Crise na Grécia

Hollande e Merkel abrem as portas à Grécia para negociar uma saída

Líderes das duas grandes potências da zona do euro querem um acordo equilibrado

Merkel e Hollande nesta segunda-feira em Paris.
Merkel e Hollande nesta segunda-feira em Paris.BERTRAND GUAY (AFP)

A Alemanha e a França abriram as portas para que a zona do euro negocie com Atenas uma saída da grave crise desatada após a consulta de domingo. Na segunda-feira em Paris, em suas primeiras declarações públicas após a consulta, o presidente francês François Hollande e a chanceler Angela Merkel demonstraram seu respeito pela decisão do povo grego, “democrática e soberana”, e deixaram claro que “a porta está aberta” para escutar as propostas que Atenas agora deve apresentar ao restante dos países da zona do euro.

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Nas vésperas da crucial reunião extraordinária da eurozona, Merkel e Hollande também concordaram que Atenas deve apresentar suas propostas com urgência. “Não resta muito tempo. É urgente para a Grécia e para a Europa”, disse o presidente francês. “É urgente ter essa proposta para poder encontrar uma saída”, acrescentou a chanceler.

Mas os dois mandatários colocam também as características gerais que a proposta grega deve ter. Deve ser “precisa”, exige Merkel. Precisa ser “duradoura”, diz Hollande, ou seja, de longo alcance para evitar outra nova crise nos próximos meses, uma proposta que sirva aos gregos para a posteridade, insiste Merkel, uma vez que a Grécia pretende continuar com o euro. “Escutamos a mensagem de todos os partidos democráticos gregos e reafirmaram sua vontade em se manter na zona do euro”, disse Hollande.

O presidente e a chanceler também fizeram um pedido solene pela responsabilidade de todos. Da Grécia, primeiramente. Por isso, o presidente francês disse que é preciso encontrar um equilíbrio entre “solidariedade e responsabilidade”. “Esse equilíbrio é o que deve marcar nossa linha de conduta nos próximos dias”. Merkel, por sua vez, afirmou que os países europeus já deram “muitas provas de solidariedade”. “A última proposta que fizemos era muito generosa”, argumenta a chanceler, para acrescentar em duas ocasiões que agora é preciso saber a opinião dos outros 18 integrantes da zona do euro sobre a Grécia.

Paris e Berlim tentam limar suas discrepâncias passadas o mais rápido possível para apresentar um discurso semelhante na decisiva reunião do Eurogrupo (instância que reúne ministros de Finanças e outras autoridades da zona do euro).

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