Podemos planeja limitar a renda básica a certas faixas etárias

O partido estuda a viabilidade econômica de suas medidas

Congresso do Podemos em Vistalegre, Madri.
Congresso do Podemos em Vistalegre, Madri.Claudio Álvarez

O Podemos moderou sensivelmente sua proposta de renda básica de cidadania, uma das medidas mais populares e polêmicas que incluiu, em 2014, no programa das eleições europeias. Inicialmente estudou um sistema de “renda mínima garantida” e agora cogita introduzir uma versão suavizada dessa ajuda no programa-quadro das eleições autonômicas de 24 de maio. A formação liderada por Pablo Iglesias calcula limitar a renda básica às faixas etárias que considera mais vulneráveis, por exemplo, os jovens e os maiores de 55 anos, conforme explicou na quinta-feira o número dois do Podemos, Íñigo Errejón.

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O secretário de Política, que indicou que a medida ainda não está concretizada porque sua viabilidade econômica está em fase de análise, explicou essa possibilidade em uma entrevista à agência Europa Press. “Um cenário intermediário [para a renda básica] poderia ser um que cubra até os vinte e tantos anos e a partir dos cinquenta e poucos, para garantir por um lado que os jovens tenham capacidade de abrir processos de empreendimento e, por outro, que os mais velhos não fiquem para trás por um golpe de má sorte”, afirmou Errejón. Ele não esclareceu se a renda que o Podemos propõe seria recebida por todos os cidadãos dessas faixas etárias ou apenas por aqueles que necessitarem dela por não terem outros ganhos.

Calcular o custo

O objetivo do Podemos é combinar essa prestação com as ajudas que algumas comunidades autônomas já oferecem para famílias de baixa renda. “Em muitas comunidades já existem salários de inserção para aqueles que não têm recursos e que não têm trabalho. Nós dissemos que será preciso harmonizá-los e estamos perguntando a especialistas quanto custaria até o último euro”, disse Errejón na quinta-feira. E acrescentou: “Há uma pista. Na Andaluzia, concorremos com um programa de emergência cidadã que dizia que era preciso pagar antes os salários sociais que cobrissem as famílias do que, por exemplo, os gastos da Administração como remunerações aos altos cargos”.

O cabeça de lista do Podemos na Comunidade de Madri, José Manuel López, pareceu abandonar de forma definitiva, ao menos para essa região, a ideia da renda básica universal. Não obstante, um debate organizado na terça-feira pelo Instituto 25 de Maio, a fundação do Podemos, voltou a pôr sobre a mesa a proposta, que demandam muitos simpatizantes da formação. Essa é uma das discussões que estiveram presentes no processo de elaboração programática, que será apresentado na semana que vem. Enquanto isso, a prioridade é calcular a viabilidade do projeto.