Ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter sofre de câncer no cérebro

Político democrata de 90 anos, começa tratamento e se mostra sereno

Jimmy Carter, na coletiva de imprensa desta quinta-feira. ERIK S. LESSER (EFE) | reuters-live! (reuters_live)

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter revelou nesta quinta-feira que foi diagnosticado com câncer. Carter, de 90 anos, informou que foram detectados quatro pequenos focos de melanoma no cérebro, e que os médicos removeram uma parte de seu fígado. A primeira sessão de radioterapia para seu tratamento começou nesta quinta-feira em um hospital de Atlanta.

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Em uma conferência de imprensa em Atlanta, Carter manteve seu habitual sorriso e demonstrou uma força e serenidade impressionante em relação ao câncer, suas possíveis consequências e seu legado pessoal. "Estou preparado para qualquer coisa e espero uma nova aventura," disse Carter, que ocupou o Salão Oval da Casa Branca entre 1977 e 1981. "Está nas mãos de Deus", acrescentou.

O ex-presidente democrata e ex-governador do Estado da Geórgia, onde nasceu, afirmou que se sente fisicamente "bem" e disse, rindo, que se sente "abençoado" pela vida "maravilhosa e gratificante" que teve. Lamentou não poder fazer a viagem que estava prevista para as próximas semanas ao Nepal, para participar de um projeto de construção de moradias liderado por sua fundação. E desejou poder continuar a dar aulas de religião aos domingos.

Carter disse que seu neto Jason — que em novembro de 2014 assumiu o Governo da Geórgia — cuidará do Centro Carter, criado pelo ex-presidente depois de deixar a Casa Branca, e que concentra suas atividades no apoio social e promoção da democracia em todo o mundo. Esse trabalho foi reconhecido em 2002 com o Prêmio Nobel da Paz por suas "décadas de esforços incansáveis para encontrar soluções pacíficas para conflitos internacionais, para fazer avançar a democracia e os direitos humanos, e promover o desenvolvimento econômico e social".

A presidência de Carter terminou há 34 anos, mas sua imagem de líder fraco e a polêmica gestão da crise de energia ou dos reféns na embaixada dos EUA no Irã continuam a ofuscar suas conquistas. Entre elas, o acordo de Camp David entre Israel e o Egito, que levou ao fim do confronto entre os dois países.

De acordo com uma pesquisa realizada no ano passado pelo Gallup, Carter é o ex-presidente dos EUA vivo mais impopular: sua aprovação é de 52%, um ponto a menos que George W. Bush, que deixou a Casa Branca em 2009.

Carter é quatro meses mais jovem do que George H. W. Bush, o ex-presidente dos Estados Unidos mais velho ainda vivo, que ocupou o cargo entre 1989-1993.

Questionado sobre o seu legado, Carter disse que a melhor decisão da sua vida foi ter se casado com sua esposa há 69 anos; seu maior arrependimento, não ter conduzido melhor o sequestro de norte-americanos na embaixada dos EUA em Teerã; e, seu maior desejo, que seja encontrada uma solução pacífica para o conflito entre Israel e a Palestina. Nos últimos anos, Carter tem se mostrado muito crítico em relação a Israel, acusando o país de estabelecer um apartheid contra os cidadãos palestinos.

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