COMIC-CON 2015

Zumbis se aliam a super-heróis

Convenção termina sua 46ª edição com as séries de televisão como grandes protagonistas

Há 45 anos a Comic-Con era coisa de revistas em quadrinhos. Por isso o nome, escolhido antes de Hollywood se interessar e, com o passar do tempo, transformá-la em uma convenção de cultura pop. Agora, com o encerramento de mais uma edição, a rainha é a televisão. Enquanto estúdios como Marvel, Sony e Paramount se ausentaram este ano do famoso Hall H, onde milhares de entusiastas se juntam para saber o novo anúncio midiático, as televisões se apressaram em preencher a programação com a apresentação de suas séries. E algumas delas, como The Walking Dead, Game of Thrones e Doctor Who, são tão populares como muitos filmes exibidos, programados junto com a apresentação do Episódio VII de Guerra nas Estrelas. “Pessoas como Norman Reedus são os Elvis Presleys de hoje”, disse o ator Bruce Campbell a este jornal, dando como exemplo um dos protagonistas da popular série de zumbis. Ele mesmo chamou muita atenção na Comic-Con por causa de sua nova série, Ash vs Evil Dead, lançada nos últimos dias.

Escapismo no gênero

Uma das muitas razões que explicam a presença televisiva nesse evento feito por e para nerds é a proliferação de zumbis, super-heróis e séries do gênero na antes chamada telinha. “Há um certo escapismo no gênero que é o que o faz continuar crescendo. Essas séries são um reflexo de nossa sociedade e, ao mesmo tempo nos permitem escapar dela”, disse Tatiana Maslany ao EL PAÍS durante a apresentação de sua série de ficção científica Orphan Black. Muita gente concorda com ela, como é o caso de Melissa Benoist, a nova Supergirl. “Escapismo, é óbvio. Um sentimento de realidade aumentada e fantástica que nos entretém, mas, ao mesmpo tempo, com o coração e com os pés no chão”, afirmou.

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O número de séries está aumentando. Agents of S.H.I.E.L.D. foi a primeira a expandir o universo Marvel para televisão há apenas três temporadas. Agora, as séries de gênero apresentadas na convenção se multiplicaram notavelmente. Robert Kirkman terminou sua última temporada de The Walking Dead transformando San Diego em uma Los Angeles próxima da invasão zumbi, para divulgar Fear of The Walking Dead, sua nova volta aos mesmos mortos vivos. Isso além de apresentar sua nova série de terror, Outcast, já vendida a 125 países.

No campo dos super-heróis, Supergirl terá de competir com os superpoderes do Heroes Reborn, relançamento da popular série de cinco anos atrás. E Sam Raimi banhou de sangue a telinha com a ressurreição do sanguinolento clássico Evil Dead, agora para a televisão sob o título de Ash vs Evil Dead. Como reconheceu seu irmão Ivan, roteirista da série, conceitos como o de Evil Dead serão capazes de levar o cinema adiante enquanto continuar existindo a política de buscar grandes bilheterias. “Entretanto, a televisão, em sua idade dourada, está faminta por conteúdo”, afirmou.

Evolução tecnológica

Outro fator a considerar é a evolução tecnológica dos últimos anos. O que antes era exagerado ou inviável nos efeitos especiais com orçamentos televisivos, agora é viável. “Continua sendo um orçamento vultoso e com jornadas brutais, mas você nunca viu nada igual na televisão”, promete Jack Coleman, de volta em Heroes Reborn. “Há cinco anos Os Vingadores também não seriam o que são”, observa seu colega de distribuidora, Zachary Levi, aludindo à evolução dos efeitos visuais em cinema e televisão.

Falando em números

O que ainda não se sabe é se a moda dos zumbis e super-heróis veio para ficar. De todas as últimas séries do gênero que estrearam na televisão, só Gotham supera a média de 7,6 milhões de espectadores. E pelo menos as transmitidas em canais generalistas, como Agents of S.H.I.E.L.D. ou Agent Carter, estão muito longe de alcançar os índices de audiência esperados por esses canais com seus programas de uma hora.

Mas enquanto procura seu público em outras formas de transmissão, a Comic-Con continuará sendo um bom ponto de encontro entre fãs e séries. "Ao final, um nerd é apenas um apaixonado, e com isso todos nos identificamos", disse o ator Rupert Friend, conhecido rosto de Homeland e também presente na Con.

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