Fundo Monetário anuncia ajuda de 50 bilhões de reais à Ucrânia

Medida, anunciada em Bruxelas por Christine Lagarde, terá duração de quatro anos

A diretora do FMI, Christine Largarde.
A diretora do FMI, Christine Largarde.YVES HERMAN (REUTERS)

A Ucrânia e a Rússia anunciaram nesta quinta-feira um acordo de paz em Minsk (Belarus) e, com isso, a presidenta do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, anunciou na mesma quinta uma ajuda econômica de 17,5 bilhões de dólares (50 bilhões de reais) para Kiev. “É um programa ambicioso, duro e que implica riscos”, disse a dirigente francesa, “mas é também realista e representará um ponto de inflexão na Ucrânia”, continuou. Lagarde referiu-se às tensões geopolíticas que “afetam a confiança dos investidores no país”.

O anúncio foi feito, por enquanto, de forma unilateral, mas o ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, e os diretores do FMI em Kiev, devem corroborá-lo ainda nesta quinta-feira.

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Essa garantia de ajuda econômica foi impulsionada porque a Ucrânia “demonstrou seu compromisso com as reformas” em setores vitais, segundo Lagarde, como uma forte “disciplina fiscal” (em 2014, teve um déficit de 4,6% do PIB frente a um prognostico de 5,8%). Além disso, disse, o país está fazendo um esforço na luta contra a corrupção, um dos problemas que o mantêm em constante instabilidade.

A ajuda pretende também posicionar o FMI na liderança do resgate exterior à Ucrânia. “Essa garantia será apoiada também por outras fontes – bilaterais e multilaterais – de financiamento”, especificou. Com os investimentos iniciais, espera-se que a quantia total recebida pela Ucrânia nos próximos quatro anos seja de 40 bilhões de dólares (114 bilhões de dólares), segundo a dirigente.

A Ucrânia está envolvida, há pouco mais de um ano, em uma guerra não declarada com a Rússia pela soberania das regiões separatistas de Lugansk e Donetsk, no leste do país. Segundo a ONU, o conflito armado deixou quase 6.000 mortos. Os líderes de ambos os lados, com a ajuda da mediação da OSCE e da UE – com o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel à frente – tentam há semanas uma aproximação para chegar a uma solução diplomática do conflito, que parece ter chegado a um acordo de cessar-fogo na quinta-feira.