Detido pela Lava Jato, André Esteves é liberado, mas fica em prisão domiciliar

Supremo libera empresário, que renunciou à presidência do BTG Senador Delcídio do Amaral tem pedido de liberdade negado

O banqueiro André Esteves.
O banqueiro André Esteves.F. Frazão (Ag.Br)

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O ministro Teori Zavascki, relator do caso Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, revogou nesta quinta-feira a prisão preventiva do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Considerado uma das personalidades mais influentes do mercado financeiro no Brasil, ele estava detido desde o dia 25 de novembro sob a acusação de estar destruindo provas das investigações em curso. O empresário foi citado na delação premiada do doleiro Alberto Youssef, segundo a qual uma empresa ligada a Esteves e ao BTG teria se envolvido em um negócio com subsidiária da Petrobras no qual foi pago suborno no valor de 6 milhões de reais.

Para a força-tarefa da Lava Jato existem ainda outros indícios da participação de Esteves no escândalo de corrupção da Petrobras. Um deles foi um empréstimo de 104 milhões de reais feitos por seu banco a uma companhia do pecuarista José Carlos Bumlai, preso em 24 de novembro na operação Passe Livre. Ele também teria sido citado pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) – também detido – em uma negociação para ajudar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a fugir do país. Além disso, a Polícia Federal apreendeu um bilhete escrito pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht, que está preso preventivamente, no qual ele cita uma “história de iniciativa de André Esteves” envolvendo a Sete Brasil, empresa fornecedora da Petrobras que tem ligação com o BTG.

O ministro Zavascki condicionou a liberação do banqueiro a uma série de medidas cautelares: ele terá que se afastar da direção das empresas envolvidas na investigação, terá que se submeter à prisão domiciliar, terá seu passaporte retido e precisará se apresentar quinzenalmente à Justiça. Esteves não precisará usar tornozeleira eletrônica, medida que tem sido adotada com alguns investigados da Lava Jato que foram soltos nos últimos meses. O magistrado argumentou que não foram encontrados em poder do banqueiro “documentos sigilosos relativos a colaborações premiadas”, e também “não foram colhidas provas no decorrer das investigações” que demonstrassem a necessidade de mantê-lo na prisão.

Já o senador Delcídio, preso junto com o banqueiro, teve seu pedido de liberdade indeferido pelo STF. Em seu despacho, Zavascki afirma que as acusações do Ministério Público Federal, de que o parlamentar “não media esforços para atingir os fins ilícitos (...) em ter recursos desviados pelos cofres públicos para interesses exclusivamente privados", continuam “inalteradas”. “Ao contrário, foram encontradas na posse do chefe de gabinete do Senador Delcídio Amaral anotações que corroboram os indícios probatórios já existentes”, afirma o magistrado em seu parecer.

Quem é André Esteves

Hoje com 46 anos, Esteves começou a fazer sucesso cedo. Começou a carreira no Banco Pactual, em 1989, quando tinha 21 anos. Quatro anos depois, tornou-se sócio da instituição. No fim de 2008, deixou o banco para fundar outra instituição, o BTG que, logo depois, comprou o Pactual. Foi assim que Esteves fundou o BTG Pactual, que se tornou hoje um dos maiores bancos de investimentos do Brasil e da América Latina. A entidade financeira gerencia hoje 302 bilhões de reais e, neste ano, o banco faturou 6,5 bilhões de reais até o mês de setembro. O grupo tem participação em mais de 20 empresas em setores diferentes.

Com graduação em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Esteves é membro do Conselho da BM&FBovespa e da Federação Brasileira de Bancos. Em 2012, foi considerado o 13º brasileiro mais rico, segundo levantamento da Forbes. A fortuna do bilionário estava avaliada em 3 bilhões de dólares. O valor de suas empresas, no entanto, caiu diante do escândalo da Petrobras.