Tragédia aérea nos Alpes

Promotoria suspeita que copiloto pesquisou sobre suicídio na Internet

Equipe encontra segunda caixa-preta do avião, que registra os detalhes técnicos do voo

Andreas Lubitz, em foto de 2013, em Hamburgo (Alemanha).
Andreas Lubitz, em foto de 2013, em Hamburgo (Alemanha). (AFP)

A promotoria de Düsseldorfr revelou na quinta-feira que o copiloto do avião da Germanwings que caiu nos Alpes franceses, Andreas Lubitz, pesquisou informações na Internet sobre métodos para se suicidar, assim como informações sobre o fechamento das portas da cabine, informa a agência Reuters. Segundo um comunicado divulgado pela promotoria alemã, os investigadores encontraram um tablet na residência de Lubitz. Os dados no aparelho mostram que, quem o utilizou, quis se informar sobre a maneira de se suicidar e que, durante vários minutos, buscou informações sobre o funcionamento das portas das cabines e suas medidas de segurança.

MAIS INFORMAÇÕES

Segundo o comunicado da promotoria, as pesquisas foram realizadas entre os dias 16 e 23 de março. No dia seguinte, em 24 de março, o avião caiu nos Alpes com 150 pessoas a bordo, incluindo Lubitz. Pelo menos em um desses dias anteriores à tragédia, durante vários minutos, foram realizadas pesquisas sobre termos que têm a ver com as portas da cabine e suas medidas de segurança.

Esse dado é revelado no mesmo dia em que os investigadores encontraram a segunda caixa-preta do avião da Germanwings, segundo anúncio do promotor de Marselha, Brice Robin, informa a France Presse. Os investigadores revelaram na semana passada, baseados nas gravações da primeira caixa-preta, que o copiloto do Airbus A320 teve intenção de destruir o avião, e acionou voluntariamente a descida da aeronave. A caixa encontrada agora registra os detalhes técnicos do voo, como a posição do avião, a velocidade e a trajetória. ""Enviaremos esta segunda caixa-preta ainda nesta tarde para a sede do Bureau de Pesquisas e Análises (BEA), em Paris, para sua análise", afirmou Robin.

Robin disse ainda que os 150 perfis genéticos dos ocupantes da aeronave foram isolados para análise, mas insistiu que ainda não havia sido possível identificar nenhuma das vítimas a partir do DNA. "Vamos comparar o DNA post-mortem com o DNA recuperado ante-mortem, fornecido por famílias das vítimas", disse o promotor de Marselha, que não especificou uma data para as famílias possam recuperar os corpos de seus entes queridos.

A primeira caixa-preta encontrada é a que tinha as gravações com as conversas na cabine entre os pilotos, com os controladores, e os ruídos que os especialistas podem analisar para elucidar o que aconteceu antes do acidente. Essa é a caixa cujo conteúdo revelou que Lubitz, o copiloto de 27 anos e com 630 horas de voo, aproveitou que o capitão havia saído da cabine e assumiu o comando para acionar deliberadamente a descida. Às 10h47, o avião começou a perder altitude e passou de 35.000 pés (10.700 metros) para 6.900 pés (1.800 metros), em apenas oito minutos. Nesse intervalo, não enviou nenhum sinal de emergência ou mayday.

Arquivado Em: