Crise na Grécia

Grécia libera transportes de graça e abre bancos para pensionistas

Governo grego adota medidas para aliviar o peso do ‘corralito’ sobre a população Supermercados, postos de gasolina e outros comércios funcionam com normalidade

Aposentados fazem fila nos bancos (legendas em espanhol).

Uma longa fila de aposentados aguardava desde as oito da manhã (2h, no horário de Brasília), em frente à sede central do Banco Nacional da Grécia, a principal entidade comercial do país. Esperavam a divulgação da lista de agências bancárias que abrirão suas portas só para os aposentados, pois muitos não possuem cartão e não podem retirar dinheiro dos caixas eletrônicos durante a semana em que os bancos permanecerão fechados.

“Disseram que, às 12h, abrirão algumas agências em Atenas e também nas principais cidades da Grécia, mas não há nada certo”, diz Panayotis, que resiste a confessar quanto ganha de aposentadoria. “1.500 euros” (cerca de 5.100 reais), diz em voz baixa, “mas é a soma de três aposentadorias do Governo, e ganhava 3.000 antes dos cortes. Obviamente, minha situação não é desesperadora como a de outros conhecidos”, acrescenta.

As filas são uma consequência das medidas adotadas pelo Governo grego para evitar um colapso das instituições financeiras. Além dos bancos, a Bolsa de Atenas também não abre as portas nesta segunda-feira – um fechamento que pode igualmente se estender por uma semana –, como parte de uma série de medidas de exceção, que incluem o limite de 200 euros (700 reais) por pessoa para a retirada de dinheiro em caixas eletrônicos, segundo várias fontes citadas por emissoras de TV. Por outro lado, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assegurou que as aposentadorias, os salários e a poupança dos gregos estão garantidos.

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“Pânico?”, pergunta-se retoricamente Yorgos, outro aposentado que se recusa a especificar sua aposentadoria, na mesma fila. “Pânico foi o da guerra civil, quando ao se deitar você não sabia se ia estar vivo no dia seguinte… Esta é outra guerra, a econômica. Vamos levando com calma, não há outra saída”.

Salvo a fila na porta do banco, a normalidade nas ruas é total: os supermercados abriram como outro dia qualquer, os postos de gasolina registram menos atividade que no domingo – as autoridades garantiram a existência de combustível suficiente – e o Governo anunciou que o transporte público em Atenas (metrô, ônibus e bondes) será grátis até a próxima terça-feira (a passagem normal custa 1,20 euro).

Diferentemente dos aposentados concentrados em frente ao banco, Aspasia, de 76 anos, diz que não está disposta entrar em fila nenhuma, tem só 50 euros em dinheiro, e sobrarão 20 após a radiografia que deve fazer nesta mesma manhã, conta ela. Com o restante quer comprar peixe e convidar seus filhos para comer. “Não tenho cartão, mas também não tenho medo. Não vou fazer filas. Tenho comida suficiente em casa e isso não me assusta de modo algum. Vivi a ocupação nazista e não me impressiona nada do que acontecer”.

“Chama atenção a resistência dos idosos”, comenta o dono de um estabelecimento vizinho ao banco, que ronda os quarenta. “Para nós, os jovens, é a primeira vez que devemos enfrentar um momento difícil, tenho certeza de que vamos sofrer mais que eles”.

No domingo, o Conselho de Estabilidade Financeira, se reuniu em Atenas sob o comando do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, e com a participação dos presidentes do Banco Central, Yanis Stournaras, e da União de Bancos da Grécia, Luka Katselli para anunciar as medidas que têm como objetivo para evitar o colapso financeiro depois da convocação, pelo Governo, de um referendo, e principalmente do anúncio do Banco Central Europeu (BCE) de que não aumentará a linha de crédito de emergência para a Grécia.

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