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Muita inflação para pouco PIB

Em 12 meses, índice acumula alta de 8,13%, a maior desde dezembro de 2003

Puxado pela conta de luz, IPCA de março avançou 1,32%.
Puxado pela conta de luz, IPCA de março avançou 1,32%. Fotos Públicas

A inflação oficial continua cobrando os erros da política econômica do Governo Dilma e do ajuste fiscal, que começou no início do ano aumentando as tarifas do consumidor, segundo especialistas. Diante de uma perspectiva de PIB negativo este ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 1,32% no mês de março, após alta de 1,22% em fevereiro. Com o resultado, o acumulado dos últimos doze meses foi para 8,13%, o mais elevado desde dezembro de 2003 quando atingiu 9,30%.

A grande vilã do mês de março foi a conta da energia elétrica, cujo aumento gerou 0,71 ponto percentual de impacto na inflação, de acordo com dados divulgados, nesta quarta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o economista Mauro Rochlin, da FGV, a inflação registrada é muito alta para um país que cresce tão pouco. O PIB de 2014, anunciado no mês passado, revelou uma economia estagnada, com um crescimento pífio de 0,1% e queda de investimentos. "Estamos pagando a conta de erros do passado. A política de controlar a inflação através de preços administrados não foi efetiva. As altas foram evitadas ao máximo em 2014 por ser um ano eleitoral", afirma.

O economista ainda destaca que em um quadro hídrico complicado, em que a seca provoca a menor produtividade das hidrelétricas e o sistema é obrigado a acionar termelétricas, o Governo não poderia ter segurado os preços da energia elétrica no ano passado. "Foi simplesmente uma medida populista", explica.

Vilã de março

Com a entrada em vigor, no início do mês passado, da revisão das tarifas elétricas aprovada pela agência reguladora do setor, ANEEL, ocorreram aumentos extras, fora do reajuste anual. Ao mesmo tempo, houve reajuste de 83,33% sobre o valor da bandeira tarifária vigente, a vermelha, passando de R$ 3,00 para R$ 5,50. O resultado é que o consumidor está pagando neste ano, em média, 36,34% a mais pelo uso da energia, enquanto nos últimos doze meses as contas já estão 60,42% mais caras.

Os gastos com Habitação, onde se encontra o item energia, registraram no índice de março o maior resultado de grupo, 5,29%. Nele sobressaem, ainda, o aumento de 1,25% no item mão de obra para pequenos reparos e de 0,96% no condomínio. Na sequência, estão as despesas com Alimentação e Bebidas subiram 1,17% e exerceram impacto de 0,29 p.p. Juntos, os grupos responderam por 81,82% do IPCA do mês passado.

Até o momento, a inflação acumulada no ano de 2015 ficou em 3,83%, a maior taxa para um primeiro trimestre desde 2003, quando a alta foi de 5,13%.

No entanto, a economista Adriana Molinari, da Tendências, explica que a perspectiva para os próximos meses, quando a alta de preços deve começar a ceder, é de queda. "A alta da inflação deve ficar concentrada apenas primeiro trimestre deste ano, depois os preços devem cair. Passado os ajustes dos preços administrados a previsão é de queda. Abril já deve registrar uma desaceleração de 0,65%", explica. Para este ano, a Consultoria Tendências prevê uma inflação entre 7,9% e 8,2%.

Apesar da aceleração da inflação, o índice ficou abaixo da expectativa de analistas do mercado financeiro. A expectativa mais pessimista era que o indicador chegasse a 1,4% no mês, segundo pesquisa do Banco Central com cerca de 100 economistas.

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