Atentados terroristas

Terrorismo jihadista ataca três continentes de uma vez

Três ações simultâneas na Tunísia, Kuwait e França deixam pelo menos 60 mortos

Saint-Quentin-Fallavier (França) - 26 jun 2015 - 22:03 UTC
Vítimas do atentado em uma mesquita no Kuwait, nesta sexta-feira.
Vítimas do atentado em uma mesquita no Kuwait, nesta sexta-feira.

Avança sem freio o terror do islamismo radical. A violência jihadista mostrou nesta sexta-feira sua capacidade letal com três ataques simultâneos em lugares tão distantes como Tunísia, Kuwait e França, os quais causaram a morte de pelo menos 60 pessoas. Os terroristas mataram dezenas de turistas em uma praia tunisiana e fiéis xiitas em uma mesquita do Kuwait, e decapitaram um homem e feriram várias pessoas em uma instalação industrial na França, perto de Lyon. O Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque kuwaitiano. O Califado, cujo aniversário de proclamação será na segunda-feira, havia pedido a seus adeptos que atacassem os “hereges” durante o Ramadã. Hoje é a segunda sexta-feira do mês muçulmano do jejum.

Os atentados transcorreram ao longo da manhã e comoveram o mundo inteiro à medida que se sucediam as notícias dos ataques em três continentes e o número de mortes aumentava. Vários países europeus elevaram o nível de seu alerta antiterrorista ao mesmo tempo que prometiam continuar unindo forças para prosseguir com sua luta no Oriente Médio contra o EI.

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Os ataques tiveram como alvo os três objetivos costumeiros dos jihadistas, os seus “inimigos” mais citados em seus proclamas: um país muçulmano que por meio de uma transição democrática se distancia do islamismo radical; fiéis xiitas; e os países europeus, entre os quais se destaca a França, o Estado que combate o jihadismo em três frentes: Iraque, Mali e República Centro-Africana.

A ofensiva do terror ocorreu em paralelo com novos avanços do EI, cujas tropas investem de novo contra a cidade de Kobani, onde nesta sexta-feira perpetraram uma matança de civis, segundo denunciou uma organização de defesa dos direitos humanos. É nessa frente que a coalizão liderada pelos Estados Unidos, integrada também por países árabes e ocidentais, põe em dúvida a eficácia para combater “exércitos” surgidos do dia para a noite e que são capazes de pôr contra as cordas seus inimigos nas próprias casas.

O ataque mais mortífero teve novamente como alvo o setor turístico da Tunísia, o país que deu a largada para a primavera árabe e ainda não se recuperou do atentado que em 18 de março espalhou cadáveres no Museu do Bardo. Os jihadistas atacaram desta vez dois hotéis da turística cidade de Susa e mataram pelo menos 37 pessoas, na maioria britânicos, belgas e alemães.

No Kuwait, no ataque suicida contra uma mesquita xiita, com a morte de outra trintena de pessoas, o EI mostra também sua capacidade de golpear a seita rival muçulmana, que, ao lado dos curdos, é a única a lhe fazer frente em campo no Iraque.

E na França, o local do primeiro atentado da série desta sexta-feira, e também o mais obscuro, um islamista radical decapitou seu chefe em Isère, perto de Lyon, e depois tentou fazer saltar pelos ares uma usina de gás. Foi o ataque menos grave, mas os franceses e seu Governo confirmaram que são um objetivo de ponta para os jihadistas, que em janeiro espalharam cadáveres em Paris em dois ataques simultâneos, ao semanário Charlie Hebdo e a um supermercado judaico.

Esse ataque em Lyon, como também a origem das vítimas na Tunísia, situa de novo a Europa no olho do furacão dessa nova guerra global, na qual ninguém se sente protegido. Depois dos ataques em Paris, na Dinamarca, Bélgica e Espanha, as autoridades reforçam seus arsenais legais e policiais para enfrentar o terror, em uma nova disputa entre segurança e liberdades. Nas ruas europeias, como ocorre em Paris, vê-se continuamente militares em patrulha, em uma cena que, ao se repetir, já parece perigosamente normal para os cidadãos.

"Nunca foi tão elevado o nível de alerta", declarava há um mês o procurador de Paris, François Molins, encarregado da luta antiterrorista. No entanto, ele mesmo, como também repete com frequência o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, está consciente de que o mundo enfrenta uma ameaça tão nova quanto desconhecida. Seu exército, também alimentado por fanáticos nascidos na Europa, tem uma quinta coluna em nossas ruas.

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