crise econômica

Geração que viveu pleno emprego derruba a aprovação de Dilma

Pesquisa CNI/Ibope mostra que geração do pleno emprego reage mal à crise econômica

Dilma durante visita aos EUA.
Dilma durante visita aos EUA.Pete Marovich (Bloomberg)

Uma geração que não conheceu nada além do Brasil do pleno emprego dos dois Governos de Lula e de boa parte do primeiro mandato de Dilma, e que não sabia até recentemente o que era a inflação está ajudando a derrubar a aprovação da petista. Os dados da pesquisa CNI/Ibope divulgados nesta quarta-feira (1o ) mostram que o número de brasileiros que considera o Governo ótimo ou bom caiu de 12% em março para 9% em junho. O número de pessoas que avalia o mandato da petista como ruim ou péssimo subiu de 64% para 68%.

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“A questão do desemprego está assustando a população, principalmente os mais jovens”, afirma Renato da Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da Confederação Nacional das Indústrias. De acordo com ele, “os jovens estão desacostumados à inflação e ao desemprego, eles não conheceram estes problemas”, logo estariam mais suscetíveis a reagir negativamente em relação a isso. Diante de uma perspectiva de PIB negativo este ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, já acumula alta de 8,47% nos 12 meses até maio, bem acima do teto da meta inflacionária determinada pelo Banco Central (de 6,5%).

De acordo com o levantamento CNI/Ibope, “as maiores reduções da popularidade ocorrem nos estratos em que a presidente tende a ser melhor avaliada”: pessoas com renda familiar baixa, os que residem na região Nordeste e os que possuem baixo grau de instrução. Ou seja, a base eleitoral do PT está aos poucos dando as costas para o Governo. Isso em um contexto onde o próprio Lula criticou abertamente Dilma, admitindo que ela teria mentido nas eleições de 2014. E talvez a pior notícia para a presidenta seja que o fundo do poço ainda não chegou: “É possível cair mais? Sim”, afirma Fonseca. Ele cita o quadro econômico desfavorável e o aumento da inflação nos segundo semestre como fatores que podem derrubar ainda mais a aprovação do Governo.

Entre tantos outros indicadores negativos para a petista divulgados hoje – 83% desaprovam sua maneira de governar, 82% acham que o segundo mandato está sendo pior... – se destaca o abalo na popularidade da presidenta entra as pessoas que declararam ter votado nela no segundo turno das eleições em 2014.

O escândalo da Lava Jato também foi um dos fatores que contribuíram com a queda na popularidade de Dilma. Quando questionados sobre quais notícias associam ao Governo, 20% citaram o caso de corrupção na Petrobras. Outros 16% falaram das mudanças nas regras da aposentadoria, e 8% falaram das alterações no acesso ao seguro desemprego.

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