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Militares dos EUA impedem massacre dentro de trem entre Amsterdã e Paris

O autor era conhecido pelos serviços secretos da França e residiu em Espanha em um ano

Polícia inspeciona um vagão do trem onde ocorreu o ataque, na sexta-feira, em Arras (França).
Polícia inspeciona um vagão do trem onde ocorreu o ataque, na sexta-feira, em Arras (França). AFP

Um homem com um fuzil automático Kalashnikov, uma pistola e uma faca abriu fogo na sexta-feira em um trem que ia de Amsterdã a Paris, até ser dominado por dois passageiros, ambos soldados norte-americanos. Um dos militares, assim como outro passageiro, ficaram feridos. O agressor, que foi detido, se chama Ayoub El Kahzzani e é um marroquino de 26 anos vigiado pelos serviços secretos por seus vínculos com o islamismo radical. Neste sábado ele foi levado à sede da Subdireção de Antiterrorismo da Polícia, nos arredores de Paris.

A tentativa de ataque - que poderia ter se transformado em um verdadeiro massacre, segundo as autoridades locais - ocorreu pouco antes das seis da tarde (horário local) na parte de trás da composição, de acordo com o porta-voz da SNCF, sede do Thalys, Christophe Piednoël. Dois militares norte-americanos da OTAN em trajes civis ouviram o homem que estava no compartimento do banheiro do trem acionar uma arma e conseguiram neutralizá-lo quando saiu, segundo vários órgãos de imprensa. Nesse momento, ele abriu fogo, segundo vários noticiosos.

As forças de segurança teriam descoberto em seu poder um fuzil Kalashnikov, uma pistola automática, nove carregadores e uma arma branca.

O trem, da empresa Thalys, foi desviado para a estação de Arras, no norte da França, onde o agressor foi detido. Segundo a agência France Presse, ele era fichado pelos serviços de inteligência franceses. A procuradoria antiterrorismo de Paris abriu uma investigação. O presidente francês, François Hollande, afirmou que vai pôr todos os meios à disposição para esclarecer o ocorrido.

Dois passageiros ficaram feridos, incluindo um dos soldados norte-americanos. Um foi ferido à bala e outro, por arma branca. Trata-se de Spencer Stone e Alex Skarlatos, membros da Força Aérea e da Guarda Nacional, respectivamente.

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, chegou na noite de sexta-feira ao lugar dos fatos, onde visitou as forças de segurança e os feridos atendidos pelos serviços de emergência e por equipes de psicólogos e da logística da SNCF. Cazeneuve qualificou o comportamento do assaltante como “extremamente perigoso” e agradeceu aos norte-americanos por sua intervenção, quer permitiu evitar “um drama terrível”.

Cazeneuve pediu a maior cautela possível no que se refere à “identidade e o perfil” do indivíduo preso, “como em todo o caso que possa ter um caráter terrorista”, e falou da coordenação com o procurador de Paris, Xavie Molins. “A polícia científica e técnica está operando sob a autoridade do procurador encarregado das investigações. Comunicaremos [as novidades] quando estivermos em condições de poder fazê-lo.”

França, alvo dos jihadistas

Em janeiro, a França foi cenário de um duplo atentado terrorista contra a redação do semanário Charlie Hebdo e um supermercado judaico em Paris, no qual morreram 17 pessoas e os três terroristas. Os atentados foram obra dos irmãos Kouachi, vinculados à Al Qaeda no Iêmen, e Amedy Coulibaly, que se declarou ligado ao Estado Islâmico.

O presidente Hollande se entrevistou por telefone com o primeiro-ministro belga, Charles Michel, com quem se comprometeu a “cooperar estreitamente” na investigação. O homem, segundo a mídia francesa, supostamente tomou o trem em Bruxelas. Tanto Hollande como o primeiro-ministro Manuel Valls manifestaram sua solidariedade às vítimas.

A cidade de Arras destinou uma sala próxima da estação para acolher os 368 passageiros do trem, muitos deles em estado de choque, segundo o diário local La Voix du Nord.

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