Copa América

Com um a mais, Peru bate Venezuela e embola grupo do Brasil

Em jogo violento, peruanos conseguem o placar mínimo e chegam a 3 pontos

Amorebieta, depois de ser expulso.
Amorebieta, depois de ser expulso.

A Venezuela é um país que está apenas começando a construir um discurso futebolístico. Com Richard Páez, na primeira década deste século, quis fazer o mesmo papel que já foi desempenhado no continente pela Colômbia de Carlos Valderrama e Freddy Rincón; com César Farías, a partir de 2007, tentou jogar no catenaccio italiano e agora, nesta Copa América, está imitando o jogo rude e vertical do Uruguai antes da chegada de Óscar Tabarez ao cargo de treinador.

Funcionou bem na estreia, contra a Colômbia, e estava funcionando também na primeira meia hora da segunda rodada, contra o Peru. A Venezuela se mostrava firme atrás e conseguia interromper a conexão entre os meias e os atacantes peruanos. Com o potencial de desequilíbrio de Ronald Vargas e a potência de Rondón, parecia que o feito da partida anterior seria repetido. Mas aí o zagueiro venezuelano Fernando Amorebieta cometeu uma imprudência ao pisar na coxa de Paolo Guerrero durante uma disputa de bola pela lateral esquerda. Levou o cartão vermelho direto, bem aplicado pelo árbitro boliviano, e foi para o chuveiro. Com dez homens, a Venezuela não voltou a ser a mesma e caiu por 1 x 0.

A partida foi jogada no limite do regulamento.
A partida foi jogada no limite do regulamento.

Fazer o papel de Uruguai é algo que exige os atores adequados, e ninguém melhor que Amorebieta para encabeçar esse elenco. O ex-zagueiro do Athletic de Bilbao, atualmente com uma discretíssima participação na segunda divisão inglesa, com o Fulham, estabilizou uma zaga que, no começo do ciclo de Noel Sanvicente, era uma peneira. Com ele, a defesa venezuelana conseguiu, na última etapa de preparação para a Copa América, a solidez necessária para o estilo que seu treinador desejava impor. Mas escalar Amorebieta, como bem sabem os seus treinadores nos clubes, é sempre um risco. Ocorre que não há na Venezuela ninguém melhor que ele para jogar na última linha antes do gol. Seu reserva, Gabriel Cichero, costuma ser acusado de se distrair e de deixar avenidas nas laterais, já que sobe frequentemente ao ataque.

O Peru observou essa fragilidade e projetou Luis Advíncula pela lateral esquerda, onde o peruano venceu o duelo. Amorebieta está condenado por sua fama. Mas sem ele em campo a seleção Vinotinto não conseguiu completar a bem-sucedida tarefa da partida contra a Colômbia. O Peru a empurrou contra a sua meta e insistiu até induzir o rival ao erro. Alejandro Guerra perdeu a bola no meio, e o passe em profundidade do meia Cuevas foi desviado pelo venezuelano Rincón para os pés de Claudio Pizarro, que definiu com um arremate alto.

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A Venezuela ainda tentou ir atrás do empate, mas, com um homem a menos em num jogo tão equilibrado, a tarefa ficava praticamente impossível. Entraram Miku e Josef Martínez, mas a equipe não chegou a incomodar o goleiro Galesse, com boa atuação na noite de Valparaíso. Bloqueou um arremate de Rondón no começo do jogo, na única oportunidade clara que a Venezuela construiu.

A vitória do Peru embola ainda mais o grupo C, que conta ainda com Colômbia e a seleção do Brasil. Todas as equipes somam três pontos, mas o Brasil lidera pelo critério de gols marcados e confronto direto. Só na última rodada, no domingo, será possível conhecer os classificados para as quartas de final.