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Lava Jato tem aval do Supremo para investigar Collor e outros políticos

A operação faz busca e apreensão em endereços de parlamentares de 6 Estados e o DF

Collor discursa no Senado em 1 de junho.
Collor discursa no Senado em 1 de junho. Agência Senado

Com o avanço da Lava Jato, chegou a vez de os políticos entrarem na mira da investigação que está ativa há pouco mais de um ano e que já recuperou 570 milhões de reais aos cofres públicos. Nesta terça-feira, a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República começam a cumprir 53 mandatos de busca e apreensão em sete estados brasileiros, incluindo Alagoas, onde será indagado o ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL).

A atual fase da operação, batizada de Politeia (que significa, em grego, “cidade perfeita” e se refere ao livro A República, de Platão), é a primeira no âmbito do Supremo Tribunal Federal – a que estão submetidos os políticos – e foi autorizada pelos ministros Teori Zavascki, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski. No alvo da investigação neste momento, além de Fernando Collor de Mello, estão também Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE).

Ao todo, 47 políticos estavam sendo investigados com autorização do Supremo. Entre eles, há 22 deputados federais, 12 senadores, 12 ex-deputados e uma ex-governadora, pertencentes a cinco partidos – encabeçados pelo PP, com mais políticos que responderão a inquéritos (32), seguido por PMDB (sete), PT (seis), PSDB (um) e PTB (um). A eles, juntam-se o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o lobista Fernando Soares.

As buscas acontecerão nas residências dos investigados, em escritórios de advocacia, órgãos públicos e sedes de empresas, como o canal de televisão de Collor, em Alagoas. Segundo a Polícia Federal, “o objetivo é evitar que provas sejam destruídas pelos investigados”. Algumas das medidas, expedidas pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, visam também à apreensão de bens adquiridos com recursos do esquema de corrupção na Petrobras. Janot defendeu a ação da PF em uma nota oficial, ao afirmar que “as medidas são necessárias ao esclarecimento dos fatos investigados no âmbito do STF”

PF apreende carros de luxo do senador Fernando Collor. Na imagem, uma Lamborghini é levada da residência do ex-presidente em Brasília. ampliar foto
PF apreende carros de luxo do senador Fernando Collor. Na imagem, uma Lamborghini é levada da residência do ex-presidente em Brasília. Folhapress

Em Pernambuco, oito mandados de busca e apreensão já foram cumpridos esta manhã, envolvendo o senador Fernando Bezerra de Coelho (PSB-PE) e o líder do PP na Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte. Outros 12 mandados estão em curso no DF, 11 na Bahia, sete em Alagoas, cinco em Santa Catarina, cinco no Rio de Janeiro e cinco em São Paulo.

O nome de Bezerra foi citado no depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O senador pernambucano, que era secretário de Desenvolvimento do Estado, teria pedido 20 milhões de reais para a campanha de reeleição de Eduardo Campos ao Governo do Estado em 2010. No caso do ex-presidente Fernando Collor e do presidente do PP, Ciro Nogueira, foi Alberto Youssef, um dos delatores da Lava Jato, quem os implicou como beneficiários do esquema de desvios da estatal.

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