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Nova vacina contra a dengue entrará na última fase de testes no Brasil

Ela será aplicada pelo Instituto Butantan em 17.000 voluntários e promete ter mais eficácia

Mosquitos Aedes aegypti, vetor da dengue.
Mosquitos Aedes aegypti, vetor da dengue. EFE

O Instituto Butantan anunciou nesta sexta-feira que começará a terceira e última fase de testes de uma vacina de dose única contra a dengue no Brasil. Nesta etapa, o estudo será aplicado em larga escala em humanos e deverá ser conduzido em 17.000 voluntários, de 12 Estados. A autorização para esta terceira fase foi dada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas agora, oito meses depois de protocolado o pedido pelo Butantan. Segundo a agência, esse tempo foi necessário porque a “complexidade do processo exigiu que a Anvisa solicitasse [ao laboratório] todas as informações técnicas necessárias”.

Ainda não se sabe quando os testes vão começar de fato, porque isso dependerá do recrutamento dos voluntários. A perspectiva do Butantan é conseguir vacinar todos os participantes em até um ano e registrá-la até 2017. Mas, segundo o governador Geraldo Alckmin, no momento em que os testes se mostrarem promissores, ela já poderá começar a ser comercializada. Essa fase de testes custará cerca de 270 milhões de reais, afirmou ele. O investimento contará com a participação de capital privado e de empréstimos do BNDES.

Nas primeiras duas fases do estudo, a vacina foi aplicada em 900 voluntários. E, segundo o laboratório, ela se mostrou "potencialmente eficaz" contra os quatro sorotipos da dengue.

Já há uma vacina para a doença em fase de produção, feita pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, que, até o momento, só foi autorizada para ser utilizada no México. A eficácia dela contra a dengue, entretanto, é de cerca de 65% e ela é aplicada em três doses. O laboratório pediu a autorização de uso também no Brasil, o que ainda é avaliado. O Ministério da Saúde afirma que o baixo nível de eficácia é um desafio para que ela seja incorporada ao Sistema Único de Saúde, pois traz o risco de a população e os gestores desarmarem as medidas do combate ao mosquito vetor da doença, o Aedes aegypti, sem haver a garantia de que a vacina funcionará sempre.

A nova vacina, acredita o Butantan, poderá ter um resultado mais promissor por ter sido desenvolvida a partir do próprio vírus da dengue enfraquecido, enquanto a primeira usou como base o vírus da febre amarela (doença da mesma família de vírus), explicou Jorge Kalil, diretor do laboratório, em uma coletiva de imprensa.

Morte ao mosquito

Na coletiva de imprensa, o secretário da Saúde de São Paulo, David Uip, afirmou que o Estado declarou “morte ao mosquito” Aedes aegypti. No início da próxima semana, haverá uma reunião entre o Governo do Estado e membros do Exército e da Defesa Civil para avaliar as estratégias que serão usadas para ampliar o combate ao vetor.

São Paulo enfrentou neste ano uma epidemia recorde de dengue, com a notificação de 954.696 casos. O pico da doença foi em março e abril. A grande preocupação é que no próximo pico da epidemia, que deve ocorrer nos mesmos meses, além de um aumento dos casos de dengue aconteça também um surto do zika vírus, causado pelo mesmo mosquito vetor.

O zika está sendo associado ao pico de casos de microcefalia (1.761, até a última terça-feira), uma malformação cerebral identificada em fetos e recém-nascidos. Especialistas acreditam que o vírus tenha entrado no país pelo Nordeste, que no verão passado apresentou uma enorme incidência de casos. A tendência é que ele passe a circular com força neste verão também no Sudeste.

Em São Paulo houve neste ano 54 casos de microcefalia, segundo Uip, de acordo com o site G1. O número é um pouco acima da média de casos de anos anteriores (44 tanto em 2013 como em 2012), mas ainda não é possível dizer que eles tenham relação com o zika, afirmou. Na coletiva ocorrida nesta sexta, ele evitou falar em números. Dados atualizados do Estado serão repassados ao Ministério da Saúde, que os informará na próxima terça-feira, na divulgação do próximo boletim epidemiológico sobre a microcefalia.

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