sentido, somos muito parecidos. Obrigado por isso, Leo.

Nada o aborrece mais do que uma derrota. Lembro de vê-lo desolado no dia que falhou um pênalti contra o Chelsea e nos eliminaram da Champions

E obrigado por jogar como você joga, pelos seus deslocamentos, seus gols, seus passes e seus dribles, pelo que você deu ao Barça e ao futebol. E por ser como é.

E parabéns por mais uma Bola de Ouro. Você ganhou.

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