Crise na Grécia

Bruxelas prepara-se para negociar com Tsipras

Socialistas europeus acreditam que reestruturar a dívida “não deve ser tabu”

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, esta semana no Fórum de Davos
Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, esta semana no Fórum de DavosSimon Dawson (Bloomberg)

O primeiro a fazer será felicitar o ganhador das eleições gregas, mas logo em seguida virá o comunicado da lista de compromissos. A União Europeia vem traçando, há semanas, diferentes cenários de acordo com o resultado das urnas na Grécia. Além do que será renegociado de agora em diante, os ministros de Finanças dos países do euro (Eurogrupo) pretendem enviar domingo, de Bruxelas, uma mensagem clara ao vencedor das eleições e potencial primeiro-ministro: Atenas deve cumprir os compromissos de reformas e ajustes que assumiu com seus parceiros em troca de dois programas de resgate.

Essa advertência ao devedor não contém, entretanto, pessimismo quanto o futuro grego. Pelo menos é o que vêm tentando transmitir todos os dirigentes comunitários – em público e, principalmente, em particular – nas últimas semanas: ganhe quem ganhar, não haverá cataclismos na Grécia. “As coisas transcorrerão com mais suavidade do que qualquer um poderia esperar”, assegurava na sexta-feira uma alta fonte comunitária. O que o Eurogrupo espera é que o novo primeiro-ministro peça, de maneira quase imediata, uma ampliação do programa de resgate que hoje garante o financiamento da Grécia sem precisar ir aos mercados (o país recebeu um crédito de quase 230 bilhões de euros – 660 bilhões de reais – nos dois programas aplicados). Se não for solicitado, o resgate expirará em 28 de fevereiro e será difícil acessar o capital. Se for dado esse primeiro passo, poderão ser obtidas condições mais benévolas no caminho de ajuste, vaticinam as fontes consultadas.

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Apesar de tudo, a grande incógnita é determinar que Governo Alexis Tsipras, líder do Syriza, será capaz de formar. Os dirigentes europeus sabem muito bem que obter maioria absoluta não é o mesmo que pactuar com outros partidos de esquerda ou com o mais centrista To Potami. Entre o mutismo que reinava ontem à noite em Bruxelas à espera de dissipar as incertezas, os socialistas começaram a considerar Tsipras vencedor poucos minutos depois do fechamento das urnas com um discurso que perfeitamente poderia ter correspondido ao Syriza, enquadrado na esquerda unitária da Eurocâmara.

“O povo grego escolheu claramente romper com a austeridade imposta pelos ditames da troika e pedir que o novo Governo traga mais justiça social. A renegociação da dívida grega, em particular a ampliação do resgate, já não deveria ser considerada um tabu”, disse em um comunicado o líder dos social-democratas europeus, Gianni Pittella, que ofereceu colaboração a Tsipras.

O grupo liberal também quis expressar seu apoio a um partido que pode ser “dobradiça”. “Espero que To Potami desempenhe um papel chave em qualquer Governo de coalizão. Com sua agenda reformista, oferecem esperança para o futuro na Grécia”, assegurou o líder europeu Guy Verhofstadt.

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