Crise Política na Guatemala

A corrupção acossa os dirigentes da América Central

Nos últimos 25 anos, 15 presidentes de países da região estiveram sob suspeita

O panamenho Ricardo Martinelli Berrocal.
O panamenho Ricardo Martinelli Berrocal. (REUTERS)

O guatemalteco Otto Pérez Molina e o panamenho Ricardo Martinelli Berrocal se somaram neste ano a outros 13 presidentes centro-americanos que foram denunciados entre 1990 e 2015 por supostos atos de corrupção política cometidos antes, durante ou depois de suas gestões. Otto Pérez apresentou sua renúncia na quarta-feira, um dia depois de o Congresso cassar sua imunidade.

Martinelli, cujo mandato de cinco anos terminou em 1º. de julho de 2014, está refugiado em Miami desde janeiro, quando a Corte Suprema de Justiça do Panamá aprovou a cassação da sua imunidade para que fosse julgado por supostos atos de corrupção. Martinelli também nega as acusações.

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Contando com Martinelli e Pérez Molina, 15 presidentes que governaram algum de seis países centro-americanos nos últimos 25 anos estão ou estiveram sob suspeita de irregularidades. Os demais são: os costa-riquenhos Rafael Ángel Calderón (1990-1994), José María Figueres (1994-1998) e Miguel Ángel Rodríguez (1998-2002); os panamenhos Ernesto Pérez Balladares (1994-1999) e Mireya Moscoso (1999-2004); o salvadorenho Francisco Flores (1999-2004); os hondurenhos Rafael Callejas (1990-1994) e Manuel Zelaya (2006-2009); os nicaraguenses Arnoldo Alemán (1997-2002), Enrique Bolaños (2002-2007) e Daniel Ortega (1985-1990 e desde 2007); e os guatemaltecos Jorge Serrano (1991-1993) e Alfonso Portillo (2000-2004).

Recursos públicos

Dos 15, só Calderón, Rodríguez, Alemán e Portillo foram para a cadeia, ao passo que Flores continua sob prisão domiciliar. Portillo foi extraditado em maio de 2013 para os Estados Unidos por lavagem de dinheiro. O político conseguiu reduzir a pena ao admitir as acusações e, em fevereiro passado, voltou à Guatemala.

Já Juan Orlando Hernández, atual presidente de Honduras, admitiu que usou o dinheiro proveniente de um milionário desfalque previdenciário para financiar parte da campanha eleitoral que o elegeu, em 2013. Mesmo assim, o político não foi formalmente acusado de irregularidades no uso de recursos públicos, o que não impediu que milhares de cidadãos, indignados, exigissem sua renúncia imediata. Em muitos países da região, sucedem-se intensos protestos sociais contra dirigentes acossados por denúncias de corrupção.

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