Netanyahu recua depois da vitória: “Quero uma solução com dois Estados”

"Israel tem seu maior aliado nos Estados Unidos", assegura o primeiro-ministro reeleito

O negociador-chefe da OLP, Saeb Erekat, nesta quinta-feira.
O negociador-chefe da OLP, Saeb Erekat, nesta quinta-feira.AHMAD GHARABLI (AFP)

Depois de vencer as eleições de terça-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aproveitou sua primeira entrevista a um meio de comunicação estrangeiro para recuar de sua rejeição, no final da recente campanha eleitoral, da solução dos dois Estados. “Não quero uma solução com um só Estado, quero uma com dois Estados e que seja sustentável, mas as circunstâncias ainda precisam mudar para que isso seja possível”, declarou à rede de televisão norte-americana MSNBC, para dar a entender que ainda vê como algo remoto um acordo de paz definitivo com os palestinos.

Em uma rara entrevista à imprensa, convocada nesta quinta-feira em um hotel de Jerusalém Oriental, os dirigentes palestinos exigiram da comunidade internacional o reconhecimento imediato do Estado da Palestina. “Não foi uma proclamação eleitoreira. Sua rejeição à solução dos dois Estados é uma política que vem adotando desde 2009”, afirmou o negociador-chefe da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, alertando que a reeleição do líder do Likud põe em perigo o processo de paz.

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A Comissão Executiva da OLP decidiu também nesta quinta-feira estabelecer um prazo de duas semanas para pôr em prática a suspensão da cooperação com Israel em matéria de segurança, uma decisão que aprovada em 5 de março em Ramallah. Erekat acusou o Governo de Netanyahu de ter “anulado” a capacidade de atuação da Autoridade Palestina, ao cancelar a entrega ao Governo de Mahmud Abbas dos impostos que arrecada em nome da AP.

A suspensão da cooperação em matéria de segurança, um dos últimos pontos dos acordos de paz de Oslo, de 1993, que ainda continuam sendo aplicados, ameaça elevar a tensão entre israelenses e palestinos, cujas forças de segurança compartilham informações secretas para evitar ataques extremistas.

Depois das vozes críticas surgidas após a reeleição de Netanyahu, tanto na Administração do presidente Barack Obama como na imprensa norte-americana, o primeiro-ministro declarou que “Israel não tem maior aliado do que os EUA”. Ele também negou que seja um político racista, depois de ser acusado disso por seus comentários contra os árabes israelenses em pleno dia da eleição.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, telefonou a Netanyahu na quarta-feira para cumprimentá-lo pela vitória nas urnas. O primeiro-ministro israelense reconhece que ainda não falou com Obama, embora espere poder fazer isso em breve.

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