Emprego no Brasil registra pior desempenho para fevereiro em 16 anos

Por terceiro mês seguido, vagas cortadas superam a geração de postos de trabalho

Construção civil teve 25.823 demissões em fevereiro.
Construção civil teve 25.823 demissões em fevereiro.

A retração da economia brasileira já se reflete em uma tendência de queda de criação nos postos de trabalho do país e ameaça colocar em risco um dos trunfos do Governo Dilma: o baixo índice de desemprego. O último mês de fevereiro foi o pior no ritmo de geração de empregos formais no país em 16 anos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho.

No mês passado, o Brasil fechou 2.415 vagas formais, o mais baixo resultado desde 1999, quando o país perdeu 78.030 postos de trabalho. Em 2014, para o mesmo mês, foram criadas 260.000 novas vagas. Os setores que mais puxaram a queda de postos, em fevereiro, foram o comércio (30.354 postos) e a construção civil ( -25.823 postos).

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, admitiu, em coletiva de imprensa, que a baixa no setor da construção foi influenciada pela operação Lava Jato, que apura as irregularidades da Petrobras. Porém, segundo o ministro, esse quadro tende a melhorar já que a estatal "não pode parar e o Brasil também não".  De acordo com o balanço da Caged, o Rio de Janeiro, sede da petroleira, foi o Estado responsável pela maior perda de emprego, com déficit de 11.101 postos.

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Fevereiro foi o terceiro mês consecutivo em que o nível de vagas fechadas superou a de ocupações criadas. O resultado decorre da diferença entre as 1.646.703 admissões e as 1.649.118 demissões registradas no mês. Em janeiro, já haviam sido fechados 81.774 postos com carteira assinada. No acumulado do ano, entre março de 2014 e fevereiro de 2015, houve uma queda de 80.732 vagas formais no país.

Apesar da tendência de queda do emprego formal, o ministro do Trabalho avaliou o resultado como um sinal de "estabilidade". "Tivemos algumas áreas com mais perdas, como construção civil e comércio, mas tivemos recuperação em serviços", declarou Dias.

De acordo com o Ministério do Trabalho, o setor de serviços registrou a contratação de 52.261 postos no mês passado. A indústria de transformação, por sua vez, contratou 2.001 trabalhadores com carteira assinada em fevereiro.

Desemprego

Para o professor de economia da FGV Mauro Rochlin, a queda na abertura de novas vagas já segue uma tendência de quase um ano e coloca, cada vez mais, a taxa de desemprego "sob pressão". "Não é apenas uma projeção, os números mostram uma série histórica de queda de vagas que vão se transformar em um aumento de desemprego", explica. 

Para o ministro Manoel Dias, ainda não é possível, fazer uma previsão para o resultado do emprego formal em 2015. "Precisamos do primeiro semestre para ver uma reação disso. O aumento do dólar ajuda o Brasil, do ponto de vista da valorização do produto nacional", acrescentou Dias.

Menos otimista, a maioria dos brasileiros já está mais preocupada com a possibilidade de perder o posto de trabalho. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira, 69% da população acredita que o desemprego irá aumentar.

De acordo com dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua)  a taxa de desemprego no Brasil, no trimestre que terminou em janeiro, foi de 6,8%. O número se refere tanto a empregados com carteiras quanto a informais e apresenta aumento na comparação com o trimestre anterior, quando o nível foi de 6,6%.