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Grécia impõe restrições para saque; bancos e Bolsa fecham nesta segunda

Entre as medidas adicionais está o limite de 200 euros por pessoa para saque

Tsipras assegura que salários, aposentadorias e a poupança dos gregos estão garantidos

Atenienses fazem fila em frente a um caixa.
Atenienses fazem fila em frente a um caixa. EFE

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou a imposição de um controle de capital com duras restrições para sacar dinheiro dos bancos, que fecharão nesta segunda-feira. Também divulgou uma mensagem tranquilizadora, na qual assegura que as aposentadorias, os salários e a poupança dos gregos estão garantidos.

O Conselho de Estabilidade Financeira, reunido neste domingo em Atenas sob o comando do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, e com a participação dos presidentes do Banco Central, Yanis Stournaras, e da União de Bancos da Grécia, Luka Katselli, decidiu fechar temporariamente os bancos a partir desta segunda-feira – por um período que oscilará entre dois dias e uma semana, segundo diferentes fontes – para evitar o colapso financeiro depois da convocação, pelo Governo, de um referendo, e principalmente do anúncio do Banco Central Europeu (BCE) de que não aumentará a linha de crédito de emergência para a Grécia.

Além dos bancos, a Bolsa de Atenas também não abrirá as portas nesta segunda-feira – um fechamento que pode igualmente se estender por uma semana –, como parte de uma série de medidas de exceção decididas pelo Conselho, que incluem o limite de 200 euros (700 reais) por pessoa para a retirada de dinheiro em caixas eletrônicos, segundo várias fontes citadas por emissoras de TV.

Horas antes da confirmação do fechamento dos bancos, declarações nesse sentido feitas por Varoufakis à rede britânica BBC já haviam feito a população voltar às ruas no meio-dia deste domingo – depois de um retorno temporário da calma quando a União de Bancos da Grécia determinou, na tarde de sábado, que fossem reabastecidos com fundos todos os caixas eletrônicos que tinham ficado sem dinheiro.

A iminência de uma segunda-feira trágica e as mensagens do Banco Central Europeu fizeram com que ficassem repletas de filas algumas áreas de Atenas que até então não haviam sucumbido ao nervosismo, como a praça central de Syntagma, o marco zero da cidade. Desde a tarde de sábado é bem visível a mobilização da polícia em torno de vários caixas, para evitar aglomerações e garantir a segurança dos clientes. Apenas durante o sábado saíram da Grécia cerca de 400 milhões de euros (quase 1,4 bilhão de reais).

Reações

Os líderes da França e da Alemanha convocaram reuniões de emergência. A chefe do Governo alemão, Angela Merkel, vai se reunir nesta segunda-feira com os líderes dos demais partidos para avaliar a situação. Por sua vez, o presidente francês, François Hollande, convocou para as 9h desta segunda-feira uma reunião de emergência do Conselho de Ministros para discutir a situação na Grécia após a ruptura das negociações para a prorrogação do resgate econômico.

Por enquanto, a Grécia continua conectada às linhas de crédito de emergência do Banco Central Europeu. A decisão de manter o nível atual de ajuda foi tomada neste domingo em uma reunião por teleconferência dos presidentes dos bancos centrais da zona do euro. O chefe do BCE, Mario Draghi, removeu assim uma das grandes incógnitas que pairavam sobre o sistema bancário grego, informa Claudi Pérez.

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