França

Paris impõe um rodízio de veículos para tentar frear a poluição do ar

Transportes e estacionamentos públicos, gratuitos até a poluição diminuir

Vista da Torre Eiffel, em 18 de março.
Vista da Torre Eiffel, em 18 de março.GONZALO FUENTES (REUTERS)

A partir de segunda-feira, só poderão circular na capital francesa a metade dos veículos privados de acordo com sua placa. Em dias alternados, na segunda terão permissão para circular os carros com placas de final par. Na terça-feira será a vez das placas ímpares e assim consecutivamente. Os veículos limpos (elétricos e híbridos) e os que transportarem pelo menos três pessoas estarão fora da proibição. Durante todo o fim de semana, com a mesma finalidade de reduzir a altíssima poluição atmosférica que sofre a cidade, os transportes públicos foram gratuitos e continuarão a ser na segunda-feira. O pacote de medidas é amplo: redução do limite de velocidade, gratuidade dos estacionamentos municipais e o barateamento do uso das bicicletas municipais. 22 distritos serão afetados, ou seja, Paris e praticamente todos os seus arredores.

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A ausência de chuvas e a alta densidade populacional de Paris, cuja área estendida soma aproximadamente 10 milhões de habitantes, elevou na última semana os níveis de poluição até o ponto desta ser visível a olho nu com um ar denso e sujo. O primeiro alerta ocorreu na terça-feira da semana passada, ao se ultrapassar os níveis fixados pela Airparif, a associação que cuida da qualidade do ar. Em plena reta final da campanha das eleições regionais, das quais a capital francesa não participa, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, propôs a tomada imediata dessas medidas drásticas para reduzir a poluição, mas o Governo de François Hollande se negou. A ministra do Meio Ambiente, Ségolène Royal, não achou oportuno impor tais remédios “de um dia para outro”, o que lhe custou duras críticas dos setores mais à esquerda do Partido Socialista e, sobretudo, dos Verdes. Foram críticas especialmente duras contra um Governo que está propondo uma transição energética para energias renováveis e que prepara a Cúpula do Clima para dezembro.

Finalmente, e diante da persistência da poluição prevista para ser de longa duração, a Prefeitura recebeu a permissão de lutar contra a poluição com medidas semelhantes as que foram impostas em março de 2014, quando Paris sofreu outro pico de poluição com excesso de partículas finas (extremamente prejudiciais à saúde) parecido com o atual. As condições atmosféricas, típicas de março, se repetem: tempo seco, vento escasso, ar frio no solo e ar quente em alturas maiores. A indústria e o tráfego de veículos completam um coquetel explosivo com suas emissões. De fato, parte do norte da Europa está sofrendo o mesmo problema, com ventos fracos que chegam à França da Alemanha e Noruega e continuam sua viagem até o Reino Unido.

Na França, os alertas sobre os níveis de concentração de partículas são ativados quando são superados os 50 microgramas por metro cúbico de ar durante 24 horas consecutivas. No sábado, essa concentração estava em 83. No domingo, após uma chuva fina na noite anterior, ainda que escassa, o índice esteve em 71 microgramas, de acordo com a Airparif. Para a segunda-feira é previsto um novo aumento que ficará próximo dos 80 microgramas por metro cúbico.

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