Porque és a CPI da CPI da CPI da CPI

Sob o risco de caetanear o que há de ruim, talvez o avesso do avesso funcione nas comissões de inquérito do Congresso Nacional

Assim como o Carnaval e a feijoada, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é patrimônio nacional. O jeitinho parlamentar brasileiro de investigar não tem paralelo no mundo inteiro. Vossa Excelência? É coisa nossa. Malemolência? É coisa nossa. E o cafezinho com quilos de açúcar no plenário? É coisa nossa. Eficiência? Bem...

Mais informações

Há quem diga já ter visto CPIs entregarem o que prometeram, como no caso da CPI que investigou PC Farias, na dos Anões do Orçamento ou a CPI dos Correios, de 2005, que, por avançar perigosamente em direção à área adversária, seria logo substituída pela CPI do Mensalão — da qual não saiu nada mesmo. Também há quem diga ter visto o Boitatá, o Curupira e o Saci.

A Câmara dos Deputados instalou duas novas comissões para investigar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os fundos de pensão públicos. Nada leva a crer que farão mais do que barulho, e, pelo clima de rebelião do Congresso Nacional, devem castigar ainda mais o Governo Dilma, como já vem fazendo a CPI da Petrobras. O ímpeto dos parlamentares dessas comissões durará enquanto Dilma durar na presidência. Quem se contenta com os estragos ao Governo pode celebrar a criação das duas novas comissões. É coisa nossa.

Perceba, contudo, que ao confrontar a advogada Beatriz Catta Preta, a CPI da Petrobras afastou da Operação Lava Jato a criminalista que mais fechou acordos de colaboração premiada no caso. O que vale mais? A recuperação de 870 milhões de reais e a condenação de 30 pessoas em pouco mais de um ano de investigação, consequência do desmantelo de um grupo que assaltou a República, ou a tentativa de salvamento de um grupo político dentro do Parlamento, ainda que às custas de outro?

Frustrado com os rumos de outra CPI, a do HSBC, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL) sugeriu recentemente criar uma CPI da CPI. Sob o risco de caetanear o que há de ruim, talvez o avesso do avesso funcione. Ou não.

A ideia de uma espiral infinita de CPIs não parece de todo ruim, entretanto. Enquanto estão tentando se fulminar nas comissões, é bom lembrar, os parlamentares deixam de aprovar leis que, quando não são simplesmente inócuas, só servem para contentar grupos específicos, iludir o eleitorado ou atrapalhar a população.

Pensando bem, um viva às CPIs!