Chefe das FARC é morto em combate no noroeste da Colômbia

É o terceiro ataque contra a guerrilha desde que se decidiu suspender a trégua na sexta-feira passada. Já são mais de 40 mortos

Soldados do Exército colombiano
Soldados do Exército colombianoChristian Escobar Mora (EFE)

As FARC sofreram um novo golpe, o terceiro de grande envergadura desde que se decidiu suspender a trégua unilateral na sexta-feira passada, aumentando a tensão no processo de paz. Uma operação conjunta realizada na segunda-feira pelas Forças Armadas e pela polícia na floresta de Chocó, no noroeste do país, causou a morte de Alfredo Alarcón Machado, conhecido como Román Ruiz, chefe do bloco Noroeste da guerrilha e membro há pouco do Estado Maior Central, a segunda instância da organização. A notícia foi confirmada em um comunicado do Exército divulgado na tarde desta terça-feira.

O grupo guerrilheiro atua, segundo as autoridades, em quatro departamentos do país e está vinculado a atividades de narcotráfico, mineração ilegal, extorsão e colocação de minas antipessoais. Seu chefe máximo, Isaías Trujillo, e o segundo na hierarquia, Pastor Alape, fazem parte da delegação das FARC que negocia com o Governo em Cuba. Essa é a razão pela qual Román Ruiz estava no comando no momento da operação do Exército. O Noroeste foi o responsável em novembro passado pelo sequestro do general Rubén Darío Alzate, que desencadeou a primeira grande crise do processo de paz, suspenso pelo presidente Juan Manuel Santos enquanto o oficial do Exército não fosse liberado.

O número de mortos em bombardeios e combates subiu para mais de 40 nos últimos cinco dias

Agora, com a morte de Román Ruiz, que atuava havia mais de 35 anos no grupo, e de dois outros guerrilheiros ainda não identificados, o número de mortos em meio a bombardeios e combates sobe para mais de 40 nos últimos cinco dias. Havia contra Ruiz vários mandados de prisão por rebelião, homicídio, sequestro e extorsão, e as autoridades ofereciam cerca de 500.000 dólares (1,5 milhão de reais) como recompensa por informação sobre seu paradeiro.

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A nova operação aconteceu dois dias depois de o Exército bombardear um acampamento das FARC muito perto de Chocó, no departamento vizinho de Antioquia, onde morreram dez guerrilheiros e dois menores de idade foram resgatados. E cinco dias depois de perderem 27 de seus homens em Cauca, também em um bombardeio, o que levou à suspensão da trégua unilateral declarada em dezembro passado.

No ataque desta segunda-feira não houve um bombardeio, mas a Força Aérea apoiou os militares, com fogo próximo, no momento em que entravam em combate com os guerrilheiros, segundo informou o general de divisão Leonardo Pinto em uma entrevista coletiva.

Com a escalada do conflito armado, o comando das Forças Militares ordenou a suas tropas em todo o país um “aquartelamento de primeiro grau” como precaução contra eventuais retaliações por parte da guerrilha. Também serão redobradas as operações de segurança nas áreas onde há presença ativa das FARC.

Na segunda-feira, os negociadores da guerrilha e o Governo tinham retomado as conversações de paz em Havana. Os negociadores das FARC afirmaram que não deixarão a mesa de negociações, mas insistem em um cessar-fogo bilateral. Santos pediu para acelerar as negociações e ordenou aos militares “não baixarem a guarda”.