Consumo de álcool

Mais de 40% dos menores de 15 anos já se embriagaram

O consumo de álcool passou do oitavo ao quinto lugar como principal causa de morte

Um grupo de participantes do festival da cerveja em Chicago em 9 de maio.
Um grupo de participantes do festival da cerveja em Chicago em 9 de maio.SCOTT OLSON (AFP)

O consumo nocivo (ou excessivo) de álcool está caindo nos 40 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e em seus parceiros-chave, mas os jovens impedem que as estatísticas sejam melhores. Nas pesquisas realizadas até agora neste século, 43% dos jovens menores de 15 anos e 41% das jovens já experimentaram uma bebedeira. Antes, os números eram, respectivamente, 30% e 26%. O primeiro estudo da OCDE sobre o alcoolismo, divulgado na manhã desta terça-feira em Paris, revela também que o álcool se tornou, nos últimos 30 anos, a quinta causa de morte e invalidez. Anteriormente ocupava o oitavo lugar.

A OCDE se junta à Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate ao alcoolismo. Do ponto de vista econômico, afirma o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, “esse relatório demonstra que mesmo as políticas mais caras de prevenção do alcoolismo compensam no longo prazo”. Os custos do alcoolismo não se medem apenas pelo número de mortos (2,5 milhões por ano no mundo todo), mas também como causa de doenças, violência e acidentes de trânsito. O relatório, intitulado “Combate ao consumo nocivo do álcool”, está disponível no site da organização.

Os países com maior consumo de álcool são Estônia, Áustria, França, Irlanda e República Tcheca. Os com menor consumo são Indonésia, Turquia, Índia, Israel e México.

A tendência é, em termos gerais, positiva nos países da OCDE. O alcoolismo caiu 2,5% nos últimos 20 anos. A média se situa em 9,1 litros anuais de álcool puro por pessoa. Acima dessa média estão no topo da lista os países em que mais se bebe: Estônia, Áustria, França, Irlanda e República Tcheca. Os países que consomem menos álcool são Indonésia, Turquia, Índia, Israel e México. Especialmente importantes são os dados sobre o México, onde a cultura muçulmana não influi na abstinência ao álcool. Um amplo leque de medidas políticas conseguiu manter a taxa de consumo em 5,7 litros nos últimos 30 anos.

A boa notícia, segundo Gurría, é que, se forem tomadas medidas adequadas, é possível reduzir o alcoolismo. Dão resultado as campanhas de prevenção, o aumento dos impostos, a elevação de preços e uma legislação mais restritiva sobre a venda de bebidas alcoólicas. Uma medida isolada, como o aumento dos impostos, não dá resultado. “É o que demonstram as altas taxas de alcoolismo em alguns países nórdicos”, disse na manhã desta terça-feira a chefe da Divisão de Saúde da OCDE, Francesca Colombo.

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A Espanha (o relatório tem um suplemento em espanhol) reduziu quase à metade seus índices de alcoolismo nos últimos 30 anos. Hoje o país se situa na média da OCDE, com 9,8 litros anuais por pessoa. Uma característica espanhola é que o consumo está muito concentrado nos grandes beberrões. Os 20% da população que mais bebem consomem 58% do total. O fenômeno é similar ao que ocorre na França e na Suíça. “Nesses países as políticas precisam ser direcionadas à população de risco”, adverte Stefano Scarpetta, diretor de Assuntos Sociais da OCDE.

Um dos dados que mais chamam atenção no relatório é a afirmação de que o consumo moderado de álcool pode ter um impacto positivo até mesmo nos salários. Colombo e Gurría tiveram de esclarecer que não se trata de uma relação de causa e efeito, mas a constatação óbvia de que o alcoolismo repercute negativamente nos rendimentos de quem sofre desse mal.

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