Egito

Tribunal do Egito condena o ex-presidente Mohamed Morsi à morte

O ex-líder islâmico foi acusado de espionagem e de conspirar com milícias estrangeiras

Um tribunal egípcio condenou a morte ao ex-presidente islamista Morsi. REUTERS-LIVE! (reuters_live)

Vários dirigentes da organização egípcia Irmandade Muçulmana, incluindo o ex-presidente da república Mohamed Morsi e o guia supremo do grupo, Mohamed Badie, foram condenados à morte este sábado em um julgamento no qual eram acusados de espionagem e de conspiração com potências estrangeiras. De acordo com o sistema jurídico do Egito, a sentença ainda não é definitiva, pois, nos casos de pena capital, é preciso aguardar um parecer de Shawki Ibrahim Abdel-Karim Allam, o Grão-Múfti da República, uma das principais autoridades religiosas desse país sunita. A sentença é parte de uma severa onda de repressão contra a Irmandade Muçulmana, iniciada depois do golpe de Estado que derrubou Morsi, em julho de 2013.

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Esta é a segunda sentença contra Morsi nos cinco processos em que ele é réu. Na primeira, em abril, o ex-presidente foi sentenciado a 20 anos de prisão por ter ordenado intimidações e torturas contra dezenas de opositores em incidentes nas ruas ocorridos durante o seu mandato presidencial, em dezembro de 2012. Badie, por sua vez, já havia sido condenado à pena de morte, razão pela qual compareceu ao julgamento com roupa vermelha.

As acusações neste julgamento estão relacionadas à invasão de várias prisões egípcias durante a revolução da Primavera Árabe, em janeiro de 2011, quando milhares de presos fugiram das cadeias egípcias, incluindo vários dirigentes da Irmandade Muçulmana. Segundo a versão da polícia, avalizada no sábado pelo juiz, as milícias Hamas (palestina) e Hezbollah (libanesa) estavam por trás da invasão dos presídios, que teria sido planejada em comum acordo com a Irmandade. Entretanto, os responsáveis pela confraria islâmica sempre negaram essas acusações, afirmando que foram familiares dos presos que, aproveitando o caos que tomava conta do país, entraram nas prisões. Morsi na época estava preso na penitenciária de Wadi Natrun.

Além dos principais líderes da organização, dezenas de outros integrantes e simpatizantes da Irmandade foram sentenciados à pena de morte neste sábado. Entre eles se encontra o conhecido religioso Yusuf al Qaradawi, que vive no Qatar. Também foram julgados in absentia vários cidadãos palestinos, algum deles presos em Israel. Ao todo, 105 pessoas foram sentenciadas à pena capital, uma nova condenação em massa que se soma ao triste histórico da Justiça egípcia desde o golpe de Estado.

Uma vez recebida a avaliação das máximas autoridades religiosas, o juiz poderá alterar a sentença. Num exemplo disso, Badie foi condenado à morte em primeira instância num dos mais de 40 processos no qual é réu, mas o tribunal comutou a pena em prisão perpétua após receber o parecer do grão-múfti. Neste caso, a última palavra do juiz será em 2 de junho.