Seleccione Edição
Login

Executivos do Facebook na Alemanha investigados por incitar o ódio racial

Promotoria de Hamburgo abre investigação após uma denúncia por mensagens xenófobas

Seguidores del movimiento Pegida
Seguidores do Pegida na tarde em Dresden. AFP

Em uma ação inédita da justiça alemã, a promotoria de Hamburgo confirmou na segunda-feira que abriu uma investigação oficial contra três executivos de alto escalão do Facebook, responsáveis pela rede social na Alemanha, para determinar se cometeram o crime de “incitação ao ódio racial”, por não tomarem medidas para censurar as mensagens que se propagam na rede social dirigidas contra a chegada de refugiados ao país, como as difundidas pelo movimento xenófobo Pegida e o partido neonazista NPD.

Segundo a promotoria, os executivos Athwal Jaspal Singh, Shane Crehan e David William Kling deverão responder, como responsáveis pelo Facebook Germany GmbH, à acusação de cumplicidade no crime de incitação ao ódio racial e de ter utilizado logotipos de organizações anticonstitucionais. A medida foi adotada depois do estudo de uma denúncia do advogado Chan-jo Sun, apresentada em 16 de setembro e na qual o advogado acusa a rede social de ganhar dinheiro com a difusão de mensagens xenófobas.

“A promotoria iniciou uma investigação porque a denúncia menciona fatos concretos”, disse a porta-voz da Promotoria, Nana Frombach, “mas ainda é cedo para afirmar se a investigação se traduzirá em fatos concretos”, acrescentou.

Em sua denúncia, o advogado argumenta que sem os rendimentos de publicidade o site não pode continuar funcionando. “Com esse fato o Facebook Germany GmbH alimenta de sua sede em Hamburgo a difusão de conteúdos xenófobos proibidos por lei”. O advogado acusa o Facebook de difundir mensagens de ódio que não foram apagadas da página do Facebook e que aumentaram desde o início da crise dos refugiados no país.

“Não são fatos isolados e se trata de uma política empresarial habitual do Facebook consentir e difundir conteúdos ilegais”, disse o advogado, citado pelo jornal Spiegel Online. Segunda sua alegação, os acusados são responsáveis por cometer atos ilegais. Para fundamentar sua acusação contra os três executivos de alto escalão do Facebook, Chan-jo Sun enviou à promotoria uma lista com 60 mensagens onde seus autores incitam à violência, propagam o ódio racial e insultam os estrangeiros.

A maioria das mensagens ainda pode ser lida em diversas páginas do Facebook, entre elas a seguinte: “É preciso armar as forças da ordem para que fuzilem todos os falsos refugiados”. “O Facebook não mostrou nenhum interesse em mudar sua política em relação às mensagens de ódio. Todos denunciam que o Facebook difunde mensagens que incitam ao ódio racial e que a promotoria deveria agir. Mas ninguém fez nada e por isso decidi apresentar a denúncia”, explica o advogado.

A decisão da promotoria de iniciar uma investigação oficial contra os três executivos não foi comentada pelo Facebook, mas a ação pode reviver um antigo desejo do Governo alemão, que já havia tentado sem sucesso obter a colaboração do Facebook para eliminar do site as mensagens xenófobas. Durante um encontro realizado em Berlim, Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, prometeu à chanceler Angela Merkel tomar uma atitude sobre o assunto. A promessa não foi cumprida.

Na segunda-feira, por exemplo, quando o Pegida completou um ano de vida, foi possível ler no Facebook que o movimento xenófobo se autoproclama como “a única voz” de todas as pessoas que são contrárias à chegada dos refugiados, e convida toda a população de Dresden a participar de uma manifestação com o lema “Por amor ao seu país”.

O Pegida tem 171. 346 seguidores no Facebook e o mais famoso de todos os partidos neonazistas do país, o NPD, tem 138.256 seguidores.

MAIS INFORMAÇÕES