A crise migratória

Alemanha espera receber de 5.000 a 10.000 refugiados neste sábado

Munique, que se prepara para um dos dias mais intensos da crise migratória, recebe os primeiros refugiados

Refugiados chegam a Nickelsdorf, na fronteira austro-húngara.
Refugiados chegam a Nickelsdorf, na fronteira austro-húngara.F. A. (AP)

A Hungria pôs fim na noite de sexta-feira ao vergonhoso êxodo a pé que centenas de refugiados empreendiam a partir de Budapeste, na esperança de alcançar a fronteira com a Áustria. Dezenas de ônibus recolheram os refugiados que caminhavam pela rodovia e os que permaneciam na estação Keleti, na capital húngara, levando-os até a fronteira com a Áustria. De acordo com a polícia austríaca, já há 4.000 refugiados no local.

Premiê finlandês oferece casa

reuters

O primeiro-ministro finlandês, Juha Sipilä, ofereceu neste sábado uma casa de sua propriedade para acolher refugiados em Kempele, no norte do país. Sipilä disse que essa casa é pouco usada atualmente e poderia alojar as pessoas que pedem asilo, no começo do ano que vem. “Todos nós precisamos nos olhar no espelho e perguntar como podemos ajudar”, disse o premiê à emissora de TV YLE.

Sipilä considera que o plano para a distribuição de 120.000 refugiados nos países da União Europeia deve ser voluntário, e espera que a Finlândia dê o exemplo. O Governo finlandês decidiu na sexta-feira duplicar de 15.000 para 30.000 o número de refugiados que admitirá no país neste ano.

Com essa decisão, o Governo húngaro tentava resolver o desafio constituído pelos milhares de migrantes, na maioria sírios, que cruzam seu território na tentativa de chegar à Alemanha, cujo Governo prometeu acolhê-los. No final da noite de sexta-feira, o Governo austríaco anunciou que, junto com a Alemanha, abriria suas fronteiras aos refugiados procedentes da Hungria. Viena informou por volta das 12h (hora local, 6h em Brasília) que cerca de 6.500 refugiados haviam entrado no país desde a madrugada, e que quase todos prosseguiam na direção da Alemanha. “Praticamente todos querem continuar a viagem para a Alemanha. O prosseguimento da viagem está autorizado”, disse o Ministério do Interior da Áustria em um sucinto comunicado via Twitter.

Um trem especial com 450 refugiados já chegou à estação de Munique, informa a agência Reuters, citando fontes da polícia alemã. A Alemanha calcula que chegarão ao país neste sábado entre 5.000 e 10.000 refugiados procedentes da Hungria, o que triplicará o fluxo dos dias anteriores, segundo a Reuters. “É três vezes mais que nos outros dias. Pouco a pouco vamos chegando ao limite da nossa capacidade”, disse Ivo Priebe, porta-voz da polícia federal.

Na Alemanha, os trens com refugiados procedentes da Áustria serão direcionados para Munique. Alguns dos refugiados, no entanto, serão levados a instalações de acolhida em uma escala anterior, na cidade bávara de Rosenheim.

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Centenas de agentes da polícia federal, órgão encarregado da segurança nas ferrovias, estarão de prontidão para auxiliar os refugiados, registrá-los e levá-los aos centros de acolhida.

Em Budapeste, a estação Keleti voltou a se encher de migrantes a partir do começo da manhã, quando circulou a notícia de que o Governo húngaro finalmente fretaria ônibus e permitiria a passagem de trens rumo à Áustria e Alemanha. Cerca de 1.000 pessoas se reuniram numa área próxima à estação, protegendo-se da chuva matinal.

Demonstrando uma flexibilidade que faltou ao Governo húngaro, Viena preparou durante a noite um primeiro centro de acolhida na localidade fronteiriça de Nikelsdorf, com apoio da Cruz Vermelha. A chegada maciça de ônibus e carros está provocando grandes congestionamentos nessa fronteira, pois as autoridades revistam todos os veículos a fim de evitar situações como a desta semana, quando dezenas de cadáveres de cidadãos sírios foram encontrados em vários caminhões.

Segundo o Governo austríaco, os refugiados que chegarem a Nikelsdorf serão encaminhados por trem até Munique, onde também serão bem recebidos. Até 4.000 pessoas chegaram durante a madrugada a esta localidade austríaca, segundo dados da polícia, que espera até 10.000 ao longo do dia. Depois de desembarcarem no lado húngaro da fronteira, os refugiados são levados à estação ferroviária de Nikelsdorf ou a uma casa de shows dos arredores, chamada Nova Rock Halle, onde um centro de acolhida dos refugiados já funciona há alguns meses.

Decisão inesperada

A oferta de ônibus por parte do Governo húngaro foi inesperada e contraditória, pois ao mesmo tempo Budapeste bloqueou as saídas de trens com destino à Europa Ocidental, o que teria evitado o insalubre acampamento instalado na estação Keleti, no centro da capital húngara.

Segundo a agência AFP, o primeiro contingente de refugiados, composto por 400 pessoas, incluindo muitas mulheres e crianças, desembarcou durante a noite, sob chuva, e cruzou a fronteira a pé. A “situação de emergência" levou as autoridades da Áustria e Alemanha a autorizarem a passagem dos refugiados e auxiliá-los em seu objetivo. Essa onda migratória chegou ao coração da Europa atravessando vários países (Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia e Hungria) e, no caminho, além de impedimentos de todo tipo, os refugiados também foram vítimas de traficantes de pessoas que lhes exigiram dinheiro e inclusive deixaram-nos morrer asfixiados em caminhões de carga.

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