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Varoufakis: “Pedi perdão ao Podemos depois do Syriza se dar por vencido”

O ex-ministro grego diz que “Madri parece reforçar a luta pela independência” na Catalunha

Yanis Varoufakis Ampliar foto
O ex-ministro de Finanças grego, Yanis Varoufakis.

O ex-ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, afirmou hoje que teve de se “desculpar perante “o pessoal do [partido espanhol] Podemos” depois que o presidente do país, Alexis Tsipras “se deu por vencido” e assinou o acordo com a troika para obter o terceiro pacote de resgate da dívida. “Olhei para o pessoal do Podemos bem nos olhos e lhe pedi desculpas. Causamos um grande estrago para eles ao nos dar por vencidos”, declarou. O ex-chefe das Finanças foi bastante crítico em relação à Administração de Tsipras e defendeu que “nenhum ministro” atual do governo “acredita em sua política”.

Em entrevista nesta manhã à Catalunya Ràdio, o ex-ministro grego afirmou que, depois que Tsipras assinou o acordo com a troika, ele disse aos dirigentes da organização espanhola de esquerdas, liderada por Pablo Iglesias: “Causamos muitos estragos a vocês, companheiros do Podemos”. “Nós dizíamos ‘Syriza e Podemos venceremos’, mas nós nos demos por vencidos”, acrescentou. Mesmo assim, o ex-ministro grego fez um apelo ao Podemos para que não jogue a toalha. Varoufakis garantiu que, apesar da crise atual, a Espanha tem “uma economia séria, grande, com um grande setor industrial e exportador”, razão pela qual um Governo espanhol que negociasse “de forma sensata, mas com energia” teria a chance de “mudar a Europa”. “Nós nos demos por vencidos rapidamente porque somos pequenos e frágeis, e ninguém nos apoiava”, lamentou.

Na sua opinião, o Podemos deve “seguir adiante em seu caminho” e “superar” aquilo que aconteceu na Grécia. Para isso, sugeriu à organização que elabore um programa antes das eleições de 20 de dezembro, no qual detalhe qual seria a sua posição quanto ao euro. “O Podemos deveria deixar claro para o povo espanhol e europeu o seu posicionamento. Se os partidos progressistas da Espanha fizerem isso, a primavera de Atenas será então lembrada como uma primeira rebelião em uma guerra que será, ao final, vencida pelas forças da razão e do progresso”, insistiu.

Varoufakis fez também referência à situação na Catalunha, comentando que “parece até que Madri procura reforçar o movimento independentista da Catalunha” ao tomar decisões como a de vetar um plebiscito sobre a independência.

Varoufakis afirmou reconhecer o mal-estar vigente entre os catalães. “É muito claro que existe uma rejeição a dois fracassos: o da Europa e o do Governo central espanhol. Por isso, os catalães reivindicam a oportunidade de ter um governo próprio”, acrescentou.

Na entrevista, o ex-ministro declarou ter uma boa relação com o ministro da Economia e Competitividade espanhol, Luis de Guindos, que se sentava ao lado dele nas reuniões do Eurogrupo. “Gosto muito dele”, disse o ex-ministro, acrescentando que, quando conversavam a sós nesses encontros, longe das câmeras, ambos convergiam para um mesmo diagnóstico da situação. Varoufakis afirmou, no entanto, que países como a Espanha e a Irlanda se mostravam preocupados com a possibilidade de a troika ceder às demandas gregas depois de ter imposto as receitas de austeridade em seus países, já que seria difícil explicar aos seus habitantes a adoção dessas medidas caso a alternativa proposta pelo ex-chefe das Finanças grego desse certo. “A imposição de se pagar já nos próximos meses os impostos referentes ao ano seguinte implica acabar conosco”, lamentou. Sobre esse assunto, afirmou que a Espanha e a Grécia são “comparáveis”, mas, ao mesmo tempo, “muito diferentes”. “Estamos envolvidos em uma mesma crise. A Espanha não pode ser tratada como um mineiro que morre na mina para salvar os outros”, concluiu.

Varoufakis fará ainda hoje uma palestra no Born Centre Cultural de Barcelona. Ontem, o ex-ministro esteve com a prefeita da capital catalã, Ada Colau, para debater sobre “cidades e democracia”, segundo informou a própria governante em sua conta no Twitter. “Uma outra Europa é possível, e a construiremos a partir de baixo”, afirmou Colau.

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