Evo Morales dá passo para normalizar as relações com os Estados Unidos

Presidente se reúne com o encarregado de Negócios norte-americano residente no país

O presidente Evo Morais em uma coletiva de imprensa em 3 de agosto.
O presidente Evo Morais em uma coletiva de imprensa em 3 de agosto.

Pela primeira vez desde a expulsão do embaixador dos EUA da Bolívia, em 2008, o presidente Evo Morales se reuniu com o encarregado de Negócios norte-americano residente no país, Peter Brennan, e conversou sobre formas de melhorar as relações entre os dois países, até chegarem ao ponto de designar embaixadores.

Ultimamente, os diplomatas norte-americanos têm tentado uma aproximação com o Governo, o que parecia ter acontecido em duas ocasiões, mas, finalmente, acabou sendo frustrada pela oposição direta de Morales, que fez sua carreira política em constante oposição a Washington, sua política e seus líderes.

Os discursos presidenciais contra o “império” norte-americano são diários e seu ataque à administração de Barack Obama quando declarou a Venezuela uma ameaça à segurança dos Estados Unidos foi duro. Durante o Governo anterior do presidente boliviano, verificou-se que Washington tinha chegado a nomear um candidato para embaixador, mas este não recebeu a aprovação da Bolívia. Agora Brennan afirma que o processo de designação de embaixadores, que faz parte de um acordo assinado em 2011 pelos Ministérios das Relações Exteriores dos dois países, avançará “passo a passo” e não quer dar as coisas como consumadas.

Morales começou sua liderança na década de 1980 como dirigente dos produtores de coca, que enfrentaram durante décadas a política antidrogas promovida pela embaixada dos Estados Unidos no país, o que marcou fortemente a ideologia do futuro presidente. Uma vez no poder, ele rapidamente expulsou a DEA, a agência antidrogas dos EUA, contra a qual lutara nos dias em que seu sindicato exigia mais espaço para a produção de coca. Em seguida, fez o mesmo com o embaixador Philip Goldberg, que pouco antes havia se reunido com os governadores da oposição num momento em que a polarização da sociedade atingia o auge, e quando a Venezuela de Hugo Chávez tinha feito algo semelhante. Por último, e por razões parecidas, expulsou da Bolívia a agência de cooperação USAID, que funcionava no país há mais de meio século.

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Apesar disso, diplomatas nomeados por Obama no país não apenas se mostram críticos com a atitude dos EUA no passado, quando a embaixada autorizava mudanças de ministros, como também se esforçam para fazer com que os governantes esquerdistas os vissem como aliados e não como inimigos, uma posição rejeitada pela oposição republicana norte-americana, assim como pela oposição mais radical na Bolívia, segundo a qual Obama age como “cúmplice” da redução das liberdades democráticas que atribui ao Governo de Morales.

As conversações entre os dois países podem estar agora mais bem encaminhadas do que no passado porque Morales, com nove anos de gestão e mais de 70% de aprovação, pode prescindir da popularidade que lhe proporcionou até agora a marginalização da outrora poderosa embaixada dos EUA a um papel de terceira linha.

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